João Bizarro revela dispensa da TVI a cinco meses da reforma: “Declaro-me ferido”

João Bizarro revela dispensa da TVI a cinco meses da reforma: “Declaro-me ferido”, assinalou nas redes sociais.

O jornalista relatou nas redes sociais o fim de uma colaboração de 18 anos e meio e afirmou ter recusado uma proposta de avença. Outros três profissionais foram abrangidos pela mudança, segundo o seu testemunho.

João Bizarro tornou pública a sua saída da estrutura que assegurava o seu trabalho para a TVI, a pouco mais de cinco meses da reforma. Em duas publicações no Facebook, o jornalista descreveu as circunstâncias da dispensa, contestou o tratamento recebido e explicou por que motivo recusou uma proposta para continuar a fazer reportagens durante os meses que lhe faltavam.

“Obrigado (ó vai-te embora)! Estou oficialmente dispensado da minha tarefa de 18 anos e meio na TVI, a pouco mais de 5 meses da reforma. Substituído eu e o meu camarada António Crespo, diretamente para o desemprego; o Marco Andrade e o Jaime Colaço, igualmente para o desemprego, mas já com convite para integrar a equipa que nos vai substituir”, escreveu.

Segundo João Bizarro, a decisão foi-lhe apresentada como alheia à qualidade do trabalho desenvolvido.

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“Fazem questão de nos frisar que a nossa dispensa não tem a ver com a nossa competência, desempenho e lealdade. São negócios!”

O jornalista recordou também uma primeira passagem pela estação, com cinco anos e meio, anterior à colaboração agora terminada.

A relação com a produtora externa no centro da contestação

Numa segunda publicação, intitulada “Nota sobre o ‘Era não Era’”, João Bizarro desenvolveu as suas críticas e explicou que o vínculo contratual era com uma produtora externa.

“Descobri, à beira de arrumar as botas, que sou e não sou, faço e não faço, sou bom trabalhador e por isso sou dispensado.”

O jornalista contrapôs essa situação à forma como era identificado no exercício das suas funções.

“Muitas vezes fui apresentado como ‘jornalista/Repórter da TVI’, pela própria televisão a quem sempre fui leal e a quem dei o mais profundo do meu melhor.”

“Essa função e qualidade sempre foi reconhecida pelos meus pares da profissão, pela comunidade que servi, e pelos próprios quadros da empresa que agora me dispensou.”

Na sua versão, a distinção contratual passou a ser determinante no momento da saída: “A TVI afirma agora que não sirvo, que o meu contrato era com uma produtora externa, cujo único objeto era, de facto e em exclusividade, servir a TVI.”

Bizarro dirigiu ainda acusações à organização do trabalho através dessa empresa:

“Essa ‘empresa externa’ não foi mais de que uma mera correia de distribuição da TVI que se serviu dela até a matar, poupando nos quadros que teria que pagar, explorando os trabalhadores até aos limites da escravidão, sem preocupação pelos seus direitos ao descanso, à família, a um horário, enfim, a uma vida própria para além do trabalho.”

Jornalista diz que recusou proposta de avença

João Bizarro afirmou que, depois da dispensa, lhe foi apresentada uma possibilidade de continuar a colaborar até à reforma, mas sem condições suficientemente definidas.

“No final, a 5 meses da reforma, apercebendo-se de efeitos negativos não previstos, a empresa mandou oferecer-me um contrato de avença para que pudesse cumprir os 5 meses até à reforma fazendo as reportagens que entendesse propor, sem nunca conseguir especificar a remuneração e as obrigações.”

O jornalista relacionou essa proposta com a situação financeira da produtora e com os valores que considera ter a receber.

“Uma espécie de rebuçado por não receber da ‘empresa externa’ a indemnização por antiguidade nem os créditos laborais de lei. Porque essa ‘empresa externa’, sem o cheque mensal da TVI, apenas tem como único património os 4 trabalhadores. Não tem fundos para pagar.”

A proposta acabou por ser recusada, segundo explicou, por uma questão de dignidade profissional.

“Não aceitei essa compra do ‘silêncio’ por se tratar de uma proposta sem dignidade, sem respeito, e no mínimo sem o reconhecimento de trabalho sério, honesto, dedicado, exclusivo e leal. E declaro-me ferido, com direito.”

Uma despedida dirigida aos colegas e a quem encontrou em reportagem

Apesar da contestação, João Bizarro reservou uma parte da primeira publicação para agradecer a quem o acompanhou no terreno e ao longo do percurso profissional.

“A esses 18 anos e meio somam-se 5 anos e meio da primeira fase da TVI. Quase meio século que me fazem dizer a quem partilhei as trincheiras, apenas ‘obrigado!’. Foi uma grande honra.”

A despedida estendeu-se aos colegas que permanecem e às pessoas com quem se cruzou em reportagem.

“Aos que ficam, desejo sorte e, acima de tudo, saúde e dignidade. A todos com que me cruzei em reportagem; a todos os que no último mês nos fizeram sentir que temos muitos amigos; a todos, incluindo os que nem se aperceberam que fomos descartados, deixo um abraço, agradecendo o respeito, a partilha e também as ajudas e até as reações mais difíceis no terreno. Obrigado!”


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