Cristiano Ronaldo e os treinadores: os episódios que antecederam a saída do estágio, ao longo da sua carreira.
A saída de Cristiano Ronaldo da concentração de Portugal voltou a colocar em discussão a gestão do seu papel nas equipas que representa. O episódio com Jorge Jesus junta-se a outros momentos de tensão com treinadores, embora as circunstâncias e os desfechos tenham sido diferentes.
Ronaldo deixou o estágio em Copenhaga na quarta-feira, 30 de setembro, depois da conferência de imprensa do selecionador e de uma conversa com Pedro Proença. Dias antes, tinha aquecido durante o encontro com a Noruega, mas acabou por não ser utilizado.
Jorge Jesus explicou que ponderou a entrada do avançado e alterou a decisão em função do jogo. Ronaldo, na mensagem em que anunciou a saída, reservou para mais tarde uma explicação detalhada dos motivos.
O afastamento da concentração não foi acompanhado de um anúncio de retirada da Seleção Nacional.
A substituição na Juventus em 2019
Em novembro de 2019, uma substituição no Juventus–Milan deixou visível o desagrado de Cristiano Ronaldo. Maurizio Sarri retirou o português de campo e o jogador saiu do estádio antes do final da partida.
O treinador justificou posteriormente as decisões de gestão do avançado com questões físicas. O episódio tornou pública a tensão entre a vontade do jogador de permanecer em campo e a avaliação feita pela equipa técnica.
Foi um dos casos em que uma substituição de Ronaldo ultrapassou a análise desportiva da partida e passou a dominar o debate sobre a relação com o treinador.
A recusa de entrar frente ao Tottenham
Na segunda passagem pelo Manchester United, o conflito com Erik ten Hag teve consequências mais profundas.
Em outubro de 2022, Ronaldo recusou entrar no encontro com o Tottenham e abandonou Old Trafford antes do apito final. O treinador afastou-o do jogo seguinte.
A relação voltou a estar no centro das atenções semanas depois, com a entrevista do jogador a Piers Morgan. Ronaldo criticou Ten Hag e vários aspetos do funcionamento do clube, tornando públicas divergências que já condicionavam a sua presença na equipa.
Em novembro, Manchester United e Cristiano Ronaldo anunciaram o fim do vínculo por mútuo acordo.
Fernando Santos deixou-o no banco no Qatar
Ainda em 2022, no Mundial do Qatar, Fernando Santos colocou Ronaldo no banco no encontro dos oitavos de final com a Suíça.
Gonçalo Ramos foi escolhido para o onze inicial e marcou três golos na vitória portuguesa. A decisão representou uma alteração relevante numa Seleção em que Ronaldo tinha ocupado durante anos um lugar praticamente permanente entre os titulares.
A gestão do capitão tornou-se um dos principais temas da participação portuguesa no torneio. Ao contrário do que aconteceu em Manchester, tratava-se de uma competição curta, em que cada escolha tinha consequências imediatas para a continuidade da equipa.
O protesto na Sérvia teve uma origem diferente
Nem todos os episódios de desagrado de Ronaldo estiveram ligados à sua utilização pelos treinadores. Em março de 2021, no encontro de qualificação para o Mundial entre Sérvia e Portugal, o capitão protestou depois de não ter sido validado um lance que considerava golo.
Ronaldo atirou a braçadeira para o relvado e saiu do campo. Nesse caso, a reação foi dirigida à decisão da equipa de arbitragem.
A braçadeira acabou por ganhar outro significado: foi leiloada para ajudar um bebé sérvio que precisava de cuidados médicos.
Uma nova situação ainda por esclarecer
O episódio com Jorge Jesus recupera o debate sobre estatuto, comunicação e decisões técnicas numa fase diferente da carreira de Cristiano Ronaldo.
O selecionador tem defendido que os jogadores podem ter estatutos distintos, mantendo regras iguais para todos. O capitão, por seu lado, ainda não apresentou a versão completa dos acontecimentos que prometeu tornar pública.
O historial permite identificar anteriores situações de conflito ou frustração, mas não esclarece, por si só, o que se passou em Copenhaga. Essa explicação continua dependente do relato dos intervenientes.
