Jornalista da RTP1 denuncia “exploração da dor” em reportagem polémica da CMTV, através das redes sociais.
Indignação nas redes sociais após cobertura ao funeral de bebé
No último fim de semana, Inês Carranca, jornalista e repórter da RTP1, recorreu ao Instagram para manifestar o seu desagrado com a reportagem transmitida em direto pelo canal CMTV. A reportagem mostrava Patrícia Marques Rodrigues à porta do cemitério onde foi sepultada a sua filha, recém-nascida, que faleceu horas após o parto. A mãe já tinha passado por cinco hospitais nos dias anteriores.
“Isto não é informação, é exploração”
Na legenda da publicação, Inês Carranca foi clara na crítica: “Desculpem mas não pode valer tudo. ‘Ah mas é a CMTV… já devias saber que eles são assim’. Mas não deviam. Isto não é informação. Isto é exploração!”
A jornalista mostrou-se incomodada com a transmissão em direto das cerimónias fúnebres da bebé, considerando que ultrapassou os limites do respeito e da ética jornalística.
O choque da imagem do caixão
Inês Carranca destacou um momento que a deixou particularmente perplexa: “Falo como jornalista que sou. Exploração da dor alheia. A imagem de um caixão minúsculo a sair do carro funerário. O que é isto? Não pode valer tudo”, concluiu, sublinhando a falta de sensibilidade da reportagem.
Debate sobre ética e limites no jornalismo
Este episódio reacende o debate sobre os limites da cobertura jornalística em situações de dor extrema. A partilha do luto nas redes sociais, combinada com a transmissão ao vivo de momentos tão delicados, levanta questões sobre o respeito pela privacidade das famílias em sofrimento.
Por sua vez, a crítica de uma colega de profissão reforça a necessidade de reflexão sobre o papel dos meios de comunicação nestas circunstâncias.
