Apagão em Portugal: Causa, efeito e pedido de indemnização em caso de lhe ter avariado algum electrodoméstico.
Ontem, 28 de Abril, pelas 11:33, Portugal ficou ‘às escuras’ em plena luz do dia.
Tratou-se de um apagão de que não há memória.
Nesse sentido, recordar que este foi bem pior do que o registado a 9 de maio de 2000, quando uma cegonha embateu numa linha de alta tensão em Lavos e deixou o País a sul da Figueira da Foz sem luz.
O pânico geral, a falta de serviços e a impossibilidade de contactar no apagão em Portugal
Ontem foi desde o ponto mais a norte, até ao sul. Portugal ficou sem luz. Por completo.
Tudo devido a “oscilação de tensões” na rede espanhola, que fornece eletricidade a Portugal.
O suficiente para gerar o caos.
Pararam os comboios, pararam os metros de Lisboa e Porto, pararam as aulas, parou o trânsito, que ficou um pandemónio, com os semáforos desligados.
E parou também o cérebro das pessoas, sempre agarradas à internet e ontem sem qualquer informação ou acesso. Sobrava apenas o rádio. Como antigamente.
As unidades de saúde reduziram a atividade ao mínimo, suspendendo consultas e adiando as cirurgias não urgentes.
Por outro lado, as pouquíssimas bombas de gasolina abertas transformaram-se em pequenos oásis no deserto.
Ou seja, ter uma a funcionar era quase um milagre.
Centenas de voos foram cancelados no Aeroporto da Portela, em Lisboa, e vários desviados para outros aeroportos, afetando milhares de passageiros.
Aqui, avisar, que se trata de uma situação que vai levar dias a normalizar.
O mesmo se passa com os tribunais, que só se mantiveram abertos para atos urgentes, obrigando ao cancelamento de muitas diligências.
As agências bancárias estiveram de portas fechadas, provocando longas filas junto às caixas multibanco, assim como os supermercados, com muitos clientes sem saber o que fazer aos carrinhos cheios de compras. As farmácias ficaram impedidas de servir receitas eletrónicas.
Porém, como referido atrás, bastantes problemas nas telecomunicações, com os utentes preocupados a tentarem contactar com as suas famílias e ‘ouvirem’ apenas o som do silêncio.
Também os restaurantes sofreram o drama de não puderam servir refeições e agora fazem-se contas aos prejuízos, sobretudo aos alimentos que estavam guardados nas arcas congeladores.
Apagão em Portugal: Luís Montenegro apelou à calma
E a dada altura até informações da EPAL a admitir falhas no fornecimento.
Já não bastava não haver luz como havia o risco de faltar a água.
Contudo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, apelou à calma e anunciou que ia tentar perceber o que se passava junto da REN – Redes Energéticas Nacionais.
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Por outras palavras, o problema não era só em Portugal, a Espanha estava a viver a mesma situação e parte de França idem aspas.
Pelas 17h30, os primeiros sinais de esperança, com a chegada da eletricidade a alguns pontos do País.
Contudo, houve pontos do pais que demoraram a ter energia. Alguns, só mesmo perto da meia-noite.
Todas as unidades de saúde tiveram esta segunda-feira constrangimentos no funcionamento, sendo um dos setores mais afetados. Muitas consultas e cirurgias foram canceladas para haver meios.
Ucrânia disponibiliza ajuda
Segundo o Correio da Manhã, as centrais 112 receberam esta segunda-feira centenas de chamadas de pessoas que queriam saber a causa do apagão e quando estaria resolvido.
O regresso da eletricidade ocorreu primeiro na zona de Abrantes e Tomar, cerca das 17h30, devido à recuperação da “produção de eletricidade nas central hídrica de Castelo de Bode”.
Também a central termoelétrica da Tapada do Outeiro (Gondomar) também voltou a operar à mesma hora.
“No que depender da REN, o País vai acordar amanhã [hoje] com eletricidade, mas infelizmente não é só a REN que conta, há todo um sistema. Estamos a interagir da forma mais cuidadosa possível para não haver passos em falso. Se o fizermos deitamos fora o que já foi feito”, disse João Conceição, da REN, cita o Correio da Manhã.
“A Ucrânia está pronta para ajudar a restaurar as redes energéticas em Portugal e Espanha. Temos o conhecimento adquirido nos ataques russos à nossa infraestrutura”, disse esta segunda-feira o ministro da Energia, German Galuschenko.
A importância dos geradores
Portanto, como o caro leitor já deve ter percebido, o que ontem ocorreu mostrou a dependência da energia elétrica para a vida no século XXI.
Porém, também obrigou a encontrar soluções para manter tudo, o que fosse possível logicamente, a funcionar.
Hospitais, forças de segurança e de socorro, prisões, aeroportos e muitos outros serviços do Estado mantiveram-se a funcionar, mesmo que com limitações, graças a geradores elétricos alimentados a combustível.
Ou seja, a mesma invenção com quase 200 anos foi usada para garantir o abastecimento de água em muitos municípios.
Ontem, as cinco centrais nucleares espanholas deixaram de produzir eletricidade. Para manter os sistemas internos de cada central operacionais, foi necessário recorrer a gasóleo.
Por fim, se a falha elétrica danificou alguns dos seus equipamentos, pode pedir uma indemnização.





