Joana França: “Voltei para Portugal e, de repente, as portas abriram-se”, referiu.

Joana França esteve à conversa com Manuel Luís Goucha e falou sobre o seu percurso profissional.
A atriz começou a pisar os palcos desde tenra idade, através do teatro, passando também pela televisão, tudo isto aos 6 anos. Actualmente tem 36.
Aos 22 anos, “parece que todas as portas se fecham”, lembrou.
Joana França já “levava 16 anos de trabalho” e muitos contactos no meio artístico, mas nada parecia estar a resultar.
“Era o tempo da vida para eu criar outro tempo, outra história, aprender e crescer um bocadinho mais”, explicou.
Recordou que foi trabalhar para um call center e voltou a estudar até ao 12.º ano.
Deparou-se com uma rotina com a qual não estava habituada e garantiu que lhe fazia “falta representar”.
“Gosto dos aplausos, como é óbvio. Mas o que eu gosto nos aplausos é que um conjunto de pessoas reuniu recursos e tomou uma escolha de estar ali àquela hora e o privilégio de poder estar ali para alguém e transformar a vida daquela pessoa é transcendente”, disse.
Porém, destacou que lhe fazia “tanta falta este percurso empresarial e, depois, foi sair dali e trabalhar numa direção financeira, numa direção de cobrança”, onde adquiriu ferramentas que a “empoderaram e exponenciaram nos verdadeiros valores do ser humano”.
Descreveu esse período como maravilhoso e de descoberta, no qual continuou a cantar em casinos, bares e em bandas de covers, tendo lançado ainda o seu EP.
“Inicialmente, há uma revolta. O que é que aconteceu? Se calhar, já não saio mais daqui. Há algumas coisas que vou sacrificar, mas, se calhar, vou manter-me aqui”, referiu sobre esse período.
Joana França esteve oito anos afastada da representação, mas uma ida à Broadway, nos EUA, levou-a a repensar a sua carreira de atriz.
“Se morrer amanhã, vou tão infeliz. Tenho de voltar a tentar. Posso fazer o caminho de outra forma, mas tenho de lá voltar”, disse, acrescentando que fez de “tudo o que estava ao alcance para poder voltar a fazer arte e, se não acontecesse, está tudo bem”.
Quando regressou dessa viagem, percebeu que a empresa onde trabalhava não lhe iria renovar o contrato e, então, pensou que era a oportunidade perfeita para avançar o que tinha pensado.
Foi aí que viajou para fora, para ganhar ferramentas.
“Pensei: Vou viver para Inglaterra e vou ver o que a vida tem para mim. Foi muito bom o tempo que lá estive. Não fiquei o tempo que tinha projetado. Ia para investir na minha formação, ia para fazer castings, workshops, chegar com outras ferramentas”, descreveu.
Regressou mais cedo a Portugal, devido à morte do avô, e explicou que era aqui que fazia falta, porque a sua família é o mais importante de tudo.
“Já foi bom! Já trouxe muita coisa! Voltei para Portugal e, de repente, as portas abriram-se”, explicou.
