Renato Godinho: “Para onde vai o amor, quando morremos?”, questionou.

Renato Godinho partilhou um emotivo texto sobre o amor em forma de homenagem a Carlos Avilez, que faleceu na passada quarta-feira.
“Para onde vai o amor, quando morremos? Fica cá, nas pessoas que amámos”, escreveu.
“Despediu-se forrado a flores e aplausos, encharcado por lágrimas desamparadas dos que sentem que perderam um pai, mas que mais não podia ser do que um filho. Um menino que amava o palco, como ninguém. Infantil até ao fim”, acrescentou.
“Não me parece um final feliz. Uma caixa. Escura. Soterrada. Sem ponto de luz. Nada. Deixou-se todo em nós. Nos incontáveis que por ele foram tocados, até os que para isso pagaram bilhete. Ali jaz um corpo que albergou um ser iluminado pelo amor ao Teatro, que através dele, amava muitos e muitas. Não se confina em matéria biológica um Homem assim. Por isso, ali jaz uma cápsula inútil”, acrescentou.
“O amor perdurará. Nunca ninguém amou assim, num palco. Fomos muitos nestes dias para suportar o tamanho desse amor. Esta não é uma cadeira gasta. É uma cadeira amada. Os braços empurravam-no para que o corpo fosse esculpir mais um ator, mais um momento. Ele já volta”, continuou.
“Falta-me. Carlos. O Homem-Teatro”, rematou.

