Luís Trigacheiro afirma que “o Alentejo é mais do que um destino, é uma cultura viva”

Luís Trigacheiro afirma que “o Alentejo é mais do que um destino, é uma cultura viva”, no coração do Alentejo, e capital do Cante durante três dias, no certame Sabores no Barro em Beringel.

Entrevista: André Nunes e Rui Lavrador / Texto: André Nunes / Fotografia: Diogo Nora

Nesse sentido, conversámos com Luís Trigacheiro sobre a importância de eventos destes para levar a cultura alentejana mais longe, assim como preservar dentro das localidades onde estas culturas são rainhas. 

Um percurso de alma e coração

Muitas vezes somos embalados pela voz de Luís Trigacheiro em temas como “Quem Me Vê” e “Há Algo Em Ti”, na sua voz pura e letras sinceras. Uma voz que relembra o que era a frieza honesta do trabalho do sacrifício dos nossos antepassados por esses campos de fora. Mas também da alegria de termos amigos em cada recanto, amigos que se tornam família, e a alegria quente que o Alentejo nos concede. 

Depois do seu recente sucesso “À Espera do Fim”, com a incrível Nena, Trigacheiro promete continuar a encantar o público, como tem feito até agora, numa entrevista que nos concedeu.

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Desde esta tour de concertos intimistas em auditórios de 2025, novo álbum, o Coliseu, e planos para o Sabores no Barro. 

À espera de novidades? Leia aqui!

Sobre este artista só podemos dizer, como ele disse sobre o certame, que “pode acontecer qualquer coisa e isso é que é o bonito” num evento em que “o foco somos todos”. 

Caso para dizer, vamos ficar aqui “à espera”, em “Beja ou em Paris”, do artista e das novidades que terá para nos apresentar e que revelou mais algum pouco dessas mesmas novidades em entrevista. Leia aqui tudo sobre o Luís Trigacheiro, em entrevista na vila de Beringel,no seio daquilo que é o espírito alentejano e a alma de todas as coisas que têm verdade no seu cérebro.

Entrevista a Luís Trigacheiro:

Luís, mais uma edição dos Sabores no Barro. Tu és do Alentejo, tens divulgado muito a questão do Cante, além de outras sonoridades. Qual a importância deste evento e de eventos deste género para aquilo que é a valorização dos artesãos da região, do Cante Alentejano, e também daquilo que é a essência do Alentejo, que são as pessoas?

Primeiramente, boa tarde. Eu acho que todos os eventos que promovam o que é regional, independentemente de ser gastronomia, vinho, ou tudo o que é cultura, são importantes para colocar a região no mapa e serem falados. Não somos só nós que fazemos isso. Os próprios artesãos, as pessoas que cultivam este tipo de produtos, desde os queijos aos enchidos, aos vinhos, a tudo, também têm um impacto importante nesse feito. Portanto, nós só somos uma ponte maior para a divulgação desse produto e dessa cultura tão abrangente que acabamos por representar.

“Concertos intimistas são a minha cara, são o que me dá mais gosto fazer”

Tens feito agora vários espetáculos em auditórios, num ambiente mais intimista. Como tem sido esta experiência e a ligação? Porque, por exemplo, o público do Norte é diferente do público do Sul. Vão-te pedindo algumas canções, vais alterando o alinhamento? Como está a ser agora a tua tua dinâmica nesta questão mais intimista em que as pessoas têm oportunidade de conhecer mais aquilo que é o Luís?

Concertos intimistas são a minha cara, são o que me dá mais gosto fazer. Na verdade, é onde eu consigo expor-me melhor e captar a atenção das pessoas de outra forma. O meu concerto também se direciona mais para aí, não só em termos das músicas em si, mas também em termos da sonoridade. Tem sido um desafio muito giro. Tenho feito salas muito bonitas, importantes e com boas capacidades.

E a resposta das pessoas tem sido muito positiva. Tenho construindo um reportório com algumas dinâmicas para conseguir captar melhor a atenção das pessoas. Agora é fazer estrada e apresentar um concerto diferente e específico no Coliseu na minha tour deste ano 2025.

Coliseu: “qualquer português anseia tocar naquela sala” 

É uma responsabilidade acrescida atuar na sala mais emblemática do país? Não é a maior, mas é a mais emblemática onde os artistas têm sempre esse desejo de atuar. Isso traz-te uma responsabilidade acrescida ou, por outro lado, é a concretização de um sonho?

Não deixa de ser uma responsabilidade, claramente, mas é um pequeno passo para dar passos maiores. Acaba por ser uma ponte e um marco na carreira de qualquer artista. Acho que qualquer português anseia tocar naquela sala e enchê-la.

Para 2025, esse vai ser o ponto alto ou ainda vais ter novidades em termos discográficos?

Vamos ter novidades em 2026. Vamos ter algumas também, isoladas, em 2025, mas em 2026 sim. Estamos a preparar já um disco novo, estamos a cozinhar as coisas e há que ser rápido para não perder tempo.

Mas vai ser muito na base deste?

Vamos esperar para ver. (Risos)

“Já cá vinha antes e vou continuar a vir”

E como comparas o público desses grandes espaços com o público aqui de hoje, em Beringel, na tua zona?

São públicos diferentes. Aqui, o concerto não é meu e o foco não sou eu. O foco somos todos. O foco é o canto em si, é a cultura, é a gastronomia, é tudo.

E acaba por ser um momento mais de tertúlia entre amigos e um ambiente muito invulgar, que só acontece praticamente aqui e que é muito genuíno, na verdade.

Não há como conseguir estar à espera de grande coisa ou de criar grandes expectativas, porque pode acontecer qualquer coisa. E isso é que é o bonito deste ambiente também.

E como convidado e um dos impulsionadores do evento, sentes essa responsabilidade? O António Zambujo já te propôs como embaixador.

Ele propôs, e gostava de ser, mas acho que não é isso que faz a diferença. Porque eu já me dedicava e já me entregava a este projeto. Já cá vinha antes e vou continuar a vir dentro da minha disponibilidade. Portanto, a mudança não vai ser grande.

É só uma questão de estatuto.

É uma questão de estatuto, sim. (Risos)

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