Luís Osório defende Cristina Ferreira: “É verdade que há mulheres que se põem a jeito”

Luís Osório defende Cristina Ferreira: “É verdade que há mulheres que se põem a jeito”, referiu o jornalista sobre a polémica.

Cristina Ferreira tornou-se alvo de duras críticas nas redes sociais depois de um comentário feito em direto no programa “Dois às 10”, transmitido a 2 de junho na TVI. A apresentadora falava sobre o caso de Conceição Figueiredo, de 69 anos, que foi encontrada morta em Mortágua, cerca de duas semanas após ter desaparecido em Oliveira do Bairro.

Durante a rubrica de atualidade, Cristina refletia sobre a relação entre a vítima e o ex-companheiro, principal suspeito do crime. “Porque eu não sei se esta mulher, depois do baile, entrou num carro com ele e aí, se calhar, é que se pôs a jeito para que isto acontecesse. E, portanto, hoje em dia é mesmo não confiar em ninguém, nem na pessoa de quem mais gostamos. Lamento dizer isto, mas é verdade. E sabíamos que a São já não queria grandes coisas com este homem, mas supostamente acabou morta”, afirmou.

A frase “pôs-se a jeito” gerou uma onda de indignação e acusações de culpabilização da vítima. Perante a controvérsia, Cristina Ferreira utilizou o Instagram para se justificar. “A frase ‘pôs-se a jeito’ usada, no contexto, tinha tudo menos o propósito de culpabilizar a mulher, aliás o que se pretende é exatamente o contrário. Retirada do contexto, a frase provocou uma avalanche de partilhas e discurso de ódio, que vão exatamente no sentido contrário daquilo que apregoam algumas das vozes que se manifestam no combate à violência”, explicou.

Entretanto, esta quinta-feira, 12 de junho, o jornalista Luís Osório saiu em defesa da apresentadora com um texto publicado nas suas redes sociais. Começou por contextualizar: “Valorizo o que Cristina Ferreira conquistou e não me identifico com algumas coisas que fez ou representa. Porém, é preciso que se diga que teve razão num comentário que quase a condenou ao pelourinho”.

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Logo depois, fez questão de justificar o seu ponto de vista. “É espantoso como uma parte de nós é capaz de rebentar com pessoas por causa de frases fora do contexto, por não pensar sobre o que se disse ou por sermos, cada vez mais, ovelhas num rebanho que só parece fazer sentido quando faz ‘mééééé’ ao mesmo tempo”, afirmou.

Luís Osório foi ainda mais longe e defendeu que, em certos casos, há sinais que não devem ser ignorados. “É verdade que há mulheres que se põem a jeito para que as tragédias aconteçam. (…) Não por terem culpa, são absolutamente inocentes. Mas quando um homem é violento, quando desde o primeiro momento é doentiamente possessivo, quando trata a mulher como se fosse sua exclusiva propriedade (…), desculpa-me, mas está a pôr-se a jeito”, disse.

Por fim, apelou à ação preventiva. “Não se pode dar segundas oportunidades a pessoas imprestáveis. Um canalha será sempre um canalha (…). Já lhes basta morrerem às mãos de pessoas que as surpreendem numa noite que não previram. Não aumentem a possibilidade de o inferno ser eterno. Sai enquanto é tempo”, concluiu.

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