Ministério Público abre inquérito a Numeiro por comentários contra as mulheres, segundo foi revelado à agência Lusa.
O Ministério Público confirmou a abertura de um inquérito relacionado com declarações polémicas proferidas por um criador de conteúdos digitais, Numeiro. Em resposta à agência Lusa, o MP afirmou: “Confirma-se a instauração de inquérito que teve origem em participações recebidas. O mesmo corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.”
Este procedimento surge na sequência de várias queixas, incluindo uma participação formal apresentada pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG). De acordo com a entidade, o visado é o influenciador conhecido como Numeiro, que soma quase um milhão de seguidores nas redes sociais.
Segundo a CIG, o criador digital tem divulgado conteúdos considerados “gravemente desrespeitadores dos direitos das mulheres”, além de espalhar “desinformação sobre o aborto”. As declarações motivaram mais de uma centena de denúncias junto da Comissão.
No sábado, Numeiro publicou na plataforma X (antigo Twitter) uma mensagem que foi rapidamente eliminada pela rede social, após fortes reações. Nessa publicação, o criador acusava as mulheres de usarem o aborto como método contracetivo. As palavras utilizadas foram alvo de particular indignação: “Vocês [mulheres] são só umas p**** que querem levar na c*** sem consequência. Aborto não é contraceptivo.”
Apesar de o Ministério Público não ter revelado o nome do visado, a CIG confirmou tratar-se de Numeiro. A entidade esclareceu que apresentou queixa por declarações que “podem eventualmente configurar discurso de ódio e incitamento ao ódio contra as mulheres, no sentido de apurar eventuais responsabilidades legais”.
Importa sublinhar que esta não é a primeira vez que Numeiro se vê envolvido em polémica. No passado mês de abril, já tinha sido alvo de duras críticas após declarar que “mulher que namora não sai à noite”, frase que também circulou amplamente nas redes sociais e motivou indignação pública.
Neste contexto, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género reforça que continuará atenta a comportamentos online que atentem contra os direitos fundamentais das mulheres. O caso segue agora para análise judicial, aguardando-se a evolução do inquérito conduzido pelo DIAP de Lisboa.
