Inês Balinha Carlos: psicóloga do “Dois às 10” defende humor na terapia e alerta para banalização da saúde mental

Inês Balinha Carlos: psicóloga do “Dois às 10” defende humor na terapia e alerta para banalização da saúde mental, em entrevista à Nova Gente.

Há mais de duas décadas em consultório e há pouco mais de um ano em televisão, Inês Balinha Carlos tornou-se um dos rostos da psicologia em horário diurno. Em entrevista à Nova Gente, a profissional fala sobre o seu percurso, a presença mediática e a importância de uma abordagem acessível à saúde mental.

“O meu gabinete é conhecido por ser o mais divertido”

Desde cedo ligada à psicologia clínica, com especial foco na infância e adolescência, Inês Balinha Carlos explica que a leveza faz parte do seu método de trabalho.

“Como psicóloga, o meu gabinete é conhecido por ser o mais divertido. Gosto muito que a ida ao psicólogo seja uma coisa leve. Faço um trabalho sério, planeado, mas depois tento intercalar entre dor e sorriso e leveza, porque muito da vida passa exatamente por isso, por conseguirmos suportar a dor através do humor.”

Além disso, assume que essa postura não se limita ao espaço clínico.

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“Sim. E é isso que incito os meus pacientes a fazer: arranjar sempre uma forma leve de fazer coisas muito sérias. Isto não é do senso comum. Uma pessoa quando pensa em ir a um psicólogo, não pensa que se vai rir. E o meu gabinete faz mesmo muito barulho.”

21 anos de consultas e uma identidade própria

Apesar da visibilidade televisiva recente, a psicóloga garante que o impacto da sua voz não começou no ecrã.

“Muito antes. Eu dou consultas há 21 anos. O amor da minha vida são as consultas. Eu sempre quis uma profissão que me permitisse sustentar-me. Não precisava de ganhar muito dinheiro, até porque nós sabemos que os psicólogos não ganham, mas que sentisse que fazia diferença na vida das pessoas.”

Ainda sobre o início do percurso, acrescenta:

“E, quando comecei a trabalhar e a criar a minha identidade profissional, percebi que as pessoas me ouviam. Em consulta, faço questão de sermos todos iguais, porque somos todos sobreviventes a tentar lutar contra a vida, a tentar assumir os nossos erros e sobreviver à tristeza e à dor que a vida tem. Por isso, rio tanto.”

Vocação desde a infância

Por outro lado, a escolha da profissão não surgiu por acaso. Inês Balinha Carlos recorda um momento marcante da infância.

“Por volta dos dez anos eu estava muito triste a olhar para as pessoas que eu mais amo, que eu achava que tinham tudo para ser felizes, mas não conseguiam.”

Desde então, criou um propósito.

“Já tinha a ideia de que ia descobrir técnicas especiais para um dia poder ajudar quem não conseguia ver o lado bom da vida, que eu sempre achei que é tão feliz.”

A psicóloga partilha ainda uma frase que marcou a sua família.

“O João não era feliz nem com um Maserati, a Inês é feliz com um berlinde”.

E conclui:

“Eu tento sempre tirar o melhor de todas as más situações, e um dos meus maiores orgulhos é que as pessoas que estão comigo fazem isso e os meus dois filhos também. Eu não imagino a minha vida sem dar consultas, nunca.”

Televisão como “um cesto” adicional

Entretanto, a entrada na televisão não alterou a sua essência profissional.

“Nada. Eu acredito que, para termos sucesso, temos de ter vários cestos, para o caso de um cair ao chão não ficarmos sem ovos.”

Nesse sentido, reconhece estabilidade no novo desafio.

“O que eu gosto é a estabilidade que isto me dá, porque sempre trabalhei por conta própria. Portanto, a televisão foi um cesto, pelo qual me sinto muito grata, que me permite ser mais estável e ter mais confiança e segurança.”

Ainda assim, reforça a identidade que não abdica.

“Agora, eu adoro aquela sensação de que sou sempre a Inês da clínica. Eu vou sempre ser a Inês da clínica.”

Do Instagram ao “Dois às 10”

Finalmente, sobre o percurso mediático, explica como tudo começou.

“Esse não foi o primeiro. O primeiro convite foi o meu padrinho da televisão, a quem agradeço tudo, que é jornalista Miguel Fernandes.”

A presença nas redes sociais abriu portas inesperadas.

“Foi quando eu decidi criar um perfil de Instagram para publicar as minhas histórias e aquilo pegou.”

Depois, surgiram novos convites.

“Para meu espanto, o Miguel Fernandes viu os meus textos e mandou-me uma mensagem a perguntar se eu tinha especialização em medicina legal e em psicologia criminal e eu disse que sim. Fui para o V+ Crime.”

Mais tarde, o percurso continuou.

“Depois veio o Em Cima da Hora com a Conceição Queiroz, que ainda hoje faço uma ou duas vezes por semana. E depois a Cristina Ferreira viu-me e disse ‘eu quero aquela miúda’.”

Por fim, revela um objetivo concretizado.

“E consegui o objetivo, que é o lançamento de um livro, que vai sair a 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental.”

Assim, entre o consultório e o pequeno ecrã, Inês Balinha Carlos defende uma psicologia sem tabus, próxima das pessoas e acessível a todos.

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