Carlos Moura homenageou Joaquim Letria nas redes sociais, recordando o período em que trabalharam juntos e a exigência com que o comunicador olhava para a informação. Na mensagem de despedida, destacou a curiosidade, o pensamento crítico e a independência em relação às métricas de audiência.
Para Carlos Moura, que também desempenha funções como voz suplente nos reality shows da TVI, a experiência teve um significado particular: trabalhar com alguém que conhecia dos noticiários da infância e descobrir, de perto, a pessoa por detrás dessa presença televisiva.
Uma memória de trabalho e aprendizagem
Na publicação, Carlos Moura situou esse encontro profissional há cerca de uma década e descreveu Joaquim Letria como um homem atento, provocador e disponível para ensinar através da conversa.
“Perdemos o Letria. Há cerca de dez anos, tive oportunidade de trabalhar e privar com ele, naquela que terá sido (creio) a sua última rubrica regular num programa de televisão. É estranho, quando consegues trabalhar com aquele senhor das notícias que marcou a tua infância e que, de repente, está ali, ao teu lado, a falar sobre os acontecimentos no mundo. O Joaquim Letria não queria saber de cliques, ‘page hits’ ou de audiências. O Letria queria saber quem, quando, onde, como e porquê. O Letria era uma espécie cada vez mais rara: um jornalista a sério. E era por isso um dos maiores comunicadores, porque sabia pensar. Lembro-me dele divertido, atento, esperto, provocador. Deixa livros e o seu DNA em jornais, revistas e órgãos de comunicação. Era um cavalheiro, um observador e, para quem estivesse atento, um professor. Até sempre, Joaquim.”
Um percurso entre a televisão e a imprensa
Joaquim Letria, cuja morte foi anunciada nesta sexta-feira, 16 de outubro, aos 82 anos, esteve ligado a diferentes fases da comunicação social portuguesa.
Na televisão, criou e conduziu projetos como “Directíssimo” e “Tal & Qual”, aproximando informação e entretenimento. Em 1979, estreou a rubrica “Apanhados”, com recurso a câmaras ocultas.
Depois da saída da direção da RTP2 e do fim do programa televisivo, levou o nome “Tal & Qual” para a imprensa. O semanário foi fundado a 28 de junho de 1980, com Rocha Vieira, Ernâni Santos e Ramon Font, e chegou a atingir tiragens de 200 mil exemplares. Em 1988, concebeu e dirigiu a revista Sábado.
Foi ainda porta-voz e assessor de comunicação de Ramalho Eanes durante o segundo mandato presidencial, presidiu ao Sindicato dos Jornalistas e recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo em 1986.
Na homenagem de Carlos Moura, esse percurso cruza-se com uma recordação mais pessoal: a de um profissional que continuava a procurar respostas e a questionar os acontecimentos, mesmo depois de décadas de carreira.
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