Renato Seabra assumiu homicídio de Carlos Castro em tribunal: «Algo se apoderou de mim»

Renato Seabra assumiu homicídio de Carlos Castro em tribunal: «Algo se apoderou de mim», afirmou.

A série documental «Portugal Criminal», da SIC, recuperou os bastidores do crime cometido num hotel de Nova Iorque e as declarações do antigo modelo antes de conhecer a pena.

O homicídio de Carlos Castro voltou a ser abordado pela SIC na série documental «Portugal Criminal». A produção recordou o crime cometido em janeiro de 2011, num quarto do Hotel InterContinental, em Nova Iorque, e recuperou o depoimento prestado por Renato Seabra às autoridades e perante o tribunal.

O antigo modelo admitiu ter matado o cronista social, embora tenha afirmado não conseguir explicar o que o levou a agir daquela forma.

Inspetor recorda explicação dada por Renato Seabra

Rick Tirelli, inspetor que ouviu Renato Seabra após o crime, recordou a explicação apresentada pelo jovem para justificar os atos cometidos no quarto de hotel.

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“Ele sentia que já não queria ser homossexual e que tinha demónios dentro de si, e que a única forma de se livrar desses demónios era fazer aquilo ao Sr. Castro”, relatou.

Esta foi a versão transmitida pelo inspetor sobre aquilo que Renato Seabra lhe disse após o homicídio, não tendo sido aceite pelo júri como motivo para afastar a sua responsabilidade criminal.

Pedido de perdão à família de Carlos Castro

A produção da SIC recuperou também as palavras proferidas por Renato Seabra em dezembro de 2012, durante a sessão em que conheceu a sentença. Perante o tribunal, começou por dirigir um pedido de desculpa às pessoas próximas da vítima.

“Quero apenas aproveitar a oportunidade para pedir perdão à família e aos amigos de Carlos Castro”, declarou.

Renato Seabra não contestou a autoria do crime e assumiu diretamente a responsabilidade pela morte do cronista social.

“Matei Carlos Castro, não quero dizer o contrário. No momento em que entrei no quarto, naquele dia, algo se apoderou de mim”, afirmou.

O antigo modelo alegou que nunca tinha demonstrado comportamentos agressivos e que não existira qualquer discussão anterior com Carlos Castro que permitisse antecipar o que aconteceu.

“Eu nunca fui agressivo antes, nunca tive qualquer discussão com o Carlos. Naquele dia não sei o que se apoderou de mim. Não entendo a forma como as coisas aconteceram, nem consigo entender porquê”, acrescentou.

Renato Seabra foi condenado por homicídio em segundo grau a uma pena mínima de 25 anos e máxima de prisão perpétua, depois de o júri ter rejeitado a tese de inimputabilidade apresentada pela defesa. A sentença foi conhecida a 21 de dezembro de 2012. A condenação foi então noticiada pela Associated Press.

«Aceito qualquer pena»

No final da declaração, Renato Seabra disse aceitar a decisão que viesse a ser tomada pelo juiz, por reconhecer que tinha cometido o crime.

“Aceito qualquer pena que o juiz me vier a aplicar porque cometi o crime. E agora só Deus sabe o que aconteceu naquele dia”, concluiu.

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