Slow J cruzou mundos no Sol da Caparica

Slow J cruzou mundos no Sol da Caparica, na noite deste domingo, no festival lusófono que hoje vê terminar esta edição.

Fotografias: Rui Pereira

Slow J passou, este domingo, pelo Sol da Caparica e levou ao Palco Via Verde uma linguagem musical que há muito deixou de caber apenas dentro do rap. A atuação estava marcada para as 22h30, depois de MC Paiva e antes de Lon3r Johny, num último dia em que o festival voltou a juntar propostas que pouco têm em comum à primeira vista.

Foi também nesse contraste que a presença de Slow J ganhou força. Pouco antes, o mesmo palco tinha recebido Quim Barreiros, ÁTOA e o funk brasileiro de MC Paiva. Com João Coelho, mudou novamente a linguagem, mas sem necessidade de colocar etiquetas em tudo aquilo que se ouviu.

Slow J habituou o público precisamente a isso. Rap, R&B, soul, eletrónica e raízes africanas foram-se encontrando ao longo de um percurso em que o músico preferiu construir uma identidade própria a escolher uma única gaveta onde pudesse ser colocado. A própria organização do Sol da Caparica apresentou-o como uma das vozes mais influentes da música portuguesa da última década.

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Afro Fado mudou a dimensão de Slow J

Parte do repertório mais reconhecido desta fase nasceu com Afro Fado, editado em 2023. O disco juntou 14 temas e tornou ainda mais evidente uma procura artística que já vinha de trás, aproximando universos que Slow J nunca pareceu considerar incompatíveis.

Tata, Where U @, Sem Ti e Ultimamente são algumas das canções que ficaram associadas a esse período e ajudaram a levar o artista a uma dimensão ainda maior dentro da música portuguesa.

Mas reduzir Slow J a Afro Fado seria também esquecer o caminho feito antes. The Art of Slowing Down ou You Are Forgiven já mostravam um músico interessado tanto na escrita como na produção, sempre com a preocupação de encontrar uma sonoridade que fosse verdadeiramente sua.

Na Caparica, esse percurso chegou a um festival onde a mistura é quase parte da natureza do cartaz.

Um domingo que passou por quase tudo

O último dia d’O Sol da Caparica começou com Quim Barreiros, passou pela pop dos ÁTOA e pelo funk de MC Paiva antes de chegar a Slow J. Lon3r Johny ficou responsável pelo último concerto do Palco Via Verde, já depois da meia-noite.

Vista assim, a sequência até poderia parecer improvável. Na prática, resumiu bastante bem quatro dias em que o festival voltou a assumir a língua portuguesa como ponto de encontro, sem exigir que todos falassem musicalmente da mesma maneira.

Slow J ocupou o seu espaço nesse domingo sem precisar de escolher entre rap, música africana, soul ou qualquer uma das influências que foi trazendo para a sua obra.

Talvez porque essa escolha nunca tenha sido necessária.

Ao fim de mais de uma década de percurso, Slow J já não precisa de explicar exatamente onde cabe.

Cabe onde estiver a música.

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