Pedro Chagas Freitas reage ao caso das crianças abandonadas em Alcácer do Sal: “A infância inteira cabe nesta frase”, disse.
Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para refletir sobre o caso das duas crianças abandonadas pela mãe e pelo padrasto, numa publicação marcada pela indignação, pela tentativa de encontrar empatia e pela valorização do homem que parou para ajudar.
O escritor partiu da frase que terá sido dita aos menores — a ideia de que iam procurar um brinquedo — para sublinhar a dimensão emocional do abandono.
A confiança das crianças no centro da reflexão
Na publicação, Pedro Chagas Freitas começa por olhar para o episódio a partir da inocência dos dois menores. Para o autor, a confiança dos filhos nos pais torna o caso ainda mais difícil de aceitar.
“Disseram-lhes para ir procurar um brinquedo. A infância inteira cabe nesta frase. Os filhos confiam nos pais. Há neles a beleza perigosa da obediência inocente.
Espero que não tenham deixado de ser crianças. Há poucas coisas mais trágicas do que perder a infância para o medo.
Enquanto os dois miúdos vagueavam entre o mato e a estrada, a mãe e o padrasto bebiam numa esplanada em Fátima.
“Pareciam perfeitamente normais.”
Claro que pareciam. O horror usa máscara, compra tabaco, escolhe sobremesas, pergunta a password do Wi-Fi. Quem faz monstruosidades podem ser apenas adultos exaustos, perdidos, narcísicos, incapazes, perigosos. As crianças tinham mochilas, roupa,fruta, água. Foi um abandono organizado, preparado.
Tenho dificuldade em encontrar a empatia no meio disto tudo.
Estou a tentar, prometo. Não sei se vou conseguir.
Mas escrevo para olhar para o lado bonito: um homem parou o carro. Um desconhecido viu duas crianças a correr, a chorar. E parou. Quis saber.
Parabéns a este homem lindo, parabéns aos dois miúdos. Que história de adaptação têm para contar. Protegeram-se, cuidaram-se, amaram-se.
Sou vosso fã, campeões.
Queria muito ter empatia por esta mãe, por este padrasto.
Estou a tentar, prometo. Não sei se vou conseguir.”
O “lado bonito” no meio da tragédia
Apesar da dureza da reflexão, Pedro Chagas Freitas procurou destacar o gesto de quem não virou a cara. O escritor centrou parte da mensagem no homem que parou o carro ao ver as crianças a correr e a chorar.
Assim, a publicação não ficou apenas na condenação moral do abandono. Também abriu espaço para a ideia de proteção, cuidado e responsabilidade perante o sofrimento alheio.
Dois irmãos tratados como “campeões”
Além de elogiar o homem que encontrou os menores, Pedro Chagas Freitas deixou palavras de admiração às próprias crianças.
O autor destacou a forma como os dois irmãos se protegeram e se acompanharam num momento de medo. Por isso, chamou-lhes “campeões” e assumiu-se fã da resistência que demonstraram.
Desta forma, a publicação junta revolta e ternura. Entre a dificuldade em sentir empatia pelos adultos envolvidos e a vontade de preservar a infância das crianças, Pedro Chagas Freitas transformou o caso numa reflexão sobre confiança, abandono e humanidade.
Veja a publicação AQUI.


