Filipa Torrinha acusa Cláudio Ramos de falta de empatia com Ana Rita Barros; Liliana Campos defende intenção do apresentador da TVI.
A entrevista de Ana Rita Barros no «Dois às 10» continua a provocar reações. Desta vez, o assunto foi analisado no «Passadeira Vermelha», da SIC Caras, com posições diferentes sobre a atitude de Cláudio Ramos.
Filipa Torrinha criticou duramente a condução da conversa e considerou que a jovem foi colocada numa situação injusta. Por sua vez, Liliana Campos reconheceu falhas na abordagem, mas afastou qualquer intenção de ofender a convidada.
Liliana Campos recupera polémica do «Dois às 10»
Ana Rita Barros, criadora da rubrica «Conversas com a Gorda» no TikTok, esteve no programa matinal da TVI para falar sobre obesidade, saúde e aceitação corporal.
Durante a emissão desta sexta-feira, 24 de julho, Liliana Campos começou por recordar o comentário de Cláudio Ramos que esteve na origem da polémica.
“Nesta conversa em que se debatia como era lidar com o excesso de peso e a obesidade, o Cláudio Ramos acabou por proferir aqui um comentário visto como menos feliz. Vamos lá recuperar este excerto que foi partilhado pela Ana Rita. Nas redes sociais as opiniões multiplicaram-se”, enquadrou.
Depois da exibição das imagens, Filipa Torrinha começou por lamentar que o apresentador ainda não tivesse esclarecido publicamente a sua posição.
Filipa Torrinha lamenta silêncio de Cláudio Ramos
A psicóloga sublinhou que não conhece pessoalmente o rosto da TVI e, por isso, não quis falar em seu nome. Contudo, considerou importante que Cláudio Ramos explicasse o seu pensamento depois das críticas recebidas.
“Eu não conheço o Cláudio, ou seja, portanto não vou falar por ele, ainda que lamente que ele não tenha falado por ele em relação a isto, porque acho que mesmo para discordar ele podia manifestar aqui um pensamento sobre esta questão pós-polémica, que não o fez ainda, espero que ainda o faça”, afirmou.
Na sua análise, a postura demonstrada ao longo da entrevista foi grave e refletiu uma visão pessoal do apresentador sobre a obesidade e a felicidade.
“O que aconteceu aqui parece-me grave e sério e eu estou completamente contra a postura que ele teve em todo o programa. (…) A frase mais falada, e que também acho que está na base da linha de pensamento do Cláudio (…) é esta questão de que ‘eu não posso normalizar aqui em televisão que alguém com 120 kg esteja bem, esteja feliz’. (…) As ações refletem sim um certo conceito que ele tem em relação a esta questão”, apontou.
Psicóloga defende normalização do respeito
Filipa Torrinha explicou que normalizar a obesidade não significa ignorar os riscos associados à doença. Para a comentadora, o objetivo deve passar pelo acolhimento, pelo respeito e pelo fim do estigma.
“Nós podemos e devemos normalizar a obesidade, porque normalizar a obesidade é como normalizar a bipolaridade, é como normalizar as adições, é como normalizar o cancro, simplesmente nós respeitarmos as pessoas que têm uma doença, trazermos estes casos e conseguirmos acolhê-los e também acabar com o tabu (…). Lutar contra uma doença (…) não me parece que seja feito a encurralarmos uma miúda de 23 anos numa entrevista. O que se passou aqui foi uma miúda que foi encurralada numa cilada”, acusou.
A psicóloga concentrou depois as críticas no tom, na linguagem corporal e na ausência de sensibilidade que identificou durante a conversa.
«Não há um pinguinho de doçura»
Para Filipa Torrinha, Cláudio Ramos poderia ter abordado as mesmas preocupações de uma forma menos dura, mesmo mantendo uma posição da qual a comentadora discorda.
“O Cláudio Ramos podia ter dito o que disse de várias maneiras. Era errado? Mas era menos mau. Não há um, isto é o que mais me custou, um pinguinho, um milímetro de doçura na postura que ele teve em relação a esta miúda. Não há doçura. Não há doçura, não há empatia, é a forma de estar, é a linguagem corporal, é o tom. E eu não consigo entender o porquê”, rematou.
Liliana Campos apresentou uma leitura diferente. A anfitriã reconheceu que a forma utilizada pelo amigo não foi a mais adequada, mas defendeu que a intenção estaria relacionada com a saúde de Ana Rita Barros.
Liliana Campos afasta intenção de ofender
A apresentadora começou por assumir publicamente a amizade que mantém com Cláudio Ramos. A partir desse conhecimento pessoal, afastou a possibilidade de o comunicador querer humilhar alguém devido ao peso.
“É público que eu sou amiga do Cláudio Ramos e, conhecendo, aquilo que eu posso dizer é que eu conheço o Cláudio. Foi a forma como o disse que não caiu bem, mas o Cláudio não ia ofender ninguém por ser gordo. O que o Cláudio se preocupou foi com a saúde da Ana Rita”, frisou.
Ainda assim, Liliana Campos reconheceu que o apresentador não poderia determinar se a convidada era ou não feliz.
“Provavelmente não o fez da melhor maneira, mas o Cláudio era incapaz de se virar para uma pessoa e querer ofendê-la pelo facto de ela ser gorda. Se calhar queria chamá-la à atenção. ‘Estás-me a dizer que és feliz, mas serias mais se tivesses menos peso.’ Ele não sabe se a Ana Rita é feliz ou não, nós não somos ninguém para dizer isso. Para mim, a preocupação foi com a saúde dela”, justificou.
Apresentadora reconhece necessidade de maior cuidado
Na conclusão da sua intervenção, Liliana Campos voltou a admitir que a abordagem não foi feliz. A comunicadora atribuiu parte do problema à impulsividade de Cláudio Ramos durante as conversas em direto.
“Não o fez da melhor maneira, mas é o Cláudio, infelizmente. É o Cláudio a ser Cláudio. Eu sei que isto quer dizer muito pouco. Temos que ter empatia e cuidado com quem está à nossa frente. (…) É a forma como ele fala que se atropela”, concluiu.
O debate no «Passadeira Vermelha» deixou, assim, duas leituras distintas. Filipa Torrinha considerou que Ana Rita Barros foi encurralada, enquanto Liliana Campos defendeu que Cláudio Ramos procurou abordar a saúde, embora de uma forma inadequada.
