Victor Espadinha acusa José Eduardo Moniz de censura: “Onde esse gajo estiver eu não trabalho mais”, afirmou.
Victor Espadinha atribuiu parte do seu afastamento da televisão a um antigo conflito com José Eduardo Moniz. Em entrevista à revista TV Guia, o ator e cantor, de 87 anos, acusou o atual diretor-geral da TVI de interferir na escolha de convidados durante a produção de um programa da RTP.
O desentendimento remonta ao período em que Victor Espadinha apresentou Para Variar na estação pública. Segundo o artista, a incompatibilidade tornou-se definitiva depois de alegadas tentativas de impedir a participação de determinadas figuras políticas.
Convite para a RTP prometia liberdade criativa
Victor Espadinha recordou que a oportunidade de apresentar o programa surgiu através de Carlos Pinto Coelho, que lhe terá garantido autonomia sobre o projeto.
“Isso posso contar e não faço segredo. Ele fez-me o pior que me podem fazer. Fui convidado pelo Carlos Pinto Coelho para a RTP e que me disse: ‘Eu vou convidá-lo para fazer um programa e você faz o que quiser’. Assim! Um gajo quando recebe um convite destes pensa: ‘Porra’”, contou.
Contudo, o artista afirmou que a liberdade inicialmente prometida acabou por ser condicionada durante a produção do formato.
Na entrevista, Victor Espadinha relatou que Vítor Pedro, produtor do programa, lhe mostrou indicações que alegadamente recebia sobre os convidados.
“Fiz um programa chamado ‘Para Variar’. (…) E quem era o diretor-geral daquela merda toda? O gajo é sempre diretor-geral, não é nem disto nem daquilo, é geral. O jornalista Mário Lindolfo chamava-lhe ‘o diretor de programas, informação, urinóis e cantina’. O produtor da RTP desse programa, o Vítor Pedro veio mostrar-me os papelinhos que ele lhe mandava: ‘Diga aí ao senhor Victor Espadinha que este gajo não’”, afirmou.
Artista recorda alegado veto a Lucas Pires
Entre os episódios relatados, Victor Espadinha mencionou a suposta oposição à presença de Lucas Pires, figura ligada ao CDS.
O cantor considerou que as restrições impostas à escolha dos participantes constituíam uma forma de censura e explicou que decidiu nunca mais trabalhar com José Eduardo Moniz.
“Era um político e eu não podia convidá-lo. Até me disse que não queria o Lucas Pires do CDS. Eu não podia convidar o homem? Então o gajo fazia censura a tudo. E eu não aguento estes gajos. E quando me vim embora, quando acabei o meu contrato, disse publicamente que onde esse gajo estiver eu não trabalho mais. É um pidesco”, declarou.
As acusações apresentadas correspondem ao relato de Victor Espadinha sobre os acontecimentos. Na informação divulgada, não é apresentada uma reação de José Eduardo Moniz.
Victor Espadinha também criticou situação da TVI
A propósito do atual responsável da estação de Queluz de Baixo, o artista deixou ainda críticas à situação da TVI e fez referência a Mário Ferreira.
“[Ele é] do piorio, só quem lidou com o gajo é que sabe o que ele é. Felizmente está a levar uma cacetada nas audiências. Daqui a nada, o gajo dos barcos [Mário Ferreira] está a correr com ele porque estão a perder dinheiro para caraças”, afirmou.
Além do conflito com José Eduardo Moniz, Victor Espadinha explicou que o afastamento do pequeno ecrã também está relacionado com a falta de identificação com determinados convites.
“Eu tenho um problema com certos sítios para cantar que eu não tenho nada a ver com aquilo. Ir à festa de não sei o quê e cantar músicas só com duas notas, não tenho jeito. Não gosto, nem que me paguem uma fortuna”, concluiu.
