Trump anuncia compras chinesas de petróleo, Boeing e soja após encontro com Xi Jinping em Pequim, entre outros temas.
Donald Trump terminou a visita oficial à China com uma mensagem de aproximação a Pequim, mas sem esconder os temas que continuam a separar as duas potências. Depois do encontro com Xi Jinping, o Presidente norte-americano afirmou que a China aceitou comprar petróleo, aviões da Boeing e soja aos Estados Unidos.
A reunião decorreu esta quinta-feira, em Pequim, e juntou as delegações dos dois países no Grande Salão do Povo. Em cima da mesa estiveram comércio, Taiwan, o estreito de Ormuz e o conflito no Médio Oriente.
Petróleo norte-americano nas conversas com Pequim
Em entrevista à Fox News, Trump disse acreditar que Washington e Pequim chegaram a entendimento numa área estratégica: a energia.
“𝗨𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝗲𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗲𝗻𝘀𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘃𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗰𝗵𝗲𝗴𝗮𝗿 𝗮 𝗮𝗰𝗼𝗿𝗱𝗼 é 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗼𝗿𝗱𝗮𝗿𝗮𝗺 𝗲𝗺 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗮𝗿 𝗽𝗲𝘁𝗿ó𝗹𝗲𝗼 𝗮𝗼𝘀 𝗘𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗨𝗻𝗶𝗱𝗼𝘀”, declarou.
Depois, o Presidente norte-americano concretizou a ideia, apontando para vários estados produtores.
“𝗩ã𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗧𝗲𝘅𝗮𝘀. 𝗩𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗲ç𝗮𝗿 𝗮 𝗲𝗻𝘃𝗶𝗮𝗿 𝗻𝗮𝘃𝗶𝗼𝘀 𝗰𝗵𝗶𝗻𝗲𝘀𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗧𝗲𝘅𝗮𝘀, 𝗟𝗼𝘂𝗶𝘀𝗶𝗮𝗻𝗮 𝗲 𝗔𝗹𝗮𝘀𝗰𝗮… 𝗶𝘀𝘀𝗼 é 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗶𝗺𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮𝗻𝘁𝗲”, acrescentou.
Segundo fontes oficiais das duas delegações, ficou ainda assente o reforço da cooperação económica, com o objetivo de “𝗲𝘅𝗽𝗮𝗻𝗱𝗶𝗿 𝗼 𝗮𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲𝘀𝗮𝘀 𝗮𝗺𝗲𝗿𝗶𝗰𝗮𝗻𝗮𝘀 𝗮𝗼 𝗺𝗲𝗿𝗰𝗮𝗱𝗼 𝗰𝗵𝗶𝗻ê𝘀 𝗲 𝗮𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿 𝗼 𝗶𝗻𝘃𝗲𝘀𝘁𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗰𝗵𝗶𝗻ê𝘀” na indústria norte-americana.
Estreito de Ormuz e Irão também dominaram a cimeira
O encontro teve também uma dimensão geopolítica forte. Trump disse ter recebido de Xi disponibilidade para ajudar a reabrir o estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão há seis semanas.
“𝗢 𝗣𝗿𝗲𝘀𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗫𝗶 𝗴𝗼𝘀𝘁𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝘃𝗲𝗿 𝘂𝗺 𝗮𝗰𝗼𝗿𝗱𝗼. 𝗘𝗹𝗲 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲: 𝗦𝗲 𝗲𝘂 𝗽𝘂𝗱𝗲𝗿 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗿 𝗱𝗲 𝗮𝗹𝗴𝘂𝗺𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮, 𝘁𝗲𝗿𝗲𝗶 𝘁𝗼𝗱𝗼 𝗼 𝗽𝗿𝗮𝘇𝗲𝗿 𝗲𝗺 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗿”, contou o líder norte-americano.
A China é o principal importador do petróleo iraniano e mantém relações com Teerão. Trump usou esse dado para explicar a importância do papel chinês.
“𝗩𝗲𝗷𝗮 𝗯𝗲𝗺, 𝗾𝘂𝗮𝗹𝗾𝘂𝗲𝗿 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗿𝗲 𝘁𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗽𝗲𝘁𝗿ó𝗹𝗲𝗼 𝘁𝗲𝗺 𝗼𝗯𝘃𝗶𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗮𝗹𝗴𝘂𝗺 𝘁𝗶𝗽𝗼 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗹𝗮çã𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗲𝗹𝗲𝘀”, comentou.
Ainda segundo Trump, Xi garantiu que Pequim não irá fornecer equipamento militar ao Irão.
“𝗘𝗹𝗲 𝗱𝗶𝘀𝘀𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝗶𝗿𝗶𝗮 𝗳𝗼𝗿𝗻𝗲𝗰𝗲𝗿 𝗲𝗾𝘂𝗶𝗽𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗺𝗶𝗹𝗶𝘁𝗮𝗿… 𝗔𝗳𝗶𝗿𝗺𝗼𝘂-𝗼 𝗲𝗻𝗳𝗮𝘁𝗶𝗰𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲”, disse.
Durante a cimeira, os dois líderes defenderam a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego de hidrocarbonetos sem portagens e um Irão sem armas nucleares, segundo comunicado da Casa Branca.
Antes da deslocação à China, Trump tinha descrito a resposta iraniana à última proposta de paz de Washington como “𝗹𝗶𝘅𝗼” e avisado que o cessar-fogo estava sob “𝗿𝗲𝘀𝗽𝗶𝗿𝗮çã𝗼 𝗮𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗶𝗱𝗮”.
Xi aproxima “revitalização” chinesa do lema MAGA
No banquete de Estado, Xi Jinping procurou colocar as ambições dos dois países num mesmo plano. O Presidente chinês afirmou que a “grande revitalização” da China é compatível com a ideia de “tornar a América grande novamente”, associada ao movimento MAGA de Trump.
Xi defendeu que os dois projetos podem coexistir sem choque direto.
“𝗔𝗹𝗰𝗮𝗻ç𝗮𝗿 𝗼 𝗿𝗲𝗷𝘂𝘃𝗲𝗻𝗲𝘀𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗻𝗮çã𝗼 𝗰𝗵𝗶𝗻𝗲𝘀𝗮 𝗲 𝘁𝗼𝗿𝗻𝗮𝗿 𝗮 𝗔𝗺é𝗿𝗶𝗰𝗮 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲 𝗻𝗼𝘃𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗻ç𝗮𝗿 𝗽𝗹𝗲𝗻𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗲𝗺 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗹𝗲𝗹𝗼, 𝗿𝗲𝗳𝗼𝗿ç𝗮𝗿-𝘀𝗲 𝗺𝘂𝘁𝘂𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗲 𝗯𝗲𝗻𝗲𝗳𝗶𝗰𝗶𝗮𝗿 𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼”, afirmou.
O líder chinês disse ainda que os dois países devem ser “𝗽𝗮𝗿𝗰𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀, 𝗻ã𝗼 𝗿𝗶𝘃𝗮𝗶𝘀”, apesar das divergências. Acrescentou que o mundo está “𝗻𝘂𝗺𝗮 𝗲𝗻𝗰𝗿𝘂𝘇𝗶𝗹𝗵𝗮𝗱𝗮” e que é preciso encontrar “𝘂𝗺𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝘃𝗶𝗮” de “𝗯𝗼𝗮 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗶𝘃ê𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲𝘀 𝗽𝗼𝘁ê𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀 𝗻𝗲𝘀𝘁𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗮 𝗲𝗿𝗮”.
Trump convida Xi para a Casa Branca
O jantar de gala serviu também para Trump deixar um convite formal a Xi Jinping e à mulher, Peng Liyuan.
“𝗧𝗲𝗻𝗵𝗼 𝗮 𝗵𝗼𝗻𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗶𝗱𝗮𝗿 𝗲 à 𝘀𝗲𝗻𝗵𝗼𝗿𝗮 𝗣𝗲𝗻𝗴 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝘃𝗶𝘀𝗶𝘁𝗮𝗿𝗲𝗺 𝗻𝗮 𝗖𝗮𝘀𝗮 𝗕𝗿𝗮𝗻𝗰𝗮 𝗮 𝟮𝟰 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝘁𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼”, disse.
Trump descreveu as conversações como “extremamente positivas e produtivas” e voltou a destacar o peso da relação entre Washington e Pequim.
“𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗰𝗲𝗱𝗼 𝗵𝗼𝗷𝗲, 𝘁𝗶𝘃𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗲𝗿𝘀𝗮𝘀 𝗲 𝗿𝗲𝘂𝗻𝗶õ𝗲𝘀 𝗲𝘅𝘁𝗿𝗲𝗺𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗼𝘀𝗶𝘁𝗶𝘃𝗮𝘀 𝗲 𝗽𝗿𝗼𝗱𝘂𝘁𝗶𝘃𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗱𝗲𝗹𝗲𝗴𝗮çã𝗼 𝗰𝗵𝗶𝗻𝗲𝘀𝗮”, afirmou.
Mais tarde, brindou à “prosperidade da China e dos Estados Unidos” e a um futuro “promissor” para as relações bilaterais. Xi, por sua vez, classificou a ligação entre os dois países como a “relação bilateral mais importante do mundo”.
“𝗧𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗴𝗮𝗿𝗮𝗻𝘁𝗶𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗳𝘂𝗻𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮 𝗲 𝗻𝘂𝗻𝗰𝗮 𝘀𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝗴𝗮”, disse o Presidente chinês.
“O futuro vai ser de cooperação e paz”
No discurso, Trump insistiu na ideia de respeito histórico entre os dois povos. Falou numa relação “muito especial” e evocou “250 anos de comércio e respeito mútuo”.
“𝗔𝗺𝗲𝗿𝗶𝗰𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗲 𝗰𝗵𝗶𝗻𝗲𝘀𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗹𝗵𝗮𝗺 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗺. 𝗩𝗮𝗹𝗼𝗿𝗶𝘇𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗼 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼 á𝗿𝗱𝘂𝗼, 𝗮 𝗰𝗼𝗿𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗲 𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗻𝗾𝘂𝗶𝘀𝘁𝗮𝘀. 𝗔𝗺𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗮𝘀 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮𝘀 𝗳𝗮𝗺í𝗹𝗶𝗮𝘀 𝗲 𝗼𝘀 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗽𝗮í𝘀𝗲𝘀”, declarou.
Depois, acrescentou:
“𝗧𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗮 𝗼𝗽𝗼𝗿𝘁𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗶𝗿 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗲𝘀𝘀𝗲𝘀 𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗿 𝘂𝗺 𝗳𝘂𝘁𝘂𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗽𝗿𝗼𝘀𝗽𝗲𝗿𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲, 𝗰𝗼𝗼𝗽𝗲𝗿𝗮çã𝗼, 𝗳𝗲𝗹𝗶𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝗽𝗮𝘇 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮𝘀 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮𝘀 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗻ç𝗮𝘀.”
À saída da reunião, o Presidente norte-americano resumiu o encontro como “produtivo e positivo” e deixou uma frase de ambição diplomática.
“𝗢 𝗳𝘂𝘁𝘂𝗿𝗼 𝘃𝗮𝗶 𝘀𝗲𝗿 𝗱𝗲 𝗰𝗼𝗼𝗽𝗲𝗿𝗮çã𝗼 𝗲 𝗽𝗮𝘇”, afirmou.
Relações “boas e a melhorar”, apesar das divergências
A visita prosseguiu na sexta-feira com novo encontro entre os dois líderes, desta vez na residência oficial de Zhongnanhai. Trump e Xi passearam pelos jardins antes de se reunirem num pavilhão ornamentado para conversas acompanhadas de chá.
Antes da partida para Washington, Trump insistiu que as relações entre as duas maiores potências mundiais “𝘀ã𝗼 𝗯𝗼𝗮𝘀 𝗲 𝗲𝘀𝘁ã𝗼 𝗮 𝗺𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿𝗮𝗿”.
Nas redes sociais, escreveu ainda que Xi “𝗺𝗲 𝗳𝗲𝗹𝗶𝗰𝗶𝘁𝗼𝘂 𝗽𝗼𝗿 𝘁𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀 𝘀𝘂𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼𝘀 𝗲𝘅𝘁𝗿𝗮𝗼𝗿𝗱𝗶𝗻á𝗿𝗶𝗼𝘀”. Segundo Trump, quando o líder chinês falou dos Estados Unidos como “𝘁𝗮𝗹𝘃𝗲𝘇 𝘂𝗺𝗮 𝗻𝗮çã𝗼 𝗲𝗺 𝗱𝗲𝗰𝗹í𝗻𝗶𝗼”, estaria a referir-se apenas ao período de Joe Biden.
Ainda assim, a visita terminou com uma imagem clara: Washington e Pequim tentam abrir uma fase de cooperação, enquanto continuam sentados sobre divergências profundas. Comércio, energia, Taiwan e Médio Oriente mostram que a relação pode estar a descongelar, mas continua longe de ser simples.


