ÁTOA levaram 12 anos de canções ao Sol da Caparica, no último dia da edição deste ano do festival lusófono.
Fotografias: Rui Pereira

Os ÁTOA passaram, este domingo, pelo Sol da Caparica, num concerto integrado no último dia da edição de 2026 do festival. A banda de Évora subiu ao Palco Via Verde às 19h30, depois de Quim Barreiros e antes de nomes como MC Paiva, Slow J e Lon3r Johny.

Com 12 anos de percurso, o grupo chegou à Costa da Caparica numa fase em que continua a juntar música nova a um repertório que já acompanha uma geração inteira. Temas como Hoje, Sem Ti ou Hora de Ponta fazem parte dessa história, mas os ÁTOA não ficaram presos ao passado e têm procurado manter a identidade da banda em constante movimento.

Uma história que já se canta de memória
Há músicas que acabam por deixar de pertencer apenas a quem as escreveu. Passam para quem as ouviu na altura certa, para quem as cantou no carro, numa festa ou num concerto e, anos depois, ainda sabe onde entra o refrão.
Os ÁTOA já têm várias dessas canções.

Ao longo de mais de uma década, a banda foi construindo um percurso dentro da pop portuguesa sem precisar de grandes ruturas entre fases. Cresceu, mudou e foi acrescentando novas sonoridades, mas mantendo uma ligação muito própria às melodias e às letras que ajudaram a consolidar o projeto.
A passagem pelo Sol da Caparica surgiu precisamente nesse encontro entre aquilo que já é memória e aquilo que ainda está a ser construído.

O grupo chegou ao festival poucos dias depois do lançamento de 112, colaboração com os D.A.M.A., numa altura em que continua a apresentar música nova e a acrescentar capítulos a um percurso que começou há mais de uma década.
Entre o passado e aquilo que ainda está para vir
Essa continuidade ajuda também a explicar porque é que os ÁTOA continuam a fazer sentido num cartaz como o do Sol da Caparica.

Não chegam apenas com o peso das músicas que os tornaram conhecidos. Chegam também com a vontade de não viver eternamente delas.
Em 2026, a banda tem apresentado novos temas, entre os quais Que Se Lixe o Tempo e Mesa Noutro Lugar, procurando aproximar o público que os acompanha desde os primeiros anos de quem os foi descobrindo mais tarde.

Na Caparica, essa mistura de tempos encontrou o espaço certo. Um festival onde cabem diferentes gerações e diferentes formas de fazer música em português acaba também por permitir esse exercício de olhar para trás sem deixar de seguir caminho.

Doze anos depois, os ÁTOA já têm história suficiente para despertar nostalgia.
Mas ainda têm estrada suficiente para não viver dela.

