Nuno Homem de Sá condenado por violência doméstica: ator anuncia recurso e Francisca de Magalhães Barros expõe mensagens, nas redes sociais.
Nuno Homem de Sá foi condenado, esta segunda-feira, pelo Tribunal de Torres Vedras, a três anos de prisão com pena suspensa. O processo envolve acusações de violência doméstica apresentadas pela ex-namorada Frederica Lima.
Além disso, a decisão judicial trouxe novas reações fora do tribunal. Francisca de Magalhães Barros, pintora, vítima e ativista contra a violência doméstica, recorreu às redes sociais para denunciar contactos recentes do ator.
Entretanto, à saída da sala de audiências, Nuno Homem de Sá contestou a sentença, afirmou estar inocente e garantiu que vai recorrer.
Tribunal aplica pena suspensa e medidas de afastamento
A sentença foi lida no Tribunal de Torres Vedras, num processo mediático que decorreu à porta fechada. Segundo as informações avançadas pela CMTV, o acórdão tem 250 páginas e validou vários pontos da acusação.
À porta do tribunal, o jornalista Gonçalo Reis Batista detalhou as medidas aplicadas ao ator. “Há de tratar de ficar com uma pulseira de afastamento durante esses mesmos três anos, condenado ainda ao pagamento de uma indemnização de 3.000 euros e igualmente vai ser obrigado a frequentar uma série de cursos relacionados com aquilo que é a gestão da raiva e também do autocontrolo em relações de intimidade“, relatou.
Assim, Nuno Homem de Sá fica sujeito a pena suspensa, pulseira eletrónica de afastamento, pagamento de indemnização e frequência de ações relacionadas com gestão da raiva e autocontrolo em relações íntimas.
Além disso, o tribunal decretou a proibição de contacto com Frederica Lima. A medida inclui contacto físico, chamadas, mensagens e plataformas digitais.
Segundo foi relatado no local, o ator “vai assim manter a proibição também de contacto naturalmente com Frederica Lima, não só do ponto de vista físico, que será naturalmente controlado pelo botão de pânico e também por essa pulseira de afastamento, mas também através precisamente das redes sociais”.
Justiça dá como provados episódios de violência
Durante a leitura do acórdão, o tribunal considerou provados episódios de violência física e psicológica contra Frederica Lima.
De acordo com a CMTV, “O tribunal deu como provado as várias situações de violência física e psicológica bastante evidentes contra Frederica Lima e que o comportamento de Nuno Homem de Sá, muito tranquilo em tribunal, em nada era positivo precisamente para esta situação“.
A estação acrescentou ainda que a justiça “acabou mesmo por considerar praticamente tudo na acusação do Ministério Público era verdadeiro“.
Já na reta final da leitura, o ambiente terá ficado mais tenso. Gonçalo Reis Batista descreveu o momento e referiu que Nuno Homem de Sá “Não estará nada satisfeito, teve até um episódio de algum rebate, diria, com o juiz de Torres Vedras“.
Francisca de Magalhães Barros faz denúncia pública
No mesmo dia da condenação, Francisca de Magalhães Barros expôs nas redes sociais uma situação envolvendo Nuno Homem de Sá.
A pintora, vítima e ativista na luta contra a violência doméstica, afirmou que o ator lhe tem enviado mensagens e escrito comentários nas suas publicações. A denúncia surge num momento particularmente sensível, por coincidir com a sentença do processo que envolve Frederica Lima.
“Durante o tempo e próximo da sentença este indivíduo tem me enviado mensagens e escrito comentários nos posts sabendo que sou activista e a minha principal causa entre outras é a violência doméstica“, denunciou Francisca de Magalhães Barros.
O testemunho da ativista acrescenta uma nova camada de polémica a um caso já marcado por forte exposição pública. Além disso, sublinha a vulnerabilidade de quem trabalha publicamente em causas ligadas à violência doméstica.
Nuno Homem de Sá reage: “Estou inocente e vou até à última”
À saída do Tribunal de Torres Vedras, Nuno Homem de Sá falou com a imprensa e contestou duramente a decisão. O ator classificou a situação como uma “palhaçada” e confirmou que a defesa vai recorrer.
“Bom, eu sei que isto até pode parecer bacoca e patético, mas do total dos autos que tínhamos, sobraram 10% para esta acusação e desses 10% do total, agora acabámos com uns 2, 3. Não conseguiram provar nada especificamente“, começou por dizer.
Depois, criticou a interpretação feita pelo tribunal. “O que foi provado foi por interpretação da juiz, que eu acho estranho. Não é? E eu agora é que vou decidir quem é que está a dizer a verdade. ‘Ah, ela é credível.’ Ok. Não acredito que seja assim que isto devia funcionar, mas pronto.”
O ator também comentou o desgaste causado pelo processo ao longo dos últimos anos. “Não, o que eu disse foi exatamente o que se passou estes últimos 3 anos tem sido uma bosta de primeira à página. Segunda e terceira. E é chato estar há 3 anos a levar com isto, com os ataques diários nas redes, com os intromissões na minha vida pessoal, na minha vida profissional, com a minha saúde, etc., por aí fora, com a minha família“, desabafou.
Ainda assim, Nuno Homem de Sá rejeitou a condenação e insistiu na tese de inocência. “Recorremos, é claro que recorremos, como eu disse, eu estou inocente e vou até à última. […] Quem foi agredido fui eu, de variedíssimas maneiras. Vejam bem a minha situação atual e depois digam“, afirmou.
Ator contesta áudios e fala em contexto cortado
Um dos pontos contestados por Nuno Homem de Sá prende-se com os registos áudio apresentados por Frederica Lima.
O ator alegou que os áudios foram descontextualizados e defendeu que partes anteriores não foram ouvidas. “O tribunal deu como provadas coisas que – Aquele áudio, que não sei o que é que aconteceu para acharem que aquilo faz parte de uma expressão de agressão e violência doméstica completamente descontextualizada. […] Só que aquilo resultou numa provocação. Essa provocação não vamos poder provar porque o áudio foi cortado no ponto certo. Portanto, o que está para trás não se ouve“, argumentou.
Além disso, lamentou que uma testemunha de defesa tenha sido, segundo a sua leitura, desvalorizada pelo tribunal.
Quando confrontado com a advertência do juiz sobre a sua postura na sala, Nuno Homem de Sá justificou a reação com o próprio temperamento.
“O meu temperamento é normal que eu quando ouço alguém, especialmente um juiz de direito que está ali a dizer que eu disse XYZ, coisa que eu nunca disse, eu tenho que dizer: ‘Não, não, espera aí, eu nunca disse isso.’ […] Eu sou o tipo quente, caliente, a minha mãe é espanhola. A sério, prendam-me. Queriam prender e ainda não aconteceu. O tribunal interpretou isso e nós vamos recorrer e vamos mostrar que o tribunal está enganado“, concluiu.
Antes da sentença, o ator dizia esperar justiça
Horas antes da decisão, Nuno Homem de Sá chegou ao Tribunal de Torres Vedras com uma postura descontraída. À chegada, tirou uma selfie e falou aos jornalistas.
Questionado sobre o estado de espírito, respondeu: “Bom dia, sim, claro, como sempre. Quer dizer, já tive dias mais agitados, mas está em tranca agora. É uma questão de esperar que haja justiça mesmo“.
Na altura, mostrou-se confiante no desfecho do julgamento. “Estou sempre confiante porque eu sei a verdade. A verdade é que eu sou inocente“, declarou.
Apesar disso, admitiu alguma apreensão. “Estou apreensivo, sim“, disse.
Quando lhe sugeriram a palavra “cansado”, corrigiu: “Cansado? Estou amassado. A mim não me cansam com facilidade“.
Caso pode ter impacto noutro processo em Viseu
O processo de Torres Vedras é o primeiro de dois casos de violência doméstica que envolvem Nuno Homem de Sá nos tribunais portugueses.
O outro corre na comarca de Viseu e foi movido por outra ex-companheira, Nádia Lopes. Antes da leitura da sentença, o próprio ator admitiu que a decisão poderia ter reflexos nesse processo.
“Tem impacto em tudo o resto, não é? Está tudo ligado, portanto o que se passar aqui vai-se refletir de alguma forma em Viseu, positiva ou negativamente“, afirmou.
A leitura do acórdão teve início pelas 14h20, sem novos requerimentos apresentados pelos advogados. Recorde-se que a sentença tinha sido adiada em abril, após alterações não substanciais aos factos da acusação.
Essa alteração permitiu a introdução de novos áudios e declarações da assistente Frederica Lima.
Do lado da acusação, o advogado Miguel Matias manteve o desejo de que fosse feita justiça. Já Alexandre Guerreiro, advogado do ator, tem defendido que as imagens e os registos sonoros anexados ao processo carecem de contexto.
Agora, depois da condenação, Nuno Homem de Sá promete continuar a batalha judicial. A defesa vai recorrer e o caso mantém-se sob forte atenção pública.
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