Cypress Hill param concerto no Rock in Rio Lisboa após fã sentir-se mal no público

Cypress Hill param concerto no Rock in Rio Lisboa após fã sentir-se mal no público, no segundo dia do festival.

Fotografias: Diogo Nora

Nem sempre é uma música que marca a noite.

No caso dos Cypress Hill, a passagem pelo Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa ficou também ligada a um gesto de responsabilidade. Já perto do fim da atuação, este domingo, 21 de junho, uma pessoa sentiu-se mal no meio da multidão. A banda interrompeu o concerto para permitir a intervenção das equipas de socorro.

O momento causou preocupação no Parque Tejo, mas também gerou aplausos. B-Real reparou na situação, pediu espaço para a assistência atuar e a prioridade passou a ser a segurança de quem estava no público.

Apesar de faltar apenas uma música para terminar o alinhamento previsto, os Cypress Hill acabaram por não concluir a atuação como estava planeada. Não foi divulgada uma explicação oficial para o encerramento antecipado. Porém, tudo indica que a interrupção e os horários do festival tenham condicionado o regresso da banda.

A noite começou com braços no ar

Antes desse momento, o grupo de Los Angeles tinha entrado em palco às 21h15, com uma missão exigente. Cabia-lhe aquecer o Palco Mundo antes dos Linkin Park, o concerto mais aguardado do dia.

A atuação arrancou com “How I Could Just Kill a Man”, um dos temas mais emblemáticos dos Cypress Hill. Logo aí, milhares de braços se levantaram no recinto.

Ainda assim, o início não foi totalmente explosivo. Parte do público entrou de imediato no ritmo. Outra parte foi resistindo nos primeiros temas.

B-Real e Sen Dog percorreram a frente do palco e tentaram puxar pelas milhares de pessoas presentes. Logo nos primeiros minutos, B-Real perguntou: 𝗔𝗿𝗲 𝘆𝗼𝘂 𝗳𝗲𝗲𝗹𝗶𝗻𝗴 𝗮𝗹𝗿𝗶𝗴𝗵𝘁?

A resposta inicial foi moderada. Mas os veteranos do hip-hop não se desviaram do caminho. “Hand on the Pump” e “When the Shit Goes Down” mantiveram a assinatura do grupo: batidas intensas, riffs pesados e uma identidade muito própria.

Um nome histórico do hip-hop mundial

Formados em 1988, em South Gate, na Califórnia, os Cypress Hill tornaram-se uma das formações mais influentes da história do hip-hop.

O grupo foi também o primeiro latino-americano do género a alcançar discos de platina e multi-platina. Ao longo da carreira, ajudou a redefinir o som da Costa Oeste norte-americana, misturando rap, guitarras pesadas e uma estética sombria.

O sucesso global chegou em 1993, com o álbum “Black Sunday”. O fenómeno “Insane in the Brain” tornou-se uma das canções mais reconhecidas da história do género.

No Rock in Rio Lisboa, essa herança esteve sempre presente. Mesmo sem grandes encenações visuais, os Cypress Hill apostaram na força dos clássicos, na personalidade dos seus membros e na resistência das suas músicas ao tempo.

O público foi conquistado aos poucos

A viragem começou a sentir-se com mais clareza quando Sen Dog avisou o recinto para a energia que queria ver crescer.

𝗛á 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮 𝗲𝗻𝗲𝗿𝗴𝗶𝗮 𝗮𝗾𝘂𝗶 𝗵𝗼𝗷𝗲. 𝗤𝘂𝗲𝗿𝗲𝗺𝗼𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘀𝗮 𝗲𝗻𝗲𝗿𝗴𝗶𝗮 𝘁𝗼𝗺𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗮 𝗱𝗲𝘀𝘁𝗲 𝗹𝘂𝗴𝗮𝗿. 𝗣𝗼𝗿 𝗶𝘀𝘀𝗼, 𝗾𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮𝘀 𝘀𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼𝗹𝗮𝗿𝗲𝗺, é 𝗺𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗿𝗲𝗺 𝗽𝗿𝗲𝗽𝗮𝗿𝗮𝗱𝗼𝘀.

Depois, “A to the K”, “Illusions” e “Dr. Greenthumb” ajudaram a soltar o público. As cabeças começaram a acompanhar as batidas e a distância inicial foi diminuindo.

B-Real percebeu essa transformação e lançou uma frase para separar estreantes e fiéis.

𝗙𝗮ç𝗮𝗺 𝗯𝗮𝗿𝘂𝗹𝗵𝗼 𝘀𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮 é 𝗮 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝘃𝗲𝘇 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘀𝘁ã𝗼 𝗮 𝗼𝘂𝘃𝗶𝗿 𝗖𝘆𝗽𝗿𝗲𝘀𝘀 𝗛𝗶𝗹𝗹. 𝗣𝗮𝗿𝗮 𝗼𝘀 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀, 𝗯𝗲𝗺-𝘃𝗶𝗻𝗱𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝘃𝗼𝗹𝘁𝗮.

A banda, que não atuava em Portugal desde o MEO Sudoeste de 2018, agradeceu a receção.

𝗣𝗮𝗿𝗮 𝗻ó𝘀 é 𝘂𝗺𝗮 𝗵𝗼𝗻𝗿𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗿 𝗮𝗾𝘂𝗶. 𝗢𝗯𝗿𝗶𝗴𝗮𝗱𝗼 𝗽𝗼𝗿 𝗻𝗼𝘀 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗯𝗲𝗿𝗲𝗺. 𝗝á 𝗽𝗮𝘀𝘀𝗼𝘂 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼.

“Bombtrack” levou o Parque Tejo ao ponto de ebulição

Com “Hits From the Bong”, o concerto ganhou uma nova camada de participação. O público respondeu com palmas sincronizadas e DJ Lord assumiu o protagonismo num dos momentos mais celebrados da atuação.

Pouco depois, “Wacha Trucha”, tema retirado do álbum em espanhol lançado em 2024, voltou a animar o recinto.

Mas a grande descarga chegou na reta final. Antes de uma surpresa, B-Real deixou o aviso.

𝗩𝗮𝗺𝗼𝘀 𝘁𝗼𝗰𝗮𝗿 𝗮𝗹𝗴𝗼 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘃𝗼𝗰ê𝘀. É 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗯𝗮𝗻𝗱𝗮 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗲𝗺. 𝗡ã𝗼 é 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮, 𝗺𝗮𝘀 é 𝗽𝗼𝗱𝗲𝗿𝗼𝘀𝗮.

Segundos depois, os riffs de “Bombtrack”, dos Rage Against the Machine, ecoaram pelo Parque Tejo. A reação foi imediata. Saltos, braços no ar e uma resposta mais intensa do que em muitos momentos anteriores.

A energia manteve-se em “(Rock) Superstar”. As guitarras e os refrões explosivos transformaram o concerto numa celebração coletiva. A banda sentiu a mudança e provocou o público.

𝗘𝘀𝘁ã𝗼 𝗺𝗮𝗹𝘂𝗰𝗼𝘀 𝗮𝗴𝗼𝗿𝗮? 𝗡ã𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗶𝗴𝗼 𝗼𝘂𝘃𝗶𝗿!

Depois, “Insane in the Brain” confirmou o momento mais aguardado. Assim que soaram os primeiros acordes, o público respondeu em uníssono. Mais de três décadas depois, o clássico manteve o mesmo efeito.

A segurança ficou acima do espetáculo

Já na fase final, a interrupção por causa de uma pessoa no público mudou o curso da atuação.

O gesto dos Cypress Hill foi imediato. A banda parou, pediu espaço e deixou que as equipas de assistência fizessem o seu trabalho em segurança. A decisão foi recebida com aplausos e elogiada por muitos espectadores nas redes sociais.

Assim, a noite acabou por ficar marcada por duas forças diferentes. Por um lado, a resistência de um catálogo histórico, com temas como “Insane in the Brain”, “Hits From the Bong” e “How I Could Just Kill a Man”. Por outro, a decisão de interromper tudo quando alguém precisou de ajuda.

Os Cypress Hill chegaram ao Palco Mundo com a responsabilidade de preparar o terreno para os Linkin Park. Começaram perante alguma cautela, conquistaram o público com clássicos e terminaram com um gesto que também diz muito sobre uma banda.

Desta vez, o momento mais forte não foi apenas uma música.

Foi perceber que, no meio do ruído, alguém viu o público.

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