Foi tão grande Buba Espinho no Coliseu de Lisboa, no primeiro de dois concertos neste sábado, que a data ficará registada por longos anos.
Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora
Ao fim de vários anos de carreira, Buba Espinho estreou-se, em nome próprio, este sábado no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
É o carimbo que se adivinhava a um percurso bonito, feito de dúvidas e crescimento, mas acima de tudo de uma genuinidade que Bernardo Espinho, seu nome de nascença, nunca perdeu.
Um concerto que passou em revista o percurso artístico de um jovem bejense, desde o tempo em que começou nos bastidores a acompanhar o pai nos Adiafa, depois subiu a palco com os seus Bubedanas, até ao ponto em que o conhecemos hoje como uma das bandeiras divulgadoras da cultura do Alentejo.
“Esta viagem começou no Alentejo e veio até Lisboa, é uma honra enorme estar aqui. Muito obrigado por terem vindo“, referiu Buba ao público no final da primeira canção, Afã, do repertório dos Adiafa, grupo do qual o seu pai, Luís Espinho, foi um dos fundadores.
[Best_Wordpress_Gallery id=”7639″ gal_title=”Buba Espinho-ColiseuLisboa-2025″]Acompanhado, em palco, por Luís Delgado na bateria e vozes, Rodrigo Correia no contrabaixo, Francisco Pestana nas vozes, Luís Aleixo na guitarra e vozes, Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa e vozes e António Andrade Santos na voz e teclas, Buba proporcionou provavelmente o mais magistral de todos os concertos da sua carreira.
Não por ser no Coliseu de Lisboa, mas pelo turbilhão de emoções vividas e que de forma crua e genuína entregou ao público.
Ou seja, Bernardo chorou, riu, disse piadas, falou das suas emoções, das suas gentes, dos seus pais, dos seus amigos, de tudo aquilo que é parte integrante – e deveras importante – do homem e artista que apenas quer ser feliz a cantar a tradição.
[Best_Wordpress_Gallery id=”7640″ gal_title=”Buba Espinho-ColiseuLisboa-2025-1″]Buba Espinho: o Coliseu de Lisboa acolheu lágrimas de amor
Por outro lado, cada um dos que ali assistiu ao concerto passou por uma sentimental epopeia, que muitas vezes apenas a arte consegue promover.
Por entre os vários convidados que teve: Grupo Coral Infantil de Ourique, Luís Trigacheiro, António Zambujo, Bandidos do Cante ou D.A.M.A – além de vários grupos corais com quem gravou recentemente a icónica moda ‘É tão grande o Alentejo’, há ainda a destacar alguns momentos impactantes.
A homenagem à mãe, infelizmente já não se encontra entre nós, em ‘Rosa Albardeira’, a homenagem ao pai em ‘Afã’ e principalmente na canção ‘O Farol’, o delicado e lagrimante ‘Um dia hei de voltar’, o poderoso ‘O Verão, Alentejo e os Homens’, além do visceral ‘Casa’, rematando com chave de ouro em ‘É tão grande o Alentejo’ no centro do coliseu.
[Best_Wordpress_Gallery id=”7641″ gal_title=”Buba Espinho-ColiseuLisboa-2025-2″]Sem recordar-me exactamente da primeira vez de que vi Buba a actuar – ainda muito nos seus primórdios de artista – é impossível não emocionar com o que desta vez apresentou no palco do coliseu de Lisboa.
Sem truques, servindo a música e entregando-se ao público, tudo o que ali fez foi verdade, as lágrimas que verteu ao recordar um momento duro da sua vida escorreram pelo rosto sem que ele as pudesse controlar, embora ainda tentasse, com o público a receber essa verdade com um fortíssimo aplauso de pé.
O Alentejo, Buba e uma Lisboa iluminada por uma estrela especial
Talvez Buba Espinho não saiba o quão grandioso conseguiu ser neste espectáculo, o tempo irá dar-lhe a real dimensão do que ali apresentou e perceberá que a estrela que lá em cima o guia, certamente sorrirá ao ver o eterno menino já feito um homem e com o público rendido ao infindável talento que emociona quem o ouve.
Nas diferentes dimensões do Amor, a música tem a sua quota importante na forma como vivenciamos esse sentimento ao longo da vida.
Assim, este espectáculo creio que marcará de forma inapagável todos os que ali puderam sentir uma energia poucas vezes sentida. Arrebatador, visceral e transcendental.
[Best_Wordpress_Gallery id=”7642″ gal_title=”Buba Espinho-ColiseuLisboa-2025-3″]Buba Espinho soltou-se e, desta forma, é parte importante da música tradicional portuguesa no presente e no futuro. E sê-lo-á pelo respeito e conhecimento que traz do seu passado.
É, embora apenas com 18 dias cumpridos em 2025, um dos grandes concertos deste ano. Que orgulho para o Alentejo – Beja em particular – ter um artista desta dimensão. E, por suposto, para Portugal inteiro.
[Best_Wordpress_Gallery id=”7643″ gal_title=”Buba Espinho-ColiseuLisboa-2025-4″]Alinhamento:
Afã
Jardim Paraíso
Digo que devo continuar
Ao teu ouvido
Para que quero eu olhos (com Luís Trigacheiro)
Rosa Albardeira (com Luís Trigacheiro e António Zambujo)
Roubei-te um beijo (com António Zambujo)
Gotinha de Água (com António Zambujo e Grupo Coral Infantil de Ourique)
Manina estás à Janela (com Grupo Coral Infantil de Ourique)
Um dia hei de voltar (Bandidos do Cante e Grupo Coral Infantil de Ourique)
Amigos Coloridos (com Bandidos do Cante)
O Verão, Alentejo e os Homens
O Farol
Casa (com D.A.M.A.)
Não é tarde nem é cedo
Os guardas bateram
É tão grande o Alentejo (com grupos corais)
Além disso, impossível não mencionar a profundidade de Luís Trigacheiro, a suavidade de Zambujo, a graciosidade do Coro Infantil (uma palavra meritória para o ensaiador José Diogo Bento), a exuberância dos D.A.M.A. e ainda a frescura e leveza dos Bandidos do Cante (que jovens com futuro incrível).
Por fim, destacar o trabalho de Mário Capucho no som e Hugo Coelho na luz, essenciais para a qualidade do espectáculo apresentado
