O padre Ricardo Esteves partilhou uma reflexão sobre as relações e os lugares onde a sensação de segurança pode esconder o medo de mudar. Numa publicação no Instagram, este sábado, 17 de outubro, o sacerdote alertou para a diferença entre sobreviver emocionalmente e sentir-se verdadeiramente vivo, deixando uma mensagem a quem permanece em situações que já não permitem crescer.
“Sabes… existem lugares que te mantêm viva mas não te deixam viver. Nem toda a prisão tem grades. Algumas oferecem o mínimo necessário para que tenhas medo de ir embora”, escreveu, a acompanhar uma fotografia sua.
Sem identificar pessoas ou situações concretas, Ricardo Esteves desenvolveu uma reflexão sobre o peso da rotina, as renúncias e a dificuldade de abandonar aquilo que se conhece, mesmo quando já não traz felicidade.
“Começas a confundir a ausência de sofrimento com felicidade”
Na mensagem dirigida aos seguidores, o sacerdote descreveu como a adaptação a determinadas circunstâncias pode levar alguém a aceitar uma vida aquém daquilo que deseja.
“Existem lugares, relações e situações que não te chegam a destruir mas também não permitem que possas florescer. Sobrevives, cumpres obrigações, manténs a rotina, aprendes a suportar as ausências, os silêncios e as pequenas renuncias. E, aos poucos, começas a confundir a ausência de sofrimento com felicidade.”
Para o padre Ricardo Esteves, o receio de recomeçar ajuda a explicar por que razão algumas pessoas continuam ligadas a relações ou ambientes onde não se sentem realizadas.
“Quando passas muito tempo a tentar sobreviver emocionalmente, até aquilo que te limita pode parecer seguro. Porque o conhecido, mesmo quando magoa, pode assustar menos que a possibilidade de recomeçar.”
O sacerdote afastou a ideia de que essa permanência resulta necessariamente de falta de coragem, apontando antes para o medo de perder a estabilidade que ainda existe.
“É assim que muitas pessoas permanecem em relacionamentos nos quais não são amadas como precisam, em ambientes onde precisam diminuir quem são ou em historias que já não fazem sentido. Não porque lhes falta coragem, mas porque, às vezes, o medo de perder a pouca segurança que possuem, torna-se maior do que o desejo de experimentar uma vida diferente.”
“Existe uma grande diferença entre estar protegido e estar aprisionado”
Na segunda parte da publicação, Ricardo Esteves questionou a segurança que se encontra em situações familiares, sublinhando que aquilo que foi importante numa fase da vida pode deixar de responder às necessidades de outra.
“Mas sabes, existe uma grande diferença entre estar protegido e estar aprisionado, entre continuar a respirar e sentir-se realmente vivo. Aquilo que um dia ajudou a sobreviver, pode não ser mais o lugar que te ajuda a crescer.”
A reflexão terminou com um incentivo a reconhecer o próprio valor e a não confundir a capacidade de suportar dificuldades com a obrigação de permanecer nelas.
“O que por vezes chamas de segurança é apenas o lugar onde aprendeste a sobreviver com pouco. E tu mereces mais que uma vida inteira tentando caber num espaço pequeno demais para quem pode ser e crescer muito mais.”
Na despedida, o padre deixou uma saudação aos seguidores: “Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração 🙏 ❤️ 🍀”.
