Morreu Cândido Mota: a voz icónica da rádio portuguesa e rosto da televisão tinha 82 anos

Morreu Cândido Mota: a voz icónica da rádio portuguesa e rosto da televisão tinha 82 anos de vida.

Uma carreira que marcou gerações na rádio

Entretanto, o panorama da comunicação em Portugal perdeu uma das suas figuras mais reconhecidas. Cândido Mota morreu este sábado, aos 82 anos.

O comunicador encontrava-se internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, desde 13 de abril. Nos últimos tempos, residia na Casa do Artista.

Natural de Espinho, onde nasceu a 28 de setembro de 1943, iniciou-se muito cedo na rádio. Aos 17 anos, deu os primeiros passos no Rádio Clube Português.

Posteriormente, foi na RDP – Rádio Comercial que consolidou o seu nome. Programas como “Em Órbita”, “Fonografias” e “Dançatlântico” tornaram-se referências junto do público.

“O Passageiro da Noite” tornou-se um fenómeno inovador

Por outro lado, foi em 1979 que assinou um dos formatos mais marcantes da rádio nacional.

“O Passageiro da Noite” destacou-se pela sua abordagem singular. Emitido após a meia-noite, abria espaço à participação direta dos ouvintes.

Assim, qualquer pessoa podia ligar e partilhar histórias ou pensamentos em direto.

Além disso, o estilo discreto do locutor, que optava por ouvir mais do que intervir, contribuiu para o sucesso. Esta fórmula acabaria por ser replicada nos anos seguintes.

Da rádio para a televisão ao lado de Herman José

Mais tarde, após um período menos visível, regressou com força à ribalta, desta vez na televisão.

A ligação a Herman José revelou-se determinante nesta fase.

Desde 1991, tornou-se presença habitual como voz-off em concursos como “A Roda da Sorte” e “Com a Verdade M’Enganas”.

Ainda assim, não se limitou à locução. Em alguns momentos, participou em rábulas, mostrando também o seu lado mais performativo.

Compromisso político e ligação à Festa do Avante

Paralelamente à carreira mediática, manteve uma forte ligação política.

Militante do Partido Comunista Português, assumiu durante décadas um papel relevante na Festa do Avante.

Durante mais de 35 anos, foi a voz do Palco 25 de Abril, tornando-se uma presença inconfundível para os visitantes.

Últimos meses e legado na comunicação

Entretanto, no início de 2026, Herman José revelou que o amigo vivia na Casa do Artista, encontrando-se fragilizado, mas lúcido.

Já em abril, o internamento gerou preocupação e rumores, que acabaram por ser desmentidos na altura.

No entanto, o estado de saúde agravou-se, culminando no desfecho agora confirmado.

Por fim, Cândido Mota deixa duas filhas, Teresa e Maria João, e três netos.

Assim, o seu percurso na rádio e televisão portuguesa permanece como um legado incontornável, marcado por inovação, consistência e uma voz que atravessou gerações.

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