Tânia Laranjo deixa reflexão após reportagem sobre morte da bebé Sofia: «E se fosse eu?», questionou nas redes sociais.
Tânia Laranjo recorreu às redes sociais para partilhar o impacto que sentiu depois de acompanhar uma reportagem relacionada com a morte da bebé Sofia, deixada dentro de um carro em Almada.
A jornalista da CMTV admitiu ter regressado a casa profundamente marcada pelo caso. Na publicação, evitou desvalorizar a responsabilidade envolvida, mas deixou uma reflexão sobre a fragilidade humana e a facilidade com que se condena quem falha.
«Há dores que vêm connosco para casa»
Tânia Laranjo começou por descrever o peso emocional sentido após terminar a reportagem.
«Saí daquela reportagem com um nó na garganta. Não foi a primeira vez que estive perante a dor. Mas há dores que não ficam no local onde aconteceram. Vêm connosco para casa.»
Desde esse momento, uma pergunta passou a acompanhar a jornalista: «Desde então, há uma pergunta que não me larga: e se fosse eu?»
A profissional da CMTV reconheceu que, perante uma tragédia desta dimensão, existe uma necessidade imediata de procurar respostas e responsabilidades.
«É inevitável querer encontrar uma explicação. É quase automático procurar um culpado. Talvez porque acreditar que isto só acontece aos outros nos dê uma falsa sensação de segurança.»
Tânia Laranjo fala sobre a fragilidade humana
Prosseguindo a reflexão, Tânia Laranjo destacou que qualquer pessoa pode falhar num momento em que acreditava ser incapaz de cometer determinado erro.
«Mas a vida tem uma forma cruel de nos lembrar que somos humanos. E ser humano é, por vezes, falhar onde jurávamos que nunca falharíamos.»
Ainda assim, a jornalista fez questão de sublinhar que esta reflexão não retira gravidade ao sucedido, nem elimina a responsabilidade pelo que aconteceu.
«Isto não diminui a dimensão da tragédia. Não apaga a responsabilidade. Muito menos a ausência da Sofia ou a dor insuportável dos pais e dos avós. Há perdas que não têm nome.»
«A facilidade com que julgamos» inquieta jornalista
Além da tragédia, Tânia Laranjo mostrou-se inquieta com a forma rápida como muitas pessoas formulam julgamentos, sem deixarem espaço para qualquer dúvida ou reflexão.
«O que me inquieta é outra coisa. A facilidade com que julgamos sem nos permitirmos um único instante de dúvida. Sem nos perguntarmos se, por trás daquilo que hoje condenamos, pode existir uma fragilidade que também é nossa.»
Por fim, a jornalista encerrou a publicação recuperando a pergunta que ficou depois da reportagem.
«No fim, fiquei apenas com esta pergunta. E talvez ela seja mais difícil do que qualquer resposta: e se fosse eu?»
Veja a publicação AQUI.
