
Serpa: “Estas questões vão ter impacto negativo para o mundo taurino e tudo devido aos boys taurinos que agora existem”, destacou e lamentou Nelson Galhofo, responsável de comunicação de alguns artistas tauromáquicos.
Depois da polémica ocorrida esta manhã, em Serpa, com a recusa do cavaleiro Luís Rouxinol Jr. em actuar no festival taurino, o Infocul.pt contactou Nelson Galhofo, responsável de comunicação de alguns artistas tauromáquicos, para o questionar sobre o impacto que estas situações podem ter na opinião pública.
Recorde-se que Luís Rouxinol Jr. recusou actuar porque “três dos colegas de cartel já tinham as suas reses escolhidas para as respetivas lides, sendo que para os restantes 3 cavaleiros, Manuel Telles Bastos, Rouxinol Jr e Francisco F. Núncio, seria a sorte a ditar a ganadaria“.
Pode ver o comunicado do cavaleiro AQUI
E nesse sentido, lançámos 3 questões a Nelson Galhofo, sobre o que pode isto ditar em termos de opinião pública, para o sector tauromáquico.
Como responsável de comunicação de alguns toureiros, como encara a situação hoje ocorrida em Serpa?
Bem, Rui, honestamente acho que não há outra forma de encarar esta situação, no festival taurino em Serpa, com alguma frustração e de facto nada surpreendente. Mas, nomeadamente, aquilo que são as boas práticas taurinas não são cumpridas. Eu não percebo como é que se vai para uma corrida e chega-se lá e não há sorteio porque 3 dos toureiros já escolheram os touros. Três dos toureiros ou três dos apoderados. De facto, demonstra bem que nós, taurinos e aficionados, estamos a criar uma rede de boys taurinos que não faz sentido algum na tauromaquia e que demonstra para os anti-taurinos aquilo que são as más práticas na tauromaquia. A tauromaquia vive um momento difícil, vil, feito pelos anti-taurinos associações pro-animal e contra pessoas e por partidos políticos, e damos a essas pessoas e entidades a possibilidade de continuarem a achar para além de tudo aquilo que consideram tortura animal e etc, tudo aquilo que dizem relativamente ao mundo taurino. Somos os principais responsáveis a dar oportunidade a essas pessoas para que falem e digam isso. O que nós temos de fazer é cumprir as regras, cumprir tudo o que temos para fazer e saber fazer as coisas. Fazer as coisas é fazê-las bem. Através da sinceridade e da verdade para com os toureiros, ganadeiros, empresários e com todos. A tauromaquia tem de começar a falar para fora, porque o que faz incessantemente é falar para dentro.
Sentes que este tipo de situações, independentemente dos intervenientes, acaba por ter um impacto negativo e até de algum “amadorismo” na opinião pública sobre a tauromaquia?
Claro que isto tem um impacto completamente negativo para a afición e para o mundo taurino. Mas sobretudo para aqueles que se vão aproveitar destas questões. Aqueles que são animalistas, activistas e anti-taurinos vão aproveitar tudo o que há para aproveitar, como é demasiado lógico, para fazer a sua política do ódio à tauromaquia. Mas o principal culpado de tudo, isto é, o aficionado e o taurino. Como é que isto é possível? E acho muito, mas muito bem a forma como o apoderado do Luís Rouxinol Jr. bem como o Luís Rouxinol Jr. se pronunciaram nesta questão sobre o festival de Serpa. Não actuando na corrida e deixando um comunicado nas redes sociais.
Naturalmente que todas estas questões vão ter impacto negativo para o mundo taurino e tudo devido aos boys taurinos que agora existem, que se calhar já existiam há mais tempo. Mas, que nós pessoas aficionadas sem querer nada em troca, fomos reconhecendo ao longo dos tempos. Esta brincadeira tem de parar, e tem de parar de imediato. Isto parece um bando de pessoas que em vez de apoiarem a tauromaquia, são anti-taurinos, porque eles não querem que a tauromaquia sobreviva, eles querem é fazer com que eles sobrevivam. Isto não é correcto e a tauromaquia tem de colocar um ponto final nisto. Os aficionados não podem permitir que isto aconteça.
Em termos de comunicação, como deve ser gerida uma situação destas, quer pelo lesado (o toureiro) quer pelo empresário e até o director de corrida?
Em termos de comunicação é difícil. Porque tudo o que são sites de informação já lançaram o comunicado que saiu do Luís Rouxinol Jr., e reitero as vezes que forem necessárias, que foi muito bem lançado o comunicado. Fez o que tinha de ser feito e foi coerente com os princípios e educação que tem. Mas para a comunicação é uma situação complicada, porque como é que se pode gerir uma situação destas? Isto vai alastrar-se a outros sites de comunicação generalistas, através das mãos dos anti-taurinos. Quem é que ganha com isto? Os anti-taurinos. Quem é que perde? Nós. Mas quem são os maiores responsáveis disto? Todos aqueles que fazem com que estas situações aconteçam. Deixo uma nota breve sobre isto, que me deixa desiludido como aficionado e como responsável de comunicação de alguns toureiros, acho que há duas hipóteses de o mundo tauromáquico se salvar. A primeira é naturalmente falar para fora, mas falar naturalmente bem para fora, não falando mal. E o que aconteceu hoje, dá a possibilidade a que falem mal. Nós próprios, aficionados, estamos a falar mal entre nós. Isto é como um partido político, que tem os seus militantes. Tem de ir procurar votos naqueles que não são militantes. Ou seja, na restante população. E se não consegue falar para fora, porque está constantemente a tentar apaziguar o ambiente interno, faz com que os de fora não se atraiam, que não venham para junto desse partido. E porquê? Então se não arrumam a casa lá dentro, querem arrumar cá fora? E na tauromaquia é exactamente igual. Temos problema na nossa casa, não os podemos esconder. Temos de os resolver dentro da nossa casa e só depois podemos passar uma mensagem taurina para fora. Que é aquilo que não tem acontecido. O que é que de positivo tem este tipo de situações? Nada. Perdem todos: o cavaleiro, o apoderado, o empresário, perdem todos. E depois não se resolvem as coisas com substituições, de não vai um vai outro, não se pode resolver assim. Isto não é carne para canhão.

