Raquel Coelho quebra o silêncio sobre a morte de Maycon Douglas: “Quero pôr um ponto final nos rumores”, disse.
A dor da perda e o peso da exposição pública levaram Raquel Coelho a falar pela primeira vez. Um mês depois da morte de Maycon Douglas, a jovem decidiu contar a sua versão dos factos numa entrevista à TV 7 Dias, com um objetivo claro: travar especulações e esclarecer o que realmente aconteceu.
Uma decisão difícil para travar rumores
Antes de mais, Raquel assume que não queria tornar o sofrimento público. Ainda assim, a pressão mediática acabou por ditar a escolha.
“Não é de todo fácil, mas estou a fazê-lo com o objetivo de talvez pôr um ponto final na história, é o meu desejo desde o início. Já passou um mês e todos os dias temos que acordar, eu, a mãe dele, toda a gente, e ler notícias, muitas delas que não correspondem à verdade”.
Além disso, considera que a constante divulgação de teorias só agrava o luto.
“Isso não ajuda em nada. Já basta aquilo que estamos a passar. Acho que todo este fator noticioso não ajuda e estou a falar precisamente para ver se consigo de alguma forma ajudar a terminar o assunto”.
Um luto vivido antes da confirmação
Entretanto, a jovem descreve o processo emocional como irreal. A idade de ambos tornou tudo ainda mais difícil de aceitar.
“Tem sido completamente irreal, ninguém conta perder a pessoa que ama aos 25 anos”.
Por outro lado, recorda que o pressentimento surgiu dias antes de qualquer confirmação oficial. A ausência de contacto levantou suspeitas imediatas.
“Comecei a fazer o luto, honestamente, no dia 31 de dezembro. Nesse dia eu já sentia que algo de muito mau tinha acontecido porque ninguém conseguia falar com o Maycon e ele não falta ao trabalho”.
Depois, o alarme soou quando o cantor falhou um compromisso profissional.
“Soube que ele não apareceu ao sound check na Quarteira, o que era impossível, especialmente na passagem de ano, que é uma altura muito importante para ele. E ele estava super entusiasmado”.
Conhecendo bem o companheiro, garante que tal comportamento não era habitual.
“Ele era incapaz de deixar as pessoas que ama num pranto, a achar que aconteceu alguma coisa e ele estar num carro algures, seria impossível”.
Finalmente, a confirmação chegou no dia seguinte.
“Desde o dia 31 que comecei a fazer o meu luto, e depois no dia 1, quando apareceram os destroços do carro no farol, caiu-me tudo e confirmou-se o meu pensamento”.
Teorias rejeitadas e explicações pessoais
Entretanto, Raquel respondeu às versões que ligam uma discussão do casal ao desfecho trágico. Para si, decisões extremas não nascem de um único momento.
“Eu acredito que uma pessoa, quando faz isto, tem que ter muita coisa para trás. Nunca imaginei mesmo que isto fosse uma hipótese para ele. Nunca”.
Além disso, afasta a ideia de planeamento.
“Não acredito que tenha sido algo planeado previamente para fazer naquela noite, acredito que ele teve muitas coisas difíceis pelas quais passou na vida, como muitos de nós temos, que tinha muitas mágoas e revolta dentro dele e, naquele momento, vejo tudo ao de cima”.
Quanto aos alegados ciúmes, é categórica.
“Não foram ciúmes, isso é completamente mentira, mas também prefiro não avançar o que aconteceu, pormenores. Não tenho que justificar isso a ninguém, quem esteve connosco nessa noite sabe, as autoridades e a quem de direito sabem o que aconteceu. Estava tudo bem, até irmos embora”.
Relação com a família e memórias guardadas
Por respeito, evita comentar a relação com a mãe do cantor.
“Em relação à mãe dele não vou mesmo falar. O desejo dela é não falar e não o vou fazer por ela”.
Ainda assim, confirma que o contacto existe, de forma discreta.
“Eu já tive contacto com ela depois disto tudo. Neste momento, sei que ela quer estar mais resguardada e tenho sabido como ela está através do melhor amigo do Maycon”.
Para enfrentar a ausência, mantém objetos pessoais do namorado.
“Para já, decidi manter as coisas dele comigo, guardadas, faz-me sentido e faz-me sentir bem neste momento. Relativamente ao futuro logo saberei como lidar. São roupas e objetos pessoais”.
E há uma marca permanente.
“A única coisa que mantenho sempre comigo é a tatuagem que fiz, que me faz sentir que o trago sempre comigo”.
A polémica exposição pública de Renata Reis
Por fim, Raquel falou sobre a presença mediática de Renata Reis, ex-companheira de Maycon, durante as buscas. Apesar das críticas nas redes sociais, prefere não alimentar conflitos.
“Não devemos julgar ninguém pela forma como se faz o luto. Compreendo e aceito que eles foram parte da vida um do outro, há algum tempo, compreendo como é lógico que ela esteja a sofrer, é uma pessoa de quem ela gostou, e ele gostou dela, é óbvio que ela está a sofrer, agora a maneira como cada um expõe e partilha o sofrimento já vai na consciência de cada um e eu não sou ninguém para julgar. Eu não sou ninguém para julgar”.
Ao mesmo tempo, esclarece que a sua discrição online não significa ausência.
“As pessoas têm formas diferentes de agir, lá porque eu não partilho nas redes sociais tudo o que estou a fazer, não significa que não tenha estado a acompanhar de perto e a ajudar em tudo o que podia desde o início”.
Por último, aponta o peso do fanatismo em torno de narrativas televisivas.
“Não a culpo por nada, aquilo que eu compreendo é que de facto há uma quantidade enorme de pessoas que seguem um reality show, que ficam vidradas nisso, e numa história de reality show que já não existe na vida real há muito tempo. Essas pessoas têm dificuldade em dissociar o reality show para acreditar na narrativa verdadeira. Mas eu também não estou aqui para tentar destruir narrativas, eu sei a verdade, o Maycon sabe a verdade, as pessoas próximas também e é isso que interessa”.
Assim, a entrevista surge como um apelo à empatia. Mais do que respostas, Raquel quer silêncio, respeito e espaço para viver o luto longe dos ruídos públicos.

