António José Seguro alerta para subida dos lares: “É uma conta que milhares de famílias tentam fazer com angústia”

António José Seguro alerta para subida dos lares: “É uma conta que milhares de famílias tentam fazer com angústia”, destacou.

“Esta é uma conta que não bate certo com os rendimentos das pessoas.”

António José Seguro levou a crise dos lares para o centro do debate público, esta quarta-feira, em Braga. Na abertura do 15.º Congresso Nacional das Misericórdias, o Presidente da República alertou para o aumento das mensalidades, a falta de vagas e o impacto do envelhecimento na saúde e na segurança social.

O aviso não veio em tom técnico. Veio com a dimensão de quem olha para famílias que fazem contas todos os meses e já não sabem onde cortar.

Lares mais caros e famílias sem margem

Seguro começou por apontar diretamente ao peso financeiro que muitos agregados enfrentam.

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O Presidente da República alertou para “as mensalidades dos lares a subirem entre 200 e 250 euros num ano. Esta é uma conta que não bate certo com os rendimentos das pessoas. É uma conta que milhares de famílias portuguesas tentam fazer todos os meses, com angústia”.

O problema, porém, não está apenas no valor pago por mês. Está também na falta de respostas.

Em Braga, Seguro afirmou que Portugal enfrenta a crescente “falta de lares e o aumento do número de idosos”.

Depois, acrescentou que, “além da pressão sobre os preços, estão também a aumentar as listas de espera”.

Ou seja, quem consegue pagar nem sempre encontra vaga. Quem encontra vaga nem sempre consegue pagar. A matemática social raramente é simpática.

“Bomba-relógio” no envelhecimento

António José Seguro recuperou ainda as expressões usadas para descrever a pressão demográfica que Portugal enfrenta.

O Presidente da República afirmou: “Manuel Lemos [presidente da União das Misericórdias] chama-lhe tsunami social, eu tenho utilizado a imagem da bomba-relógio, mas ambos chamamos a atenção para os efeitos dramáticos das alterações demográficas e para o aumento da pressão do envelhecimento sobre os setores da saúde e da segurança social, duas áreas em que já vivemos situações críticas”.

A imagem é dura, mas explica o essencial. O envelhecimento do país deixou de ser uma previsão distante. Já está a pressionar lares, hospitais, famílias e instituições.

Listas de espera ultrapassam seis meses

No congresso, Seguro apresentou dados sobre a ocupação das unidades.

Segundo o Presidente da República, “70% das unidades estão totalmente ocupadas e com listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses”.

Estes números ajudam a perceber a dimensão do bloqueio. Há lares cheios, famílias à espera e idosos sem resposta imediata.

A questão deixa de ser apenas social. Passa a ser também política, económica e humana.

O papel dos imigrantes no cuidado aos idosos

Seguro sublinhou ainda que Portugal é um dos países mais envelhecidos da Europa.

O Presidente da República destacou: “Somos dos países mais velhos da Europa e a situação vai agravar-se nas próximas décadas”.

Neste contexto, fez questão de referir o contributo dos imigrantes no setor dos cuidados.

Seguro afirmou que “é bom que muita gente repare que, em muitas localidades, quem trata dos nossos idosos são imigrantes”.

Depois, deu como exemplo o Alentejo, onde “as misericórdias têm seis a sete nacionalidades”.

A frase tem peso num debate público frequentemente crispado. Enquanto muitos discutem a imigração em abstrato, há quem esteja todos os dias a cuidar de idosos concretos.

Luxemburgo no 10 de Junho

Além da intervenção em Braga, António José Seguro inicia hoje uma visita oficial ao Luxemburgo, no âmbito das comemorações do 10 de Junho.

A agenda inclui encontros institucionais e contactos com a comunidade portuguesa.

Luís Montenegro, que participa hoje na Cimeira UE-Balcãs, junta-se amanhã ao Presidente da República no Luxemburgo.

No domingo, ambos visitam uma escola, onde vão encontrar-se com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss.

Entre Braga e Luxemburgo, a mensagem política fica clara: Portugal envelhece, as famílias sentem a pressão e o país precisa de respostas antes de a “bomba-relógio” deixar de ser metáfora.

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