Pedro Chagas Freitas dedica texto a Ana Paula Renault: “Por favor, continua a não caber”, assinalou.
Mensagem pública elogia coragem e frontalidade
Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para partilhar um texto dirigido a Ana Paula Renault. A publicação, escrita em tom de agradecimento, destaca a postura firme da comunicadora perante críticas e rótulos.
Logo no início, o autor deixa clara a intenção da mensagem:
“Ana:
Escrevo para te agradecer.
Obrigado.”
“Por não seres bem comportada”
Ao longo do texto, Pedro Chagas Freitas sublinha aquilo que considera ser a coragem de Ana Paula Renault em não se moldar às expectativas sociais.
“Por não seres bem comportada quando se exige que uma mulher seja agradável antes de ser honesta.”
Além disso, valoriza a recusa em suavizar posições para agradar.
“Por não maquilhares a tua verdade com a doçura protocolar que tranquiliza as consciências.”
O escritor destaca ainda a frontalidade nas relações pessoais:
“Por não dizeres “bom dia” a quem sabes que te despreza.”
Crítica aos rótulos e à “narrativa tradicional”
No texto, o autor reflete sobre as críticas dirigidas à comentadora, defendendo que a hostilidade resulta do desconforto que provoca.
“Pela coragem. O ódio que recebes não vem dos palavrões que aqui e ali dizes, não vem da tua reacção aqui e ali mais intempestiva, tão humana. O ódio vem do medo. O ódio vem sempre do medo.”
Mais à frente, aponta para aquilo que considera ser uma expectativa contraditória imposta às mulheres:
“Tu não representas a narrativa tradicional. Querem que as mulheres sejam simultaneamente fortes e suaves, inteligentes mas não ameaçadoras, críticas mas simpáticas, independentes mas submissas.”
“Chamam-te arrogante”
O escritor defende que a exposição de comportamentos e dinâmicas gera reações adversas.
“Quando alguém expõe o mecanismo, o mecanismo reage. Chamam-te arrogante. Chamam-te prepotente. Chamam-te soberba. Chamam-te mal-educada, desumana. O que eles querem é domesticar mulheres que não baixam os olhos. São rótulos disciplinadores. O objetivo é reduzir-te: encolher-te.”
Além disso, deixa uma reflexão sobre a cordialidade social.
“Vieste mostrar a bondade encenada: a cordialidade compulsiva é uma estratégia de sobrevivência, a simpatia constante pode ser uma forma refinada de mentira. As verdadeiras bestas safam-se sempre. São perigosos porque não parecem perigosos.”
“Por favor, continua a não caber”
Por fim, Pedro Chagas Freitas encerra a mensagem com um apelo à autenticidade.
“Por perturbares. Perturbar é necessário. A tua liberdade expõe a prisão alheia.
Obrigado.
Por não seres perfeita; por seres inteira.
Obrigado.
Por favor, continua a não caber. Acho que é assim que se alargam os espaços.”
Dessa forma, o autor assume uma posição pública de apoio a Ana Paula Renault, valorizando a sua postura e reforçando a importância da liberdade de expressão e da autenticidade no espaço mediático.
Veja a publicação AQUI.
