Mundial 2026: Cabo Verde trava Espanha, Vozinha vira fenómeno e Bélgica escapa ao Egito

Mundial 2026: Cabo Verde trava Espanha, Vozinha vira fenómeno e Bélgica escapa ao Egito no dia de ontem.

Foto: Instagram de Vozinha

A primeira jornada do Mundial 2026 voltou a provar que a lógica nem sempre entra em campo. Cabo Verde segurou um empate histórico frente à Espanha, Vozinha tornou-se fenómeno mundial nas redes sociais e o Egito voltou a adiar a primeira vitória em fases finais do Campeonato do Mundo.

Além disso, a Bélgica evitou a derrota diante dos egípcios, o Uruguai precisou de reagir contra a Arábia Saudita e a Tunísia tornou-se notícia fora das quatro linhas. Depois da goleada sofrida frente à Suécia, Sabri Lamouchi deixou o cargo.

Vozinha segura Espanha e escreve história por Cabo Verde

Cabo Verde estreou-se em fases finais do Mundial com um resultado histórico. Frente à campeã europeia Espanha, os Tubarões Azuis empataram 0-0 e tiveram em Vozinha a grande figura da noite.

O guarda-redes cabo-verdiano, de 40 anos, somou sete defesas, foi eleito o melhor em campo e não segurou as lágrimas no final. Os colegas abraçaram-no depois de uma exibição que manteve o ataque espanhol em branco durante os 90 minutos.

Além disso, a atuação transformou Vozinha num fenómeno nas redes sociais. Antes do intervalo, tinha cerca de 40 mil seguidores. No final do encontro, já ultrapassava um milhão.

Depois, a subida continuou. Pelas 20h50, o guarda-redes já tinha cerca de dois milhões de seguidores. Às 08h30 de 16 de junho, o número chegava aos 5,8 milhões.

A campanha lançada pela CazeTV ajudou a acelerar o fenómeno. À medida que Vozinha travava as investidas espanholas, a emissora digital incentivou os adeptos a seguirem o guardião.

A história por trás do nome

Josimar José Évora Dias, conhecido no futebol como Vozinha, chegou à sua 90.ª internacionalização por Cabo Verde. Antes, representou clubes como Gil Vicente, Chaves, Progresso, Zimbru Chisinau, AEL Limassol e AS Trencin.

Curiosamente, o nome Josimar nasceu de uma homenagem. O pai era fã de futebol e quis recordar Josimar Higino Pereira, lateral brasileiro que brilhou no Mundial de 1986.

Ainda assim, o desejo inicial era outro: chamar-lhe Valdano, em homenagem ao antigo jogador argentino do Real Madrid. As autoridades cabo-verdianas não permitiram.

Já a alcunha Vozinha não está relacionada com a idade. O próprio explicou a origem em declarações prestadas à UEFA.

“A alcunha é por causa dos meus avós. Eu nunca vivi com os meus pais. Quando nasci, o meu pai estava no serviço militar. E a minha mãe tinha sempre de trabalhar para alguma coisa. Então, cresci sempre com os meus avós. Na minha zona, os rapazes eram muito mais velhos e eu jogava sempre na rua, levando muita pancada”, explicou.

Rodri critica postura de Cabo Verde

Do lado espanhol, Rodri não escondeu a frustração. O médio do Manchester City considerou que a Espanha fez quase tudo bem, menos marcar.

Ainda assim, deixou críticas à forma como Cabo Verde se apresentou em Atlanta.

“Não pôde ser. Há pouco a apontar à equipa. No fundo, sabíamos que ia ser um jogo de paciência. Eles fecharam-se lá atrás muito rapidamente. Nós criámos oportunidades, não conseguimos marcar. No fim de contas, é difícil jogar contra uma equipa tão física e que joga tão recuada. O ponto positivo é que quase não nos criaram perigo e, pronto… agora é tentar melhorar no capítulo da finalização”, começou por dizer.

Depois, questionado sobre a forma de desbloquear este tipo de encontros, Rodri apontou à eficácia.

“Depende da inspiração do jogador, depende de estarmos em tarde sim — isto também é futebol. A equipa tentou, acho que tivemos fluidez. Creio que é uma questão de afinar as ações que fomos tendo, porque contra uma equipa que joga tão na expectativa não vais ter assim tantas oportunidades, e tens de saber que as que tens, tens de as meter lá dentro. É tão simples quanto isso.”

Por fim, foi ainda mais direto sobre a estratégia cabo-verdiana.

“Bem, eles jogam assim. No fundo, não vão passar do meio-campo. No nosso caso, é uma questão de melhorarmos a eficácia. Quanto mais soubermos lidar com este tipo de adversários, melhor.”

A imprensa espanhola também não poupou a seleção. Após o empate, surgiram classificações como “dececionante” e “desastrosa”, enquanto Vozinha foi apontado como o grande herói do resultado.

Bélgica evita derrota contra o Egito

Em Seattle, a Bélgica empatou 1-1 com o Egito, num jogo que deixou os africanos novamente sem vencer em fases finais do Mundial.

O pecúlio egípcio passou a ser de oito jogos, com cinco derrotas e três empates. Ainda assim, a equipa de Hossam Hassan esteve perto de quebrar a maldição.

Na primeira parte, o Egito foi mais forte. Defendeu bem, não deu espaço a Jérémy Doku e criou perigo com organização e coragem.

Depois de uma assistência de Salah, que fazia anos, Ashour marcou um grande golo de fora da área. Antes do intervalo, Zico também ficou perto de festejar, mas Courtois respondeu com uma defesa de enorme nível.

No segundo tempo, a Bélgica cresceu. Kevin De Bruyne começou a comandar o ritmo, Rudi Garcia corrigiu o posicionamento de Doku e lançou Romelu Lukaku.

O avançado do Nápoles precisou de pouco tempo para fazer a diferença. Na primeira intervenção, ganhou no físico e obrigou Hany a marcar na própria baliza.

Até final, ninguém se conformou com o empate. Porém, o 1-1 manteve-se e o Egito voltou a ficar sem a primeira vitória num Campeonato do Mundo.

Uruguai reage tarde contra a Arábia Saudita

Também o Grupo H começou equilibrado. A Arábia Saudita esteve perto de surpreender, mas o Uruguai reagiu e empatou 1-1.

A seleção sul-americana entrou forte e criou perigo logo aos cinco minutos, num remate de Maxi Araújo. Porém, a avalanche esperada nunca chegou.

Aos poucos, a calma saudita adormeceu o jogo. Depois, perto da meia hora, começaram os sinais de perigo nas duas balizas.

Al Owais travou Viñas aos 30 minutos. Muslera respondeu com uma grande defesa a remate de Abdulelah Al Amri, aos 38.

Três minutos depois, o guarda-redes uruguaio ainda defendeu a primeira tentativa de Kanno, mas deixou a bola à mercê do central. A Arábia Saudita aproveitou e fez o 1-0.

Ao intervalo, Bielsa mexeu. Saíram Darwin e Viña, entraram Canobbio e Sanabria. A resposta uruguaia foi forte.

No segundo tempo, a Arábia Saudita praticamente não conseguiu sair da própria área. Al Owais voltou a brilhar, Viñas desperdiçou e Ugarte acertou no ferro aos 60 minutos.

A igualdade chegou aos 80, por Maxi Araújo. Al Owais voltou a negar o golo a Viñas, mas nada pôde fazer perante o remate forte do jogador do Sporting.

Até ao fim, o Uruguai procurou a vitória. Ainda assim, o guarda-redes saudita manteve o empate.

Tunísia despede selecionador após apenas um jogo

Fora dos relvados, a Tunísia tomou uma decisão histórica. Depois da derrota por 1-5 frente à Suécia, Sabri Lamouchi deixou o comando técnico.

A federação tunisina confirmou a rescisão por “mútuo acordo”, tornando Lamouchi o primeiro treinador na história dos Mundiais a ser despedido após apenas uma partida.

O técnico francês ainda orientou o treino de segunda-feira, mas a decisão já estava tomada.

O balanço foi curto e pouco convincente. Lamouchi somou apenas uma vitória em cinco jogos, frente ao Haiti, por 1-0. Antes do Mundial, a Tunísia perdeu com a Áustria, por 1-0, e foi goleada pela Bélgica, por 5-0.

Entretanto, Hervé Renard foi anunciado como novo selecionador até ao final da competição.

A federação explicou a decisão em comunicado: “A Federação tunisina anuncia a nomeação de Hervé Renard como selecionador nacional até ao final do Campeonato do Mundo de 2026, assumindo funções a partir desta noite e mantendo as mesmas condições financeiras. Conforme acordado, as negociações para uma colaboração de longo prazo terão início após o término da participação no Campeonato do Mundo, com o objetivo de estabelecer uma parceria assente em metas desportivas específicas. Será realizada uma conferência de imprensa de apresentação do novo selecionador nacional no centro de estágio, meia hora antes do início da sessão de treino.”

Um Mundial que já tem heróis inesperados

Ainda faltam jogos para fechar a primeira ronda, mas o Mundial 2026 já tem uma imagem forte: Vozinha em lágrimas, depois de parar Espanha e colocar Cabo Verde no mapa emocional da competição.

Ao mesmo tempo, Egito, Bélgica, Uruguai e Arábia Saudita deixaram sinais de equilíbrio. Já a Tunísia mostrou que, num Campeonato do Mundo, até uma jornada pode ser suficiente para mudar tudo.

Entre empates, redes sociais em combustão e decisões de bastidores, a prova começa a ganhar aquilo que a torna única: a capacidade de transformar uma noite num capítulo de memória coletiva.

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