Agressão de Vera a Dylan no Secret Story gera condenação unânime na TVI: “Nada justifica a violência”, foi referido.
Psicóloga e comentadores do “Em Cima da Hora” criticam duramente o comportamento da concorrente
A agressão de Vera a Dylan, na Casa dos Segredos 9, continua a dominar o debate público. O incidente, que ocorreu após comentários sobre os filhos da concorrente, foi o tema central da emissão do “Em Cima da Hora” da TVI, esta segunda-feira.
A questão colocada pela apresentadora — “Justifica-se esta reação?” — mereceu uma resposta unânime dos comentadores: a violência física é injustificável em qualquer circunstância.
“Nada justifica qualquer espécie de violência”
A psicóloga Inês Balinha Carlos foi a primeira a reagir, rejeitando de imediato a ideia de que a provocação possa servir de desculpa.
“Um dos maiores mitos da violência doméstica é ‘ele provocou, ela provocou’. Independentemente do que seja dito, nada justifica qualquer espécie de violência. O ser humano não tem que reagir ao que o outro faz. Tem que agir de acordo com os seus valores, as suas virtudes e a sua sabedoria.”
A especialista classificou o ato de Vera como “um péssimo exemplo”, defendendo que deveria haver uma consequência clara.
“A resposta à escuridão é com luz”, disse, citando Martin Luther King para reforçar que “o ódio se combate com amor”.
“Se fosse um rapaz a bater numa rapariga, isto seria muito mais terrível”
A psicóloga alertou ainda para o duplo critério que existe na forma como a sociedade analisa episódios de violência.
“Se fosse um rapaz a bater uma rapariga, isto seria muito mais terrível e não pode ser, porque há 10 mil casos este ano de violência que foi feita sobre os homens e que não podem ser desqualificados só porque os homens, na sua grande maioria de agressores, são homens. Isto não está correto.”
Balinha Carlos destacou que o género não deve ser usado como justificação nem como atenuante para comportamentos agressivos.
“Vi muita gente a defender esta agressão”
Já Miguel Fernandes, comentador da TVI, considerou o tema “muito importante” e alertou para a hipocrisia social em torno do caso.
“Vi muita gente a defender esta agressão. Vi até um colega nosso que assumiu (…) a defesa desta agressão, dizendo que só se combate este tipo de homem com atitudes destas, com uma chapada.”
O especialista em temas criminais deixou claro que rejeita totalmente essa visão, lembrando que o que aconteceu “é potencialmente um crime”.
“Mesmo que aquela senhora tenha sido alvo de comentários infelizes e comentários que a possam ter ofendido, a verdade é que foram palavras. Se cada concorrente que vai a um programa destes reagisse à chapada cada vez que alguém é ofensivo, diz algo que não deve, bom, nós passávamos o dia a assumir que isto é aceitável (…) aquilo pode ser identificado como um crime. É uma agressão, não há volta a dar a isto.”
“Tudo começa em casa. Temos de dar o exemplo”
O jornalista comparou ainda a justificação da “chapada” às desculpas frequentemente usadas em casos de violência doméstica, como quem agride “porque viu umas mensagens que não gostou no telemóvel”.
Por fim, deixou um aviso contundente a quem tenta normalizar ou relativizar a agressão.
“Todas as pessoas que desculpam este comportamento depois não têm legitimidade para exigir ao Estado reações ou proteção para quem agride. Por isso é que eu disse há pouco que tudo começa em casa. Nós temos de dar o exemplo. Mesmo que nos sintamos ofendidos, mesmo que alguém ultrapasse as marcas, temos de liderar pelo exemplo.”
