Ana Moura explica apoio ao protesto pela habitação: “Os meus pais não tinham casa onde ficar”

A coragem das jovens que viu na primeira linha do protesto pela habitação levou Ana Moura a disponibilizar-se para ajudar a acampada do Rossio, em Lisboa. Em declarações à SIC Notícias, esta terça-feira, 20 de outubro, a cantora explicou por que se juntou à mobilização e recordou que os pais, quando chegaram a Portugal, “não tinham casa onde ficar”.

Ana Moura reconheceu ser “privilegiada” por ter uma casa, mas sublinhou que essa não é a realidade de muitas pessoas. Para a artista, a defesa da habitação enquanto “direito fundamental” atravessa diferenças políticas e justifica o envolvimento na causa.

A imagem que a deixou emocionada no Rossio

A decisão de ajudar ganhou forma depois de uma passagem pela acampada no sábado. Ana Moura contou à SIC Notícias que permaneceu no local até de madrugada e que houve um momento que a marcou particularmente.

“Estive aqui no sábado e permaneci até às 2:30 e saí daqui muito emocionada. Por volta da 00:30, as pessoas começaram a formar um cordão humano. De repente as pessoas que estão na linha da frente são miúdas com os braços tão fininhos quanto os meus, de mãos dadas, de olhos brilhantes, mas com algum medo também. Olhei para elas e fiquei mesmo emocionada. São pessoas com muita coragem”, relatou.

Depois de assistir àquela mobilização, a cantora contactou a organização para perceber de que forma poderia contribuir. A resposta trouxe um convite para fazer aquilo que a tornou conhecida do público.

- Publicidade -

“Eles pediram-me para vir cantar. Imediatamente disse que sim. Montei o meu sistema de som com a minha equipa, que prontamente disse que ‘sim’”, explicou.

“Que eu também tivesse essa coragem”

Na entrevista, Ana Moura relacionou a sua participação com o exemplo das jovens que encontrou no protesto e com a consciência das dificuldades de quem não tem uma casa. A referência ao passado dos pais deu também uma dimensão familiar ao seu testemunho.

“Fez-me todo o sentido que, ao ver a coragem destas miúdas na linha da frente que eu também tivesse essa coragem”, afirmou.

A artista foi uma das vozes que se juntaram à concentração de terça-feira no Rossio, onde também atuaram Tim e Vitorino.

Ana Moura rejeita que a causa pertença a uma ideologia

Questionada pela SIC Notícias sobre a atitude do Governo perante a acampada, a cantora defendeu que devem ser ouvidas as soluções apresentadas pelos manifestantes. Rejeitou ainda que a participação dos artistas deva ser automaticamente associada a uma posição partidária.

“Isto é uma causa que é de esquerda, é de direita, é de todas as ideologias. No primeiro dia vi um cartaz que dizia ‘O primeiro desenho que fazemos na vida é de uma casa’. Isto é um direito fundamental, está na Constituição. As pessoas estão só aqui a pedir esse direito”, declarou.

Os protestos de terça-feira estenderam-se a várias cidades do país, incluindo Porto, Évora, Coimbra, Braga, Beja, Leiria e Faro. Em Lisboa, os participantes decidiram, em Assembleia Popular, voltar a montar tendas na quarta-feira, 21 de outubro.

- Publicidade -

Destaques

Rúben Luz Lameira ao Infocul: “Não podemos vender gato por lebre” no cante alentejano

Rúben Luz Lameira tinha os amigos à espera para...

Francisco Inácio, à porta dos 18 anos: “As histórias têm de ser minhas”

Em entrevista ao Infocul, o músico de Rio Maior...

Miguel Lunet: em “Rapaz da Geração Z”, o humor também sabe escrever canções

Há sempre alguém numa festa que parece ter comprado...

Monda: “Talvez Amanhã” e a liberdade de fazer música sem obedecer aos algoritmos

Gosto dos Monda desde o primeiro disco. A ligação...

Rui Veloso emociona o Sagres Campo Pequeno com «Porto Sentido» e homenagens a João Gil e Luís Represas

Rui Veloso levou o Sagres Campo Pequeno numa viagem...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados