Recanto de Moulães: uma casa de família, seis suítes e Monção à porta, explicada pelos proprietários Beatriz e Luís Cunha ao Infocul.pt by ARDglobal.
Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

Há uma casa, há vinho, há receitas que passam de geração em geração e há um pôr do sol que Beatriz Cunha não troca por muitos outros.
O Recanto de Moulães, em Monção, nasceu como casa de família. Em 2022, depois de uma intervenção no espaço, ganhou uma nova vida e abriu-se ao turismo. Hoje, Beatriz e o pai, Luís Cunha, acompanham um projeto que cresceu sem perder a ligação àquilo que sempre esteve ali.
A casa principal tem seis suítes e capacidade para 12 pessoas. Mais recentemente, uma nova unidade permitiu alargar a lotação total para 18 hóspedes.

Luís Cunha recorda o ponto de partida: “Este projeto nasceu em 2022, fruto de uma intervenção num espaço familiar que, neste momento, colocámos a rentabilizar em termos de turismo. Temos um espaço com seis suítes, capacidade para 12 pessoas e uma zona exterior magnífica, com piscina.”
Mas quem chega ao Recanto de Moulães percebe depressa que a conversa não fica apenas nos quartos.

Da cozinha da família para a mesa de quem chega
A gastronomia de Monção está presente na forma como a família recebe. O cordeiro à moda de Monção, as roscas e outras receitas tradicionais fazem parte desse lado mais pessoal da casa.
“Aproveitamos também para divulgar um pouco a gastronomia de Monção. Essencialmente o cordeiro à moda de Monção, as roscas e alguma gastronomia típica que sempre foi feita nesta própria casa, porque é uma casa com uma ligação gastronómica muito grande.”, explica Luís Cunha.

Durante a conversa, a mesa tinha também uma tarte de limão merengada e os papudos.
Beatriz deteve-se na origem dos produtos e nas receitas familiares.
“A tarte de limão merengada é uma tarte que fazemos normalmente aqui. Os limões são colhidos por nós. Estes foram colhidos esta manhã, por isso é mesmo tudo muito fresco.”

Já outras receitas vêm de trás.
“As roscas, assim como os papudos, vêm de uma herança familiar, de uma receita familiar. Não são produzidos por nós, são as próprias pessoas que têm a receita que os fazem.”
E, em Monção, naturalmente, o vinho também entra na conversa.
“Juntamente com um bom Alvarinho e um bom espumante, estas receitas estão na base da nossa casa.”, acrescenta Beatriz.

“As pessoas querem um ambiente tranquilo”
É Beatriz quem está mais ligada à comunicação do projeto e também quem descreve de forma mais direta aquilo que os hóspedes procuram.
Não fala de luxo nem de grandes conceitos. Fala de sossego, família, amigos e tempo.
“O que as pessoas procuram é mesmo um espaço para ficar, onde consigam caminhar, usufruir da piscina e do nosso sunset, que é muito especial. Querem estar em família, estar em grupo, ir até à vila de Monção, aproveitar as vistas para Espanha e os restaurantes. Procuram um ambiente tranquilo, calmo e o mais familiar possível.”

O pôr do sol aparece várias vezes na conversa. Não por acaso.
“O sunset é muito especial porque o sol desce sobre as vinhas. As pessoas conseguem estar na piscina e ver um pôr do sol prolongado, com as vinhas todas em fundo.”
Ao lado da piscina existe também uma zona de barbecue, pensada para quem prefere ficar pela casa ao final do dia.
“Temos um espaço de barbecue junto à piscina. Há bastante espaço para jantar, conviver e estar aqui à vontade.”

A lógica do Recanto de Moulães é, aliás, muito virada para famílias e grupos. Os preços variam consoante a época do ano e a opção escolhida.
Segundo Beatriz, a casa principal, com capacidade para 12 pessoas. A estadia mínima é de duas noites.

A nova geração já está dentro do projeto
Beatriz é a mais nova da família. E o projeto, que começou pelas mãos dos pais, já lhe ocupa uma parte importante do presente.
A expansão da capacidade do alojamento foi um dos passos mais recentes. O outro passa pelo vinho ligado à marca da casa.
“Acho que este projeto tem margem para continuar. Terminámos agora a nova casa e temos também, desde o ano passado, o nosso vinho, que queremos fazer crescer o mais possível.”

Luís Cunha explica que a família decidiu criar uma marca que permitisse reunir diferentes produtos ligados ao espaço e à propriedade.
“Atendendo ao espaço que temos, decidimos formalizar uma marca registada, o Recanto de Moulães. Dentro dessa marca podemos ter vários produtos e um dos produtos que exploramos aqui na quinta é a uva e, naturalmente, o vinho.”
Nesta fase, o vinho não é pensado como um produto de distribuição em larga escala. A intenção está muito ligada à própria experiência de quem fica alojado.

“Neste momento não estamos a comercializar o vinho de forma regular. Temos o vinho como uma maneira de promover o espaço turístico que temos aqui.”
À chegada, os hóspedes podem encontrar vinho da casa para provar.
“Quem fica aqui alojado tem sempre algumas garrafas de vinho como oferta, para degustar quando chega.”

A casa que não nasceu para ser alojamento
O mais curioso é que o Recanto de Moulães não foi pensado, desde o início, como projeto turístico.
A intenção era recuperar uma casa familiar.
“Tínhamos esta casa como espaço de família. A ideia era restaurá-la. Tenho três filhos: o Luís Miguel, que é médico veterinário, o Francisco, que é engenheiro civil, e a Beatriz, que é a mais nova. Nenhum deles estava a pensar nisto.”, conta Luís Cunha.

A mudança veio depois.
“Eu e a Antónia decidimos renovar o espaço como casa familiar. Mais tarde, entendemos dar-lhe uma vertente turística e hoje acho que é uma mais-valia para Monção termos este espaço.”
Luís Cunha sente também que o crescimento do projeto acompanhou a própria evolução turística do concelho.
“Monção cresceu muito nos últimos anos. Nós, dentro daquilo que nos compete, fomos caminhando e melhorando o projeto.”

E resume a relação entre o alojamento e o território numa frase simples:
“Toda a gente que nos visita acaba também por visitar Monção, porque Monção merece.”
Um dia em Monção, visto por Beatriz
Quando a conversa se aproxima do fim, surge o desafio: como mostrar Monção a alguém que chega pela primeira vez?
Luís olha para a recuperação da vila e para a força de eventos como a Feira do Alvarinho.

Beatriz escolhe outro caminho. Um almoço, uma caminhada, amigos, algumas paragens para petiscar e o regresso a Moulães ao final do dia.
“Eu começava por um almoço, depois dava uma caminhada pelos passadiços com o meu grupo de amigos. Fazia algumas paragens para petiscar pelo caminho e, no fim, vinha passar o final da tarde aqui no Recanto de Moulães.”
Talvez seja essa a melhor forma de perceber o projeto.
O Recanto de Moulães cresceu, ganhou quartos, recebeu hóspedes, criou uma marca e abriu espaço para uma nova geração. Mas continua a ser apresentado pela família como uma casa.

Uma casa onde se chega, se come, se bebe um copo de vinho e se vê o sol desaparecer por detrás das vinhas.
Mais informações podem ser consultadas AQUI e AQUI.









