Maria João em entrevista sobre o novo disco e os prémios Play

Maria João em entrevista sobre o novo disco e os prémios Play, as duas grandes novidades, para já, da artista em 2025.

Primeiramente, Maria João, reconhecida artista do jazz, tem duas belíssimas novidades em termos artísticos. Assim, ontem foi nomeada nos prémios Play, na categoria de Melhor Álbum de Jazz, com “Algodão” Maria João & André Mehmari. Seguidamente, hoje, edita o seu 31º disco, intitulado “Abundância”.

Nesse sentido, o disco, trata-se de uma viagem entre Lisboa e Maputo, na companhia de João Farinha e André Nascimento, aliados do projecto OGRE (com quem gravou vários álbuns desde 2012, incluindo o recente e muito aplaudido “Songs For Shakespeare”, de 2022).

Maria João: O novo disco, Abundância

Em entrevista ao Infocul, disse: “É um disco que celebra todos estes meus anos na música. Eu queria fazer uma pequenina celebração para mim. Considero que ainda estou a meio do caminho. Tenho ainda muito mais coisas para fazer. Vou também às minhas raízes moçambicanas, a minha mãe é moçambicana e o meu pai português, sou esta abundância toda. Considero que tudo isto que aconteceu é abundância“.

É uma felicidade. Nem sempre foi assim. Quando eu era mais miúda, não era bem assim. Assim, pensei, “vou fazer esta comemoração para mim”. 40 anos a cantar é a minha vida adulta toda a cantar e achei que ainda precisava desta comemoração para mim“, acrescentou.

Assim, conta com a colaboração de novos e recorrentes músicos – dos bateristas Silvan Strauss e Texito Langa ao guitarrista Valter Mabas ou ao percussionista Cheny Wa Gune, responsável pelas quentes colorações da timbila.

Seguidamente, destacar ainda o coro TP50 em que harmonizam Xixel Langa, Xizimba, Leticia Deozina, Nadya Cosmo e Onésia Muholove.

Simultaneamente, Mucavele e Stewart Sukuma também juntam as suas vozes à da cantora portuguesa. 

Coube ao músico e produtor português Luís Fernandes, um reconhecido artista na área das vanguardas electrónicas, o papel de assinar a produção de um trabalho que implicou viagens entre Portugal e Moçambique e pontes musicais entre o passado e o futuro, o jazz e a world music, o ritmo e a melodia.

Abundância conta com os temas “Ao Sol”, “Esperança”, “Maputo Jive”, “O Amor é Verdadeiro”, “Beatriz”, “Dário”, “As Tuas Tranças”, “Papalaty”, “Dia” e “Praia”.

Este disco, Algodão, é o meu 30º disco. Amanhã [hoje] sai o meu disco 31, Abundância“, assinalou-nos ontem.

Maria João: Nomeação para os Prémios Play

Por outro lado, abordou a nomeação para os prémios Play.

Fico feliz pelo mimo, pelo interesse, por esta coisa carinhosa de olhar para outra e gostar daquilo que ela faz, elogiá-la e achar que a pessoa precisa de mais um pouquinho de notoriedade, de um empurrão na sua exposição e vida musical. Isto é um mimo, sinto-me muito mimada por terem-me nomeado”, destacou.

Seguidamente, abordou a quantidade e qualidade criativa na música portuguesa.

Acho brutal, acho inacreditável como um país tão pequeno como o nosso, esteja efervescente com tanta produção musical, a fazer coisas incríveis. No jazz, por exemplo, há muita gente a fazer coisas notáveis, pessoas mais novas que fazem música muito boa, pessoas mais velhas a fazerem música nova, é a aventura da música. O que importa é a arte que há na música“, contou.

Vou falar do jazz, eu acho que as pessoas estão muito disponíveis para esta música, talvez por parte de gente que eles já conheçam como eu, o Mário Laginha, etc, porque acho que vão atrás das pessoas que já conhecem o trabalho. Acho mesmo que o público está muito disponível para o jazz. Têm interesse, lotam as salas. O que falta é porque talvez o nosso país seja pequenito para tanta coisa a acontecer. Mas as coisas que estão a acontecer são absolutamente notáveis. É notável que o nosso país tenha tanta gente a fazer coisas tão boas“, acrescentou.

Maria João: A carreira e o que falta fazer

Ou seja, quanto ao seu percurso, ressalvou: “Falta fazer tanta coisa, quero fazer imensa coisa com tanta gente. Estou a meio do caminho“.

Eu acho que tive muita sorte. Para já tive músicos incríveis ao meu lado, que me ajudaram a ser aquilo que sou hoje. Devo tudo aos músicos. Depois, tive a sorte de começar numa altura em que era possível crescer, pude crescer no meu lado artístico, acho que agora é mais difícil. Espera-se que esteja tudo pronto e que as pessoas estejam logo na sua plenitude. As pessoas precisam de crescer“, continuou.

A importância dos números nas redes sociais

Por fim, um reparo à importância dada às redes sociais e aos números de likes e seguidores.

Essa coisa dos likes acho horrível. Isso não tem a ver com arte, tem a ver com mercado. A arte tem a ver com a aventura e o caminho. Pode haver alguém com zero likes e apenas 2 seguidores, que faz coisas incríveis e resplandecentes. Acho que os prémios em geral devem estar abertos a toda a gente. Tem de ser pelo que as pessoas fazem. Abrir os corações, o intelecto e os ouvidos. Não tem a ver com a idade, com a cor da pele, com o credo. Somente com a aventura das pessoas. Marimbem-se para os likes“.

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