Cristiano Ronaldo deixa a Seleção: “A camisola 7 fica, o orgulho de a ter vestido será meu para sempre”

Cristiano Ronaldo deixa a Seleção após 23 anos, 234 jogos e 146 golos, encerrando o percurso com uma mensagem dirigida aos portugueses. O capitão anunciou a decisão nas redes sociais, na manhã desta quinta-feira, 5 de novembro, antes da divulgação da convocatória de Jorge Jesus.

Num vídeo de cerca de cinco minutos, acompanhado por “O Amor a Portugal”, de Dulce Pontes, o avançado recordou o caminho iniciado em agosto de 2003. A despedida surge depois da conquista de três títulos pela equipa nacional: o Europeu de 2016 e duas Ligas das Nações.

“Hoje termina a minha caminhada dentro de campo com a seleção nacional. Saio de cabeça levantada, com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal”, afirmou.

“Nenhum capitão caminha sozinho”

Na mensagem, Ronaldo agradeceu aos companheiros, treinadores e profissionais que o acompanharam, reservando também palavras para a família e para os portugueses espalhados pelo mundo.

“Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história”, declarou.

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O jogador reconheceu as derrotas e os momentos em que não correspondeu às expectativas, mas sublinhou o orgulho de representar o país. Sobre o futuro, deixou uma mensagem de confiança nas próximas gerações, às quais entrega agora o lugar.

“Portugal precisará sempre de jovens que sonham, de jogadores que nunca desistem, de novas gerações que acreditam que é possível chegar onde ninguém chegou.”

A mensagem de despedida de Cristiano Ronaldo na íntegra

“Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisola 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha. Mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar comigo para estádios no mundo inteiro.

Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça. Tomam-se também com o coração.

Termino uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que durante 90 minutos sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida. Porque no fim de tudo, o futebol é muito maior do que um jogo. O futebol são as pessoas.

Durante toda a minha carreira na seleção, procurei superar os meus limites. Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por esta camisola.

Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custa recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam. Mas nunca desisti. E acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.

Ao longo destes anos aprendi coisas muito simples. Os golos passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos. Mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez vos fiz feliz, se alguma vez um golo meu vos fez abraçar alguém, esquecer um momento difícil ou ter orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso. Sofremos juntos, levantamo-nos juntos, acreditamos outra vez.

Portugal precisará sempre de jovens que sonham, de jogadores que nunca desistem, de novas gerações que acreditam que é possível chegar onde ninguém chegou. Porque um país que continua a criar novos heróis é um país que nunca deixa de acreditar em si próprio.

Aos meus companheiros de seleção, quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebrámos juntos e por cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.

A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas sem vocês nenhuma dessas fotografias teria sido possível.

À minha família, obrigado por terem dividido comigo este sonho. Obrigado por compreenderem as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a seleção teve de ocupar um espaço que também vos pertencia. Se cheguei tão longe, foi porque estivemos sempre de mão dada.

E aos portugueses, a todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer-vos uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo: o momento em que começa o hino nacional. Olho à minha volta, vejo os meus companheiros, vejo as bancadas, vejo crianças, mães, pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E durante aqueles minutos deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.

Esse sentimento levarei comigo para o resto da vida. Hoje termina a minha caminhada dentro de campo com a seleção nacional. Saio de cabeça levantada, com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com o coração.

Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo.

Obrigado por estes 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me terem permitido viver um sonho que começou quando era apenas um menino, na Madeira, a correr atrás de uma bola.

A camisola 7 fica, o orgulho de a ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.

Até sempre. Cristiano Ronaldo.”

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