Ovibeja celebrou a caça como tradição, biodiversidade e património rural, nomeadamente no pavilhão “Caça, Natureza e Biodiversidade”, num certame que rondou os 100 mil visitantes.
Texto: André Nunes / Fotografias: João Silva
Um espaço marcante e com muita adesão
Este foi um dos espaços mais marcantes da Ovibeja 2025, com bastante adesão, para fãs da modalidade ou curiosos com os animais deste mundo tão ancestral.
Sob o lema “A Caça é Natural”, o certame acolheu uma programação rica e diversa que valorizou a atividade cinegética nas suas várias dimensões: recreativa, pedagógica, económica, social, cultural e ambiental.
Aliás, a exposição temática “A Caça é Natural” contribui para passar informações através de animais embalsamados, estátuas, jogos virtuais, falcoaria, cães de caça, jogos de simulação de tiro, jogos didáticos infantis e muito mais.
Assim, este tema, que era novidade, contribui para apresentar a Ovibeja como uma feira de trabalho e lazer, que se encontra com expectativas de todos os públicos.
Uma mostra viva dos aspetos positivos e de legado
A temática contou também com especialistas e empresários a relatar o porquê da atividade de caça como atividade cultural, económica e educativa. No fundo, a afirmar a prática como motor nas suas diversas dimensões, até na proteção e conservação de espécies, eliminando pragas e predadores.
Organizado pelo Clube Português de Monteiros (CPM) e pela Federação Alentejana de Caçadores (FAC), o pavilhão apresentou uma mostra viva da ruralidade alentejana, evidenciando a caça como uma prática com impacto positivo na valorização do território e na preservação da biodiversidade.
Debates sobre o estado da caça e espécies a preservar
Neste sentido, o Auditório Expobeja recebeu um ciclo de conferências pelas 10h30 do dia 1 de maio, onde os especialistas Nuno Vacas, João Acabado, Ricardo Estrela, (gestores das áreas florestais e cinegéticas) e Rui Correia (biólogo) debateram “Caça em Portugal – Fragilidades, Estrangulamentos e alternativas”.
Foi, assim, uma conversa focada nos principais estrangulamentos da caça em Portugal e apontaram caminhos alternativos para o seu futuro sustentável e para a melhoria da sustentabilidade ambiental no Alentejo.
Outra sessão, a dia 4 de maio pelas 10h30, centrou-se na conservação de espécies protegidas, como o Lince Ibérico e o Abutre Negro, numa conversa moderada por José Godinho Calado (diretor-regional do ICNF), com intervenções de Pedro Sarmento (coordenador do Projecto Lince Ibérico) e Pedro Rocha (Admnistrator da Herdade da Contenda), sublinhando a importância da gestão integrada dos habitats destes animais emblemáticos.
Esta conferência, com o título “O Lince e o Abutre Negro, espécies a preserva”, remeteu para o imaginário destes exímios animais, que contribuem para a biodiversidade e por isso devem ser protegidos.
[Best_Wordpress_Gallery id=”8092″ gal_title=”caça-ovibeja-2025″]Cães de caça, falcões e gastronomia única
O espaço foi ainda animado por desfiles de matilheiros em traje de gala, demonstrações de cães de caça e sessões de falcoaria promovidas pela Coudelaria de Alter do Chão, envolvendo o público num contacto direto, visual e físico com a tradição cinegética.
Por sua vez, a gastronomia não ficou de fora. Pois nos dias 1, 2 e 3 de maio decorreu o Show Cooking de Caça, com a participação de chefs como Manuel Rosalino, Nuno Direitinho e Viriato Alves, que trouxeram sabores únicos à mesa, com o apoio de produtores locais e “carne de caça” como um sabor único e requintado.
Apresentação do livro “Covarsi el Legado”, de Alberto Covarsi
No dia 3 de maio pelas 10h30, foi apresentado o livro “Covarsi el Legado”, de Alberto Covarsi, pelo próprio autor, numa sessão com a presença dos presidentes do CPM e da FAC. Pode saber mais sobre este livro através do vídeo de apresentação que não sendo na Ovibeja, foi disponibilizado em canal de Youtube aquando do acontecimento em Badajoz, com um vídeo expressivo e emocionante sobre a caça: https://www.youtube.com/watch?v=YqnPMqonGSk.
Este livro tem a seguinte sinopse: “O Monteiro de Alpotreque entrou para a história da caça no nosso país. Foi um prolífico escritor, tendo deixado cinco livros onde relatou as suas caçadas, sobretudo na Serra de San Pedro.
Neste livro, vamos descobrir o quotidiano de D. António Covarsí na sua cidade e a forma como participou na vida social da época. Entraremos na intimidade da sua casa e da sua mítica armeira, conhecendo em detalhe as suas armas, a sua biblioteca e as suas coleções pessoais.
Voltaremos com ele ao monte, sentindo novamente o cheiro a esteva e a pólvora, em muitas das suas expedições de caça que nunca chegaram a ser relatadas nos seus livros”.
A caça como componente essencial do mundo rural
A programação encerrou no dia 4 de maio com a Prova de St. Huberto – Troféu Arménio Lança, realizada na zona de caça de Santa Clara do Louredo, onde se reuniram caçadores de todo o país.
A edição deste ano reafirmou o papel da caça como componente essencial do mundo rural, contribuindo para a coesão territorial, a conservação da natureza e a dinamização económica do interior. Após estes dias na Ovibeja, e a entrar mais profundamente na temática da caça, pode-se dizer que esta atividade é parte integrante, e ímpar, da paisagem, da economia e da identidade do mundo rural português, com forte expressão no apaixonante Alentejo.

