Mizzy Miles leva o hip hop português ao centro d’O Sol da Caparica

Mizzy Miles leva o hip hop português ao centro d’O Sol da Caparica, na noite desta sexta-feira, no palco principal.

Fotografias: Rui Pereira

Se há alguns anos o nome de Mizzy Miles aparecia sobretudo nos créditos de produção, hoje já ninguém precisa de procurar muito para perceber o lugar que conquistou na música urbana portuguesa. Esta sexta-feira, 14 de agosto, essa evolução voltou a ficar à vista no Palco Via Verde d’O Sol da Caparica, onde o produtor e DJ assumiu um dos horários de maior destaque do segundo dia do festival.

Mizzy Miles subiu ao palco às 22h45, sucedendo aos Calema e antecedendo o brasileiro Veigh, responsável por fechar a programação do palco principal já depois da meia-noite.

A posição no cartaz diz também muito sobre o momento que atravessa. Mizzy deixou há muito de ser apenas o homem que junta artistas em estúdio. Criou uma identidade própria, transformou as colaborações numa linguagem e conseguiu fazer com que um projeto liderado por um produtor tenha hoje peso suficiente para ocupar grandes salas e horários nobres de festivais.

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Fim do Nada mudou a dimensão do projeto

Grande parte desse crescimento ficou consolidado com Fim do Nada, álbum de estreia lançado em 2025 e entretanto distinguido com Disco de Platina. O trabalho reuniu uma longa lista de nomes da música urbana e ajudou a transformar Mizzy Miles numa espécie de ponto de encontro entre diferentes gerações e geografias do género.

Europa, com Deejay Telio, Teto e Gson, Estrada, com Slow J e ProfJam, Champions League, com Slow J e Gson, ou Bênção, ao lado de Van Zee e Bispo, fazem parte de um catálogo onde a assinatura de Mizzy se reconhece mesmo quando são outras vozes a ocupar o primeiro plano.

É precisamente aí que reside uma das particularidades do seu percurso. Mizzy Miles não construiu o projeto procurando substituir os artistas com quem trabalha. Fez o contrário: encontrou uma forma de os juntar, cruzar universos e fazer dessas ligações o centro da própria identidade artística.

De um Campo Pequeno esgotado para a Caparica

A chegada ao Sol da Caparica acontece poucos meses depois de um dos momentos mais importantes da carreira. Em fevereiro, Mizzy Miles levou Mizzy Miles & Friends ao Sagres Campo Pequeno e reuniu mais de 20 artistas em palco num espetáculo dedicado ao seu percurso e a Fim do Nada.

O concerto confirmou também que havia público para transportar para uma grande sala aquilo que durante anos foi sendo construído entre estúdios, singles e participações.

Na Caparica, o cenário foi outro. Em vez de uma noite desenhada exclusivamente em torno do seu universo, Mizzy entrou num cartaz que começou com Rich & Mendes, passou por João Pedro Pais e Calema e terminaria com Veigh. Uma sequência improvável em qualquer festival que não tivesse precisamente na diversidade da música em português uma das principais características.

Um produtor que passou para a frente do palco

Mizzy Miles começou como DJ e produtor e foi-se afirmando através da capacidade de aproximar linguagens, artistas e públicos. Atualmente, é apontado como um dos nomes mais relevantes da música urbana nacional, somando temas multiplatinados e uma presença cada vez maior nos principais palcos portugueses.

Também 2026 trouxe continuidade a esse percurso. Além do concerto no Campo Pequeno, Fim do Nada esteve nomeado para Melhor Álbum nos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, enquanto Champions League concorreu a Vodafone Canção do Ano.

O regresso ao Sol da Caparica teve, por isso, um significado diferente daquele das primeiras passagens pelo festival. Mizzy Miles já tinha atuado no evento em 2024, mas regressou agora com outra dimensão, outro catálogo e depois de provar que consegue colocar milhares de pessoas diante de um palco com o seu nome no topo.

Num segundo dia que mostrou várias formas de fazer música em português, o lugar de Mizzy Miles foi o da geração que tornou o hip hop e a música urbana parte indiscutível do centro da indústria. Já não como género convidado para completar um cartaz, mas como uma das razões para o público estar diante do palco.

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