Pedro Chagas Freitas emociona ao escrever sobre Plutónio: “A fama pode dar-te casas novas; as memórias dão-te chão”

Pedro Chagas Freitas emociona ao escrever sobre Plutónio: “A fama pode dar-te casas novas; as memórias dão-te chão”, disse.

Um retrato íntimo de Plutónio pelas palavras de Pedro Chagas Freitas

O escritor Pedro Chagas Freitas partilhou nas redes sociais um texto inspirador sobre o percurso de Plutónio, um dos nomes mais marcantes da música portuguesa contemporânea. Com a sensibilidade que o caracteriza, o autor traçou um retrato comovente da vida e da essência do rapper, nascido João Ricardo Colaço.

Logo no início, o escritor recordou as origens humildes do artista:
“Ele era o mais novo de oito irmãos. A família deixou Moçambique para fugir à guerra. Foi para o bairro da Cruz Vermelha, em Cascais. Ouvia Bob Marley com a irmã, olhava muitas vezes para o poster de Tupac que estava no quarto do irmão.”


“Algumas das grandes revoluções começaram num quarto pequeno”

Pedro Chagas Freitas descreveu o início da jornada artística de Plutónio como uma transformação silenciosa, nascida das memórias da infância e da força das suas raízes.
“A infância é um punhado de imagens que acabam por decidir quem somos. Algumas das grandes revoluções começaram num quarto pequeno, silencioso. A dele foi assim. Tornou-se Plutónio. Não mudou só o nome; operou a metamorfose. O bairro sempre lá. Era mais do que cenário: era, é, estrutura óssea.”

Com uma frase marcante, o escritor resumiu a essência da identidade do músico:
“Somos o que temos por dentro do que amamos, só isso.”

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“A fama pode dar-te casas novas; as memórias dão-te chão”

O autor lembrou que foi no bairro que o artista gravou o seu primeiro álbum, ainda sem recursos, mas cheio de determinação.
“Gravou o primeiro disco ali, sozinho, entre aquelas paredes que o conheciam tão bem. A música espalhou-se. Hoje enche as maiores salas do país.”

Pedro Chagas Freitas destacou também o feito histórico de Plutónio com o seu mais recente trabalho:
“O seu ‘Carta de Alforria’ foi o disco português mais ouvido num único dia no Spotify.”

Embora a fama o tenha levado a novos lugares, o escritor sublinhou a ligação inquebrável do rapper às origens:
“Já não mora no bairro. Volta lá todas as semanas. Família, amigos, barbeiro, raízes. A fama pode dar-te casas novas; as memórias dão-te chão.”


“É no barbeiro do bairro que ele volta a reconhecer-se ao espelho”

Pedro Chagas Freitas terminou o texto refletindo sobre a dualidade do sucesso e a importância das origens:
“O sucesso é sempre ambíguo: liberta-te e aprisiona-te. O bairro moldou-lhe a alma. O mundo deu-lhe palco, um novo nome, há quem diga que uma nova identidade. Eu acho que não. Eu acho que é no barbeiro do bairro que ele volta a reconhecer-se ao espelho.”

Veja a publicação AQUI.

Foto: D.R. / Facebook Pedro Chagas Freitas

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