Pedro Chagas Freitas emociona-se com Alexandre Quintas: “A humanidade salva-se assim”

Pedro Chagas Freitas emociona-se com Alexandre Quintas: “A humanidade salva-se assim”, considerou o escritor.

Há gestos que não precisam de palco para se tornarem maiores do que a notícia. Alexandre Quintas, o padeiro que salvou duas crianças francesas abandonadas numa estrada em Alcácer do Sal, tornou-se um desses rostos.

Depois de ter sido distinguido com o prémio honorário “Herói CM”, pelo grupo Medialivre, o homem voltou a emocionar Portugal ao falar na CMTV. Agora, foi Pedro Chagas Freitas quem lhe dedicou uma mensagem pública.

Pedro Chagas Freitas celebra a bondade de Alexandre Quintas

Nas redes sociais, esta sexta-feira, 22 de maio, o escritor reagiu ao gesto de Alexandre Quintas e à forma como este falou dos dois menores.

Pedro Chagas Freitas partiu de uma frase do próprio padeiro, que admitiu ser capaz de adotar as crianças, para escrever uma homenagem carregada de humanidade.

Meu caro Alexandre Quintas, “Era capaz de adotar os dois meninos”. Esta sua frase fez-me querer abraçá-lo. Não a vejo como sentimentalismo de algibeira; vejo-a como o mais antigo dos instintos: proteger. Há homens e mulheres que passam a vida inteira sem alguma vez pronunciar uma frase tão humana”, começou por escrever.

Assim, o autor fez questão de transformar a imagem de Alexandre num símbolo de bondade. Para Pedro Chagas Freitas, este é o tipo de pessoa que devia ser conhecido pelo país.

Coloquei aqui a sua imagem porque quero que a bondade seja conhecida. Acredito que só as boas pessoas deviam ser famosas. Muitos pensam que os maiores heróis do mundo usam capa e máscara. Quero que saibam que não; quero que saibam que é assim que são os que fazem a diferença: pessoas como nós, ou como nós deveríamos ser. Juro que tento, juro. Agradeço-lhe. Na salvação das duas crianças, salvou mais do que isso. Salvou uma espécie de construção da humanidade; ajudou a reconstruir aquilo que vemos como super-poder. Não é coisa pouca, acredite”, acrescentou.

“A vontade de oferecer abrigo”

Na mesma reflexão, Pedro Chagas Freitas alargou o olhar para uma sociedade que, muitas vezes, vive fechada sobre si própria. O escritor falou de cansaço, isolamento e incapacidade de olhar para a dor dos outros.

Depois, colocou o gesto de Alexandre Quintas no lugar oposto: o de quem parou para cuidar.

Estamos todos cansados, Alexandre. Estamos todos perdidos vezes demais. Grande parte de nós não sabe muito bem para que serve. Estamos afogados no individual, no prazer privado, na gestão eficiente do próprio sofrimento, não sabemos olhar uns para os outros. Há tantos adultos isolados, emocionalmente esgotados, incapazes de carregar seja quem for além de si próprios, derrotados. O senhor mudou isso, acredite. Numa estrada portuguesa, um homem comum interrompeu o movimento normal do dia para cuidar de duas crianças desconhecidas. A humanidade salva-se assim, sempre assim: quando pessoas concretas decidem que o sofrimento do outro lhes pertence temporariamente. Acho que a ideia básica de civilização é essa: a vontade de oferecer abrigo”.

Uma vénia ao homem que comoveu Portugal

Alexandre Quintas foi distinguido por Carlos Rodrigues, Diretor-Geral Editorial do grupo Medialivre, com o prémio honorário “Herói CM”. Na entrevista à CMTV, não conteve a emoção ao recordar os dois irmãos.

Pedro Chagas Freitas terminou a publicação com uma homenagem direta ao padeiro. E, pelo caminho, deixou uma crítica à forma como a sociedade escolhe, muitas vezes, quem coloca em destaque.

Meu caro Alexandre, escrevo-lhe para o celebrar. Espero que muitos o celebrem. Duvido. A sociedade prefere celebrar milionários brutamontes ou influenciadores com ideias da idade da pedra. Escrevo-lhe para o celebrar. Naquele dia, numa estrada, o senhor ensinou-nos aquilo que nos define enquanto pessoas: salvarmos uns aos outros. Suspeito que é para isso que servimos. Com respeito absoluto, e com uma vénia”.

Desta forma, Pedro Chagas Freitas juntou-se à onda de reconhecimento público a Alexandre Quintas. Não apenas pelo resgate das duas crianças, mas pelo que esse gesto voltou a lembrar: a humanidade ainda pode começar num abraço, numa estrada e numa decisão simples de não virar a cara.

Veja a publicação AQUI.

Destaques

Nena antes do Rock in Rio: “No dia 1 de Outubro sai o meu novo disco”

Nena antes do Rock in Rio: “No dia 1...

Maninho depois do Rock in Rio: “Estou a viver o sonho”

Maninho depois do Rock in Rio: “Estou a viver...

Bárbara Bandeira trouxe os sucessos ao Palco Super Bock do Rock in Rio Lisboa

Bárbara Bandeira trouxe os sucessos ao Palco Super Bock...

NAPA trouxeram doçura e pertença ao Palco Super Bock do Rock in Rio Lisboa

NAPA trouxeram doçura e pertença ao Palco Super Bock...
Publicidade
Alojamento Web

Reportagens

Artigos relacionados