Cândido Pereira revela que trabalhou dois anos na CMTV sem receber: «Tive de pedir dinheiro emprestado à minha irmã»

Cândido Pereira revela que trabalhou dois anos na CMTV sem receber: «Tive de pedir dinheiro emprestado à minha irmã», disse.

Cândido Pereira passou dois anos a aparecer regularmente na CMTV sem receber qualquer vencimento pelo trabalho televisivo. Para conseguir manter-se em Lisboa, chegou a pedir dinheiro emprestado à irmã e conciliou os programas com jornadas de oito horas em lojas. A revelação foi feita esta quinta-feira, 13 de agosto, no Bom Dia Alegria, do V+, numa conversa com Zé Lopes sobre o caminho que o levou até à televisão.

Natural de Olhão, o comentador mudou-se para Lisboa em 2021 com a namorada, Filipa, numa altura em que ainda procurava estabilidade profissional. O contacto com o meio televisivo começou a ganhar forma durante a pandemia, através dos diretos que fazia nas redes sociais e nos quais acabou por conhecer Maya.

Foi precisamente essa ligação que abriu a porta à CMTV.

«Sem trabalho, sem dinheiro, sem nada»

Cândido Pereira recordou que a oportunidade surgiu numa das fases mais difíceis desde que tinha chegado à capital. Estava à procura de emprego e enviava currículos para diferentes áreas quando decidiu tentar também aquilo que realmente queria fazer.

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«Há uma altura, na fase mais difícil da minha vida em Lisboa, sem trabalho, sem dinheiro, sem nada, estava a mandar currículos para shoppings, para supermercados, mais do mesmo. E pensei assim: se estou a mandar currículos para coisas que eu não gosto tanto, também posso mandar currículos para uma coisa que eu gosto. Falei com a Maya e disse: “Para onde é que posso enviar o meu currículo, pelo menos para tentar, já que estou a enviar para coisas que não gosto”. Enviei, depois tinha três programas garantidos, estive lá dois anos, o que significa alguma coisa, pelo menos para mim significa e significou muito.»

A colaboração prolongou-se por dois anos, mas sem qualquer remuneração, uma realidade que levou Zé Lopes a questioná-lo diretamente sobre como conseguiu manter aquele ritmo.

«Tu na CMTV, e eu só vou tocar nisto porque já tornaste público, durante todo o percurso que estiveste ao serviço daquele canal, tu não recebeste qualquer vencimento. Como é que se trabalha dois anos sem ganhar um cêntimo?», perguntou o apresentador.

«Muitas vezes tive que pedir dinheiro emprestado à minha irmã»

Cândido não tentou suavizar as dificuldades daquele período. Para continuar em Lisboa e manter a oportunidade na televisão, precisou de recorrer à família.

«Para já é preciso seres apaixonado por aquilo que tu fazes, quereres muito aquilo e saberes que as coisas não caem do céu, que nem tudo são rosas e que, para chegares a um certo ponto, há dificuldades que tens que passar. Se me perguntares se foi fácil, não foi, porque muitas das vezes tive que pedir dinheiro emprestado à minha irmã para poder pagar, para poder sustentar a minha estadia aqui em Lisboa.»

Ao mesmo tempo que aparecia na CMTV, trabalhava no comércio para conseguir pagar as despesas. Passou por uma loja de chás no Centro Comercial Colombo e por uma loja de eletrodomésticos, acumulando horários que o mantinham fora de casa durante grande parte do dia.

«E não é fácil tu saíres às 7 da manhã para ires fazer um programa da manhã, depois sais dali e vais trabalhar oito horas para uma loja de eletrodomésticos, que eu também trabalhei cá em Lisboa, e pensares assim: “Eu não tenho necessidade disto, passando 12 horas fora de casa, era chato”. E tu perceberes: “Então, mas o meu valor não é um euro sequer”.»

Viu outros chegarem e começarem a receber

A permanência na CMTV não foi movida, garante, pela vontade de aparecer ou de ganhar notoriedade. Cândido Pereira considerava essencial manter-se ativo naquele meio e construir um percurso.

«Eu tinha que estar no mercado», explicou.

Mas houve alturas em que pensou em abandonar, sobretudo quando começou a assistir a uma realidade diferente da sua.

O comentador admitiu que a ideia de desistir ganhou força «ainda para mais quando pessoas que chegavam lá e, três meses depois, estavam a receber».

Mesmo assim, continuou. A experiência acabou por lhe dar visibilidade e permitiu-lhe permanecer durante dois anos num espaço televisivo que considerava importante para chegar a outras oportunidades.

Convite da TVI mudou percurso em 2025

A viragem aconteceu em 2025, quando surgiu um convite da TVI para integrar o comentário da primeira edição do Big Brother Verão.

A proposta não lhe deixou grandes dúvidas. Cândido descreve a TVI como o seu «canal de sonho» e reconheceu também que as condições apresentadas estavam muito longe da realidade que tinha vivido anteriormente.

Além de considerar que «não tinha nada melhor do outro lado», classificou a oportunidade como «monetariamente indiscutível».

O salto para Queluz de Baixo representou, assim, mais do que uma simples mudança de canal. Depois de dois anos em televisão sem vencimento, enquanto dependia de outros trabalhos para pagar as contas, Cândido Pereira passou finalmente a poder transformar em profissão aquilo que até então tinha feito sobretudo por insistência e pela vontade de conquistar um lugar no meio.

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