Tânia Laranjo faz profundo agradecimento após 18 dias na cobertura de tempestades, através das redes sociais.
Um testemunho marcado pelo corpo… e pela alma
Foram quase três semanas sem parar. Agora, com algum distanciamento, Tânia Laranjo decidiu falar. A repórter recorreu às redes sociais este sábado para partilhar um desabafo intenso, depois de uma das coberturas mais exigentes da sua carreira na CMTV.
Apesar de já ter vivido outros períodos prolongados de trabalho, desta vez o impacto foi diferente. “Não foi a primeira vez que trabalhei 18 dias consecutivos, sem uma única folga, e espero que não tenha sido a última. Mas esta foi, sem dúvida, diferente… Diferente no corpo, diferente na alma”, escreveu.
Dias duros sob chuva e vento constantes
Ao longo do texto, Tânia Laranjo descreveu com detalhe as condições adversas enfrentadas no terreno. Não como queixa, mas como retrato fiel da realidade. “Foram dias longos, intensos, exigentes. O mau tempo não dava tréguas. A chuva era constante, persistente, teimosa”, recordou.
Segundo a jornalista, os elementos pareciam testar limites. “Batia-nos no rosto como se quisesse testar a nossa resistência. O vento puxava-nos do lugar, desafiava-nos a cada passo”, acrescentou.
O cansaço que vai além do físico
Com o passar dos dias, o desgaste tornou-se profundo. “A chuva entrava-nos na roupa, colava-se à pele, parecia infiltrar-se nos ossos”, confessou. Porém, o frio não era apenas exterior. “Houve momentos em que o frio não era apenas físico – era também o peso do cansaço acumulado”, admitiu.
A responsabilidade constante e a falta de descanso foram companheiras silenciosas durante toda a missão.
A resposta do público mudou tudo
Ainda assim, o centro do seu desabafo foi outro. No meio da dureza, surgiu algo inesperado. “Mas, no meio de tudo isso, houve algo maior. Muito maior. Uma onda de carinho que me envolveu de uma forma que jamais esquecerei”, escreveu.
Tânia Laranjo garantiu que esse apoio foi sentido por todos. “Comigo. Com a minha equipa. Com a CMTV. Sentimos todos o mesmo: que não estávamos sozinhos”, sublinhou.
Gestos simples que ficaram para sempre
A jornalista fez questão de destacar pequenos momentos que ganharam um peso enorme. “Nunca esquecerei os abraços inesperados, apertados, verdadeiros”, partilhou. Houve também “cafés quentes oferecidos como quem diz ‘aguenta, estamos contigo’”.
Entre bolos caseiros, água partilhada e palavras de força, Tânia descreveu uma solidariedade rara. “Pequenos gestos que, em dias de exaustão, se tornam gigantes”, escreveu.
Uma ligação criada fora do ecrã
Outro ponto marcante foram os encontros com quem a acompanhava à distância. “As muitas fotografias com desconhecidos que se aproximavam como se me conhecessem há anos”, contou. Tratavam-na por “tu” e diziam-lhe que fazia parte da rotina familiar.
Essa perceção tocou fundo. “Há algo de profundamente comovente em perceber que o nosso trabalho atravessa ecrãs e paredes”, refletiu.
Quando o jornalismo é presença
No final, Tânia Laranjo deixou uma síntese que vai além da profissão. “Foram 18 dias sem folgar. De cansaço acumulado. De roupa molhada. De noites curtas”, escreveu.
Mas também houve outra face. “Foram 18 dias de humanidade pura. De partilha. De proximidade”, concluiu, deixando uma ideia forte: “O jornalismo não é apenas notícia — é presença. É compromisso. É ligação”.
O agradecimento fechou o desabafo de forma simples e honesta: “Só me resta: Muito obrigada”.
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