Flamenco e Fado cruzaram-se em homenagem a Porrina de Badajoz e Amália Rodrigues no Casino Estoril

Flamenco e Fado cruzaram-se em homenagem a Porrina de Badajoz e Amália Rodrigues no Casino Estoril, esta sexta-feira.

Texto: Rui Lavrador / Fotografias: Diogo Nora

O Salão Preto e Prata do Casino Estoril foi, na noite de 30 de maio, o palco da Grande Gala do Flamenco, evento concebido para assinalar o centenário do nascimento de Porrina de Badajoz, figura incontornável do flamenco. A celebração, contudo, não se esgotou na evocação do cantor espanhol. Incluiu também uma homenagem à Rainha do Fado, Amália Rodrigues, cuja relação pessoal e artística com Porrina sublinhou, ao longo da noite, os elos históricos e estéticos entre os dois géneros musicais.

Natural de Badajoz e pertencente a uma família cigana, José Salazar Molina, conhecido artisticamente como Porrina de Badajoz, destacou-se pela intensidade interpretativa e pela autenticidade com que abordou formas tradicionais como os fandangos, seguiriyas e soleás. A sua colaboração com Amália Rodrigues ultrapassou o campo da amizade, promovendo pontes culturais entre Espanha e Portugal, entre o flamenco e o fado.

Fado

Além de treze intérpretes flamencos — entre bailaores, cantaores e guitarristas — a gala integrou um momento exclusivamente dedicado ao fado, protagonizado por Fábia Rebordão e Jorge Fernando, dois nomes com profundo vínculo amaliano. Em palco, interpretaram duas peças icónicas do repertório da fadista: “Estranha Forma de Vida” e “Cuidei que Tinha Morrido”. A actuação, despojada mas intensa, representou uma pausa no frenesim do flamenco, permitindo ao público mergulhar numa outra forma de expressão, igualmente emotiva e enraizada. Assim, a voz de Fábia promoveu dos melhores concertos da noite, em conjunto com a maestria de Jorge Fernando na viola.

Flamenco

No plano do flamenco, o espectáculo contou com as coreografias de Jesús Ortega, que também assinou a direcção artística. Ao seu lado, dançaram Carmen “La Parreña” e Zaira Santos. No cante, participaram Célia Romero, Francisco Escudero “El Perrete”, José Gómez “Fefo”, Maite Olivares, Manuel Pajares e Paulo Molina. A vertente instrumental foi assegurada pelos guitarristas José Ángel Castilla, Juan Manuel Moreno e Manolín Garcia, contando ainda com a intervenção da flautista Ostalinda Suárez.

Nesse sentido, o texto e o guião, da autoria de Paco Zambrano, situaram historicamente a figura de Porrina e clarificaram os contornos da sua ligação artística com Amália Rodrigues, propondo uma leitura sobre a influência mútua entre dois universos musicais com raízes distintas, mas sensibilidades comuns.

Assim, a noite desenrolou-se sem excessos cénicos. A aposta foi clara: dar primazia à música, ao canto e à expressividade corporal.

Ou seja, resgatar a essência de uma tradição que vive da entrega dos intérpretes.

Por fim, perante uma sala com bastante público, Flamenco e Fado cruzaram-se em homenagem a Porrina de Badajoz e Amália Rodrigues no Casino Estoril.

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