Tânia Laranjo mostra lado mais duro de uma cobertura no terreno: «Adormeci enquanto falava», destacou a jornalista.
Foto: Tânia Laranjo – Redes Sociais
Uma fotografia tirada num momento de exaustão acabou por guardar uma das memórias mais honestas de uma cobertura jornalística exigente. Tânia Laranjo recuperou, este sábado, uma imagem ao lado de Inês Zamora Trovisco e contou a história por detrás do registo.
Na fotografia, as duas profissionais aparecem a dormir depois de dias marcados pela falta de descanso e por uma rotina praticamente sem pausas.
Tânia Laranjo começou por olhar para a imagem com humor, admitindo que aquela não era propriamente a fotografia que imaginava guardar de uma cobertura de um terramoto.
“Esta fotografia tem um problema: estamos as duas a dormir. Eu e a Inês. Não é propriamente o retrato que imaginava deixar da cobertura de um terramoto. Parece que nos encontraram abandonadas numa sala de espera.”
Tânia Laranjo revela que adormeceu enquanto falava
A imagem mostra duas jornalistas a dormir, mas a história por detrás dela revela o nível de desgaste acumulado.
Tânia Laranjo recordou os dias passados praticamente sem dormir e com pouco tempo até para comer. O cansaço chegou a um ponto que a própria nunca tinha vivido.
“Já contei como foi: Dias sem dormir, sem horas, quase sem comer. A certa altura aconteceu-me uma coisa inédita: adormeci enquanto falava. Nem fazia ideia de que isso era possível. Pouco depois, a Inês conseguiu adormecer a gravar.”
A jornalista brincou depois com a situação, encontrando humor numa realidade que, no terreno, foi consequência da exaustão.
“Acho que fomos os primeiros jornalistas a fazer pausas para dormir sem dar por elas.”
Mais do que a falta de sono, porém, a fotografia passou a representar para Tânia Laranjo aquilo que viveu com as pessoas que a acompanharam na cobertura.
Camaradagem e gargalhadas em dias de enorme desgaste
Ao revisitar o momento, Tânia Laranjo explicou que o registo ficou guardado por razões muito diferentes da imagem de cansaço que mostra.
A jornalista destacou a equipa, a camaradagem construída durante os dias de trabalho e até as gargalhadas que ainda surgiam quando havia forças.
“No meio de tudo, esta fotografia ficou. Não pela figura triste que fazemos, mas porque me lembra a sorte que tivemos na equipa. A camaradagem, as gargalhadas quando ainda havia forças para rir e o trabalho impressionante da equipa especial da Proteção Civil.”
O relato volta a mostrar o lado menos visível das grandes coberturas no terreno. Entre emissões, deslocações e trabalho contínuo, há também momentos em que o corpo simplesmente deixa de acompanhar o ritmo.
«Talvez seja a mais honesta de todas»
No final da publicação, Tânia Laranjo comparou a imagem com outras fotografias que podem deixar uma ideia mais heroica de quem trabalha em situações extremas.
Nesta, porém, não há qualquer pose. Apenas duas pessoas vencidas pelo cansaço.
“Há fotografias em que parecemos heróis. Nesta parecemos duas pessoas que precisavam desesperadamente de uma almofada.”
E foi precisamente essa ausência de encenação que tornou o registo especial para a jornalista.
“E, curiosamente, talvez seja a mais honesta de todas.”
Depois de revelar recentemente outros episódios vividos em coberturas particularmente exigentes, Tânia Laranjo voltou assim aos bastidores do trabalho jornalístico. Desta vez, através de uma fotografia que não mostra ação, mas conta muito sobre tudo o que aconteceu antes dela.
Veja a publicação AQUI.
