“Sempre fui muito estigmatizado”: Paulo Battista revela como passou do Bairro da Cruz Vermelha ao atelier de luxo em Lisboa

“Sempre fui muito estigmatizado”: Paulo Battista revela como passou do Bairro da Cruz Vermelha ao atelier de luxo em Lisboa, em entrevista à Nova Gente.

Alfaiate recorda infância e juventude marcada por dificuldades

Hoje conhecido pelo seu trabalho junto de figuras públicas, Paulo Battista mantém as raízes bem assentes na realidade que viveu. Cresceu no Bairro da Cruz Vermelha, em condições modestas, e sem imaginar que um dia teria um atelier a poucos metros da Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Apesar do sucesso atual, o alfaiate nunca esqueceu o caminho percorrido. “Nunca. Eu cresci sem pai e a minha mãe era empregada de limpeza, portanto as condições não eram boas”, revelou em entrevista à revista Nova Gente.


Mudança para Madrid foi um momento difícil

Durante a infância, passou um ano em Madrid com a mãe, que procurava melhores condições financeiras. No entanto, a experiência deixou saudades da vida no bairro e da família em Portugal.

“Eu dizia: ‘Mãe, eu adoro-te, mas eu quero ir para o pé da família. Eu respeito, queres continuar cá para poder dar umas condições melhores, tanto para mim como para ti, mas eu quero ir para o pé dos primos e para o pé das minhas tias’”, contou.

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Segundo Paulo, a mãe fazia grandes sacrifícios para o visitar: “Juntava as folgas todas para depois vir cá ver-me. Vinha de camioneta e era uma eternidade para cá chegar”.


Sonho de criança: ser feliz

Ao contrário de outras crianças que desejavam profissões concretas, Paulo tinha um objetivo mais emocional. “Lembro-me daquela conversa de que toda a gente queria ser polícia, bombeiro, astronauta, e eu só dizia que queria ser feliz”, partilhou.

Mesmo em ambiente difícil, sempre teve um sentido de responsabilidade apurado. “Talvez por a minha mãe estar fora. Quando fazíamos as nossas traquinices, eu ia, mas tentava não fazer, porque pensava que a minha mãe ia ficar chateada comigo”.


A tropa marcou um ponto de viragem

A ida para o serviço militar foi decisiva. No início, resistiu à ideia, mas acabou por ver a experiência como libertadora. “Foram seis meses de tropa em Elvas, que me fez desapegar do bairro”, afirmou.

Quando regressou, quis trabalhar logo, mesmo tendo-se inscrito num curso superior. “Vi que não dava e que tinha de ser uma faculdade privada”, explicou.


Desenho industrial estava nos planos

Apesar da forte ligação à alfaiataria, o plano inicial era diferente. “Eu estava numa turma de artes, em que 11 alunos queriam seguir a área da moda, e havia um marreta que não queria, que era eu”, confessou, entre risos. O curso que desejava era Desenho Industrial.

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