Mara: “Sou demasiado nova para morrer, se isso acontecesse, mas por outro lado já sou velha para ter uma carreira”, disse em entrevista ao Infocul.pt.

Mara é um dos nomes mais fascinantes da música portuguesa da actualidade.
A verdade da sua música é similar às resposta que dá nas entrevistas. A franqueza e limpeza com que responde chegam a ser desarmantes e tornam-na ainda mais peculiar e única, num meio tantas vezes preso no politicamente correcto.
Mara não é polémica nem procura o clickbait nas resposta. Somente responde com uma clareza pouco comum nos artistas nacionais e sem qualquer medo no uso das palavras.
Talvez por ser letrista e compositora, além de uma intérprete poderosa, lhe tenham permitido ter tamanha intimidade com as palavras que consegue usá-las de forma natural e sem qualquer medo do peso das mesmas.
Já pouca coisa me surpreende na música portuguesa. Mara é uma das excepções. Gosto-lhe a atitude arrojada, vibrante, intensa, como se tudo fosse entre o viver e morrer. Mara é vida.
Lançou recentemente o seu disco de estreia, muito bom por sinal, que inclui 10 canções, entre elas os singles já editados anteriormente, “Severa” (Outubro 2021), “Coração de Pedra” (Fevereiro 2022) e “Fado Moço” (Outubro 2022).
Mara é amor em tempos de cólera. E eu só peço que Portugal a saiba amar e tenha a capacidade de receber o seu amor, através de uma Arte chamada Música.

Mara, começo por perguntar como foi toda a preparação, produção e gravação deste disco e se o resultado superou as expectativas iniciais?
Não fui para estúdio com o intuito de criar um disco, por acaso, aconteceu. Queria tentar fazer algo meu e queria descobrir a minha identidade. Só que escrevi uma letra e outra e outra e percebemos que o resultado poderia passar por um disco ou pelo menos por um EP. Acabou por ser um processo conturbado, com muitas coisas boas e coisas más também, mas faz tudo parte de um processo. Sendo que entrei no estúdio a achar que iria tentar compor uma música , o saldo é POSITIVO.
Xande, Twins e Filipe Survival assinam a produção deste disco. Porquê esta escolha?
O primeiro passo foi dado pelo Xande, que há cerca de 3 ou 4 anos dizia que via onde estava a minha identidade musical e que eu tinha que deixar de ter medo de a assumir ou de a explorar. É a pessoa que melhor me conhece e em quem eu poderia confiar a 200%, em qualquer escolha dele. Ele falou com o Filipe “nas minhas costas” e encurralaram-me! Eles já tinham trabalhado juntos antes e era uma dupla fácil para ajudar me neste arranque. O Twins surgiu já na fase final da gravação do álbum, trabalhamos muitos anos juntos na banda do Dengaz e eu sabia que a sonoridade dele a juntar com a do Xande era algo que eu queria muito experimentar. Os 3 tiveram inputs muito diferentes, que deram vida a sonoridades também diferentes e inesperadas. O álbum só existe porque eles fizeram parte desta produção.
Assina todas as letras, à excepção de um tema em parceria com Xande. É um disco biográfico ou não necessariamente?
Digamos que é um álbum baseada em factos verídicos!!!!
Além das letras tem também papel fundamental e principal nas composições. É mais desafiante compor ou escrever?
O mais desafiante é sentir que uma música está finalizada, que faz sentido pra mim, que tem a mensagem que quero passar… Mas diria que a composição talvez seja um bocadinho mais desafiante, o acto de criar uma melodia inédita, baseada em emoções.
O disco já saiu há alguns dias, qual tem sido a reação do público?
O que me chega através da redes sociais, é avassalador. Sinto que para os que me conhecem, foi a confirmação de tudo o que esperavam de mim no meu 1º album a solo o que me deixou muito feliz. Para os novos seguidores, dizem-me que é uma agradável surpresa e que ouvem o álbum inteiro varias vezes.
Há já temas favoritos em quem ouve? Que feedback tem tido nesse sentido?
Todas as pessoas têm gostos bem diferentes, o que é super giro de perceber. Mas arriscaria em dizer que neste momento no pódio encontra se o Maldita Sorte, Até um dia ft Xande , Amanhã e Foi Deus.
O que pode revelar sobre os espectáculos de apresentação do disco?
Eu diria que é o lado B do álbum, ainda mais vivo e expressivo e onde vão poder conhecer me ainda mais. Muito ansiosa por este capítulo.
Quem ouve este disco consegue viajar ao mais profundo da sua alma ou há ainda muito por desvendar sobre Mara?
Todos os dias sinto me diferente, sinto que este álbum teve um peso e um papel inexplicável na minha vida e sei que há muito mais para desenvolver, para criar e até para descobrir sobre mim própria.
O que é que a magoaria ouvir de alguém que ouvisse o disco?
Por acaso não sei como me poderia magoar, acho uma palavra muito forte e nunca pensei nisso. Mas deixa-me irrequieta o facto de a idade de uma mulher ser ainda discutida no panorama musical e não só. Sou demasiado nova para morrer, se isso acontecesse, mas por outro lado já sou velha para ter uma carreira. É uma atitude hipócrita e que já me magoou outrora.
Por fim, o que traz este disco de novo à cena musical portuguesa?
Eu não procuro ser diferente, só não quero ser igual a ninguém, quero ser Eu! Por isso convido as pessoas a darem uma oportunidade ao meu álbum, que o façam de mente e coração aberto, para se deixarem levar pelos sentimentos e que a música cumpra o seu papel que é basicamente ser a banda sonora das nossas vidas.
Alinhamento do disco:
- R.I.P (Intro)
Letra: MARA
Música: MARA, Xande, Filipe Survival
- Foi Deus
Letra: MARA
Música: MARA, Xande, Filipe Survival
- Severa
Letra: MARA
Música: MARA, Xande, Filipe Survival
- Rosas
Letra: MARA
Música: MARA, Xande, Filipe Survival
- Amanhã
Letra: MARA
Musica: MARA, Xande, Filipe Survival
- Até Um Dia feat Xande
Letra: MARA, Xande
Música: MARA Xande, Twins
- Maldita Sorte
Letra: MARA, Xande
Música: MARA, Xande, Twins
- Coração de Pedra
Letra: MARA
Música: MARA, Xande, Filipe Survival
- Fado Moço
Letra: MARA
Música: MARA, Xande, Filipe Survival
- Confesso
Letra: MARA
Música: MARA
