Marito Marques sobre o disco ‘A Ponte’: “Uma declaração de amor à nossa música e à nossa cultura”

Marito Marques sobre o disco 'A Ponte': "Uma declaração de amor à nossa música e à nossa cultura"

Marito Marques sobre o disco ‘A Ponte’: “Uma declaração de amor à nossa música e à nossa cultura”, disse em entrevista ao Infocul.pt.

Em Outubro de 2021, Marito Marques lançou o disco “A Ponte”, tendo mais recentemente apresentado o single “Se Fores à Quinta Nova“, que integra essa trabalho discográfico.

O disco, do qual até ao momento não tínhamos ainda aqui abordado, é das mais agradáveis surpresas das música portuguesa dos últimos anos.

Um trabalho discográfico muito bem conseguido, de profunda sensibilidade artística e com a tradição muito bem representada, sem estar desvirtuada, em sonoridades actuais.

O disco teve como base criativa uma residência artística na sua terra natal (Arganil), com o grupo de cante alentejano Os Vocalistas e o acordeonista João Frade. Foi gravado entre Portugal e o Canadá e, para além das vozes já mencionadas, conta ainda com as participações de Salvador Sobral, e de Marco Rodrigues.

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Actualmente a viver no Canadá, Marito Marques concedeu uma entrevista ao Infocul.pt, na qual aborda o seu mais recente disco e ainda aspectos do seu percurso artístico e profissional, desde a altura em que queria ser bombeiro, aos 10 anos de idade.

Porém, alguns anos antes já sabia tocar bateria, aos 2 anos, e já tinha actuado em público, aos 5 anos.

O disco “A Ponte” surgiu a partir de uma residência artística em Arganil. Foi um bónus ou era algo que já tinha em mente, aquando da residência artística?

Esta residência não só foi pensada como fundamental para este disco. O estar “isolado” e focado única e exclusivamente neste projecto durante 4 dias na aldeia de Torrozelas em Arganil foi muito importante para este disco ser o que realmente é. O lugar da residência (na casa dos meus avós maternos) traz-me imensas memórias e uma inspiração que foi realmente importante para o disco.   
 
Nessa residência participaram Os Vocalistas e o acordeonista João Frade. Porém, no disco conta com outros artistas. Como foi feita a selecção dos convidados?

Foi uma selecção que surgiu de forma muito natural. Grande parte dos convidados são amigos e músicos incríveis com quem já trabalho há vários anos e outros que a própria música o pediu, por exemplo, no tema “Amor ao Longe” só conseguia ouvir a voz do Salvador Sobral em dueto com a MARO, tive a sorte de ambos aceitarem o desafio. Sinto-me realmente feliz por todos os convidados neste disco.
 
É considerado um músico prodígio, após começar a tocar bateria aos 2 anos e actuar, pela primeira vez, aos 5 anos. Também se sente um prodígio?

Não, de maneira nenhuma, por vezes julgo que até sou duro demais comigo mesmo rebaixando-me a mim mesmo… Mas se eu olhar para trás e vir o meu trajecto, sinto orgulho mas também afortunado por ter tido sempre do meu lado pessoas que sempre me apoiaram, falo dos meus pais, irmãos, mulher, filhos, amigos etc.
 
Indo ao disco, ‘A Ponte’, como o define?

É um voltar a trás no tempo, reviver o meu passado e voltar a trocar com músicos e amigos com quem tocava e trabalhava enquanto morava em Portugal, mas também o estabelecer de novas relações entre músicos portugueses e canadianos fundindo musicalmente a música Portuguesa, Canadiana e aquela que eu faço.
 
O disco é uma carta de amor à música portuguesa e às suas raízes?

Sim, é uma declaração de amor à nossa música e à nossa cultura. Acho que este disco espelha o quanto respeito e gosto da nossa música.
 
Nasceu em Portugal, mas reside no Canadá. O que o levou ao outro lado do mundo?

Sim, tive a sorte de nascer e crescer em Portugal e a sorte também de poder morar num país como o Canadá, que nem tem ajudado imenso a crescer enquanto músico e pessoa. O que me trouxe aqui? O amor, apaixonei-me pela minha esposa, Nicole, que é luso-canadiana e na altura morava no Canadá. Depois de ter visitado a cidade de Toronto percebi que era a cidade ideal opara crescer e evoluir musica e profissionalmente. 
 
O seu palmarés faz inveja a alguns dos proclamados artistas mediáticos da nossa praça. Pergunto-lhe se sente ter o destaque que o seu trabalho merece?

Sinto ter esse reconhecimento e respeito mais no Canadá do que em Portugal, mas por outro lado, quando recebo esse carinho e respeito vindo de Portugal tem um significado especial para mim. Talvez este disco me traga um pouco mais desse reconhecimento em Portugal embora esse não é o objectivo deste trabalho. 
 
Recentemente saiu o novo single, de um tema integrado no disco e que nos leva para o Alentejo. Podemos afirmar que a emoção do cante alentejano, mesmo com novas roupagens musicais, é arrebatadora?

A ideia deste disco é uma tentativa de trazer o Cante Alentejano para os dias de hoje de uma forma acessível para o ouvinte, tenha ele um conhecimento aprofundado da música ou não. Esse foi um objectivo que tinha bem firme desde inicio. Enquanto artista, nunca sabemos bem qual será o feedback das músicas que lançamos. Simplesmente dei todo o meu amor a coração a esta música Alentejana com a esperança de que o publico se sentisse conectado a ela mesma.
 
Em termos de espectáculos em Portugal, há algo que possa ser divulgado?

Estou a trabalhar nisso com a minha equipa em Portugal, mas neste momento ainda não temos nada marcado. Mas esse é o meu maior objectivo, poder tocar e mostrar este disco ao vivo ao publico Português. 
 
Como pode o público interagir consigo?

Eu queria dizer: vindo aos concertos [risos] mas enquanto estes não acontecem podem-se mantem ligados e acompanhar o meu trabalho nas redes sociais, ou até em concertos com que faço com outros artistas. 
 
A música foi sempre um objectivo profissional?

Sim, e surgiu de forma muito natural sem nunca pensar muito nisso mas sabendo que era isso o que queria para o meu futuro, e na realidade, nunca me imaginei a fazer outra coisa… à excepção de quando tinha 10 anos e queria ser bombeiro. [risos]

Marito Marques sobre o disco 'A Ponte': "Uma declaração de amor à nossa música e à nossa cultura"


Quem são as suas grandes referências?

Na música tenho várias: Dennis Chambers, Herbie Hancock. Rão Kyao, Tigram Hamasyam entre muitos outros. Mas tento trazer para a música outras referências fora da música, os meus pais por exemplo. 
 
Como define a sua música?

Defino-a como uma mistura, de várias influências, mas sobretudo de tudo o que vem das raízes, do que vem de lá de traz e transporta-lo para os dias de hoje. É-me muito difícil categorizar com uma palavra ou duas a minha música, mas posso dizer que o Jazz e a música do mundo está evidente na forma como abordo a música. 
 
Quem é Marito Marques fora da música e o que gosta de fazer?

Gosto da ligação com as pessoas, fazer novas amizades ou reforçar as antigas… Mas gosto também de viajar, e nisto tenho a sorte de o fazer tocando música também, acabei de vir de uma Tour nos EUA com Jesse Cook onde passámos por 20 cidades diferentes. 
 
Tenho um desafio para si. Como define cada um dos temas do disco, numa única palavra?
 
Imagino que vá perder o desafio [risos]. Vou tentar com uma palavra única, no entanto, sem sucesso, nalguns temas será necessário utilizar duas palavras, aqui vai:

1 – Se fores ao Alentejo – Alentejo Moderno 

2- Se fores à Quinta Nova

3 – Manjerico – Alentejo serrano

4 – Arrebimba o Baile – Jazz Alentejano 

5 – Olha o Sol – Esperança  

6 – Tinto Tanto Quanto Canto – Vinho 

7 – Marinheiro – Saudade

8 – Minha Mãe Me dê Um Lenço – Mãe

9 – Entrada de Arganil – Saudade 

10 – Amor ao Longe – Nicole 

11 – A Ponte – Ligação

O que é que Portugal representa para si?

Deixaram a pergunta mais difícil para o fim? [risos] 
Bem, vou tentar responder: Representa muito: família, amigos e uma vez que estou fora representa também saudade, mas no fim de contas, representa alegria e a vontade de voltar! 
 

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