Helena Sacadura Cabral questiona a disciplina partidária numa reflexão publicada este sábado, 7 de novembro, no Facebook. Em «A escolha partidária», a autora pergunta o que deve fazer um militante quando a lealdade ao partido entra em conflito com as suas convicções.
O ponto de partida é a razão que pode levar alguém a filiar-se. Para Helena Sacadura Cabral, quem reconhece os defeitos dos partidos pode encontrar aí um motivo para participar. “Uma pessoa honesta poderá entrar na política porque acredita que os partidos são, apesar de todas as suas imperfeições, instrumentos essenciais da democracia. Porque entende que ficar de fora, limitando-se a criticar, também é uma forma de deixar o espaço livre para aqueles cujas motivações podem não ser as mais nobres.”
A dificuldade surge quando é preciso aceitar a hierarquia e a disciplina do grupo. “E é precisamente aí que pode surgir o conflito: até onde se pode ir em nome da pertença a um partido sem trair a própria consciência?”, pergunta.
A honestidade como condição de entrada
Para a autora, o compromisso começa antes de alguém assumir um cargo e deve manter-se nas decisões que toma depois. “A honestidade, na política, não deveria ser uma qualidade excecional nem uma bandeira de circunstância. Deveria ser uma condição de entrada e uma exigência permanente. Não significa ser perfeito, nem acreditar que se tem sempre razão. Significa não abdicar da liberdade de pensamento, não pactuar com aquilo que se considera errado e não trocar convicções por lugares, favores ou protagonismo.”
Helena Sacadura Cabral vê na filiação a oportunidade de mudar, por dentro, práticas que se criticam de fora. A quem pondera esse passo, deixa uma pergunta para fazer a si próprio: “Estou disposta a mudar a política ou corro o risco de deixar que a política me mude?”
“Porque entrar num partido pode ser um ato de cidadania. Permanecer nele, sem perder a independência de pensamento e a integridade moral, pode ser um verdadeiro exercício de coragem”, conclui.
