Teatro Garcia de Resende recebe ópera “As Sombras de uma Azinheira”

Teatro Garcia de Resende recebe ópera “As Sombras de uma Azinheira”, no próximo dia 3 de Maio, em Évora.

Depois da estreia em Coimbra, no passado dia 25 de abril, a ópera “As Sombras de uma Azinheira”, inspirada no livro homónimo de Álvaro Laborinho Lúcio, e produzida pela Ritornello AC., apresenta-se em Évora, no próximo dia 3 de maio, às 21h30, no Teatro Garcia de Resende.


A noite de 25 de abril de 1974 é o ponto de partida para esta ópera que nos dá a conhecer Catarina, João Aurélio e Honório. Entre eles, tantas outras vidas são tocadas, testemunhadas, ou simplesmente intuídas.

“As Sombras de uma Azinheira” é uma ópera em três actos, num total de 12 cenas. O libreto é da autoria de Eduarda Freitas, baseado no romance homónimo de Álvaro Laborinho Lúcio, a música é composta por Amílcar Vasques-Dias. A encenação está a cargo de Mário João Alves, é levada à cena pelo quinteto Ritornello: Violinos: António Ramos e Clara Dias, Violeta: Diana Antunes, Violoncelo: Rogério Peixinho e Contrabaixo: Júlia Miranda, com direção musical de António Ramos.  Os solistas são Tânia Ralha e André Henriques e conta ainda com a participação de Hugo Brito como o homem da rádio (violinista-narrador). A produção é da Ritornello.

Catarina, a personagem principal, nascida a 25 de abril de 74, não gosta do nome que tem nem de celebrar o seu aniversário, tendo uma visão muito própria do que é a liberdade que vive e sente.

O libreto é da autoria de Eduarda Freitas e a música é composta por Amílcar Vasques Dias. A adaptação operática, que conta com dois solistas e um narrador, oferece uma nova perspetiva sobre a narrativa original, explorando os eventos que antecederam e sucederam ao 25 de Abril de 1974.

Eduarda Freitas, responsável pelo libreto, referiu: “Foi um enorme desafio pegar numa história com várias vidas ao longo de 45 anos e fazer a minha leitura e interpretação, sem fugir ao cerne do livro. O libreto não é igual ao livro…é um novo objecto artístico; tive que escolher caminhos, desistir de outros e criar novos. Até porque a ópera só tem 3 personagens, ao contrário do livro que tem muitas mais.”

Álvaro Laborinho Lúcio expressou o seu contentamento com esta adaptação: “Receber a notícia de que o meu livro ia dar origem a um novo objeto artístico não deixou de despertar em mim um sentimento de imenso prazer, traduzido na honra pela aceitação do meu trabalho. Daí, foi com grande aprazimento que, depois, passei do livro à admiração pelo libreto de Eduarda Freitas, louvando a qualidade da obra assim conseguida, consciente da imensa dificuldade que o desafio representava, desde logo, pela redução, a vários níveis, que a transposição criativa teria de impor ao texto inspirador.”

O compositor Amílcar Vasques Dias destacou os desafios musicais da composição: “Compor uma ópera de grande intensidade dramática com apenas cinco instrumentos de cordas… Este foi o maior desafio que se me impôs! Queria que o som de ‘As Sombras de uma Azinheira’ fosse rico, expressivo, complexo, isto é, variado em timbres e em registos instrumentais e vocais, contrastante em dinâmicas, ritmos e tempos. Procurei interpretar em sons o ambiente conturbado da revolução de 25 de Abril de 1974, época que ainda nos marca a todos – particularmente a Catarina, personagem principal da ópera.”

Mário João Alves, o encenador, vê nesta ópera o desafio da maior da criatividade: “Pegar num objecto com estas características tem que ser a tentativa de inventar um dia claro. Tentar desvincular este canto sobre a liberdade de qualquer tempo e espaço, torná-lo canto geral, canto nómada, canto aberto. Três personagens sendo uma multidão. Cinco músicos sendo uma cidade. Todos nós num pequeno espaço tecido pela liberdade de cada um.”

António Ramos e Clara Dias, da Ritornello AC, são unânimes na alegria que esta ópera lhes suscita: “A ideia desta ópera surgiu no contexto das celebrações dos 50 anos do 25 de Abril e do encontro com o livro As Sombras de uma Azinheira, de Álvaro Laborinho Lúcio. A profundidade da obra e a sua reflexão sobre a liberdade e a justiça inspiraram-nos a dar-lhe uma nova dimensão através da música.Percebemos que a sua riqueza simbólica e emocional poderia ser ampliada pela ópera, sem substituir o livro, mas sim elogiando-o. O cruzamento desta ideia com a possibilidade de candidatura ao apoio da DGArtes permitiu concretizar este projeto, reunindo criadores excepcionais para transformar a obra numa experiência artística única e acessível a todos.”

Assim, a 3 de Maio, Teatro Garcia de Resende recebe ópera.

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