Desaparecimento da irmã de Cláudio Ramos preocupa especialista: “Já passaram sete dias… começa a ser uma situação de muita dúvida”, disse.
Antigo inspetor da PJ analisa desaparecimento da irmã de Cláudio Ramos
O desaparecimento da irmã do apresentador Cláudio Ramos continua a gerar grande preocupação. Esta semana, o antigo inspetor da Polícia Judiciária Manuel Rodrigues analisou o caso na CMTV, deixando uma avaliação técnica e séria da investigação.
Logo no início da sua intervenção, o ex-investigador sublinhou a urgência da atuação policial:
“Eu acho que, para as autoridades, todos os indícios são importantes. É fundamental, nestes casos, perceber as razões que estão subjacentes a que isto tenha ocorrido.”
“Impõe-se fazer um levantamento o mais rápido e profundo possível”
Manuel Rodrigues explicou que, num desaparecimento, é essencial investigar todos os fatores pessoais e emocionais da vítima.
“Impõe-se fazer um levantamento o mais rápido e o mais profundo possível, abordando tudo o que possa ter contribuído para esta situação. E isso engloba perceber se esta senhora estava a passar dificuldades, seja de que quer que for, se tinha alguma depressão, problemas económicos, familiares, de saúde mental ou isolamento. Tudo conta.”
O antigo inspetor recordou ainda que a mulher desaparecida, descrita como “muito reservada”, era viúva há três anos, um dado que, na sua opinião, “não pode ser ignorado”.
“Nós não sabemos a intensidade da ligação que ela tinha ao marido. Pode não ter conseguido ultrapassar a morte e ter ficado afetada a partir daí. Há imensas causas que podem explicar o desaparecimento de uma pessoa adulta.”, acrescentou.
“Já passaram sete dias e não há sinal dela”
Com um tom de preocupação crescente, Manuel Rodrigues destacou a gravidade do tempo decorrido sem qualquer rasto da mulher.
“Já passaram sete dias, foi no domingo passado. E não há sinal dela em lado nenhum. Ninguém a avistou, pelo que parece. Começa a ser uma situação de muita dúvida e, obviamente, a família começa a temer o pior, que possa ter sido vítima de um crime.”
Segundo o antigo inspetor, casos de desaparecimento são “sempre difíceis de investigar”, uma vez que nem sempre é claro se se trata de uma situação voluntária, acidental ou criminosa.
“Não há um local de crime, não há um ponto de partida claro. E isso cria uma dificuldade imensa.”, explicou.
“Se houver indícios de risco, deve ser investigado com todos os recursos”
Manuel Rodrigues defende que as autoridades devem manter contacto direto com a família, pois “é através dessa informação que se pode equacionar se estamos perante uma situação de crime ou não.”
O especialista foi claro quanto às diferenças de atuação:
“Se houver indícios de que corre risco, seja de que tipo for, até de saúde, deve ser investigado com todos os recursos disponíveis. Agora, se não há sinais de crime e se é uma mulher adulta, a investigação é muito mais limitada, porque a lei protege o direito de uma pessoa desaparecer por vontade própria.”
Contudo, o ex-inspetor não acredita que se trate de um desaparecimento voluntário.
“Parece-me muito estranho. Ela tinha uma ligação à família, aos irmãos. E depois da notícia se ter tornado pública, se fosse uma ausência voluntária, provavelmente já teria contactado alguém. Diria algo como ‘calma, estou bem, só precisei de uns dias’. O facto de isso não acontecer começa a não fazer sentido.”
“Deveria já ter sido aberto um inquérito”
Para Manuel Rodrigues, o caso deve ser agora tratado com a mesma seriedade de uma investigação criminal.
“Acho que já deveria ter sido aberto um inquérito e investigar-se isto como se de um crime se tratasse.”, afirmou de forma convicta.
O especialista explicou que um inquérito permitiria recorrer a técnicas avançadas de investigação, incluindo rastreios de telemóveis, localização celular, análise de contas bancárias e movimentos de cartões.
“Tudo isso é possível quando há um processo-crime, mas muito mais difícil num simples desaparecimento voluntário.”, reforçou.
“A lei é clara, mas o tempo começa a preocupar”
Manuel Rodrigues lembrou, por fim, que a lei protege o direito de um adulto desaparecer sem informar ninguém, mas alertou que a ausência prolongada é motivo de alarme.
“Por muito que nos custe, a lei é essa. Ela tem o direito de desaparecer e de não dizer a ninguém onde está. Mas enquanto isso não se comprovar, enquanto ela não for encontrada, cada vez se adensa mais a possibilidade de termos aqui uma situação acidental grave, ou mesmo um crime.”
O ex-inspetor encerrou com uma nota de esperança e de urgência:
“Se for encontrada bem e não quiser ser localizada, tem esse direito. Pode dizer ‘estou bem, não quero que saibam onde estou’, e acabou. Continuamos todos contentes. Mas até lá, o papel das autoridades é investigar, e depressa.”
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