Pavlidis derruba o St. Gallen e oferece uma noite tranquila a Marco Silva na estreia na Luz

Pavlidis derruba o St. Gallen e oferece uma noite tranquila a Marco Silva na estreia na Luz, nesta quinta-feira.

Texto: Rui Lavrador
Fotografia: Rui Pereira

Benfica venceu por 5-0, anulou a desvantagem trazida da Suíça e avançou na Liga Europa. O avançado grego marcou quatro golos, mas a goleada não apagou alguns sinais que exigem atenção

O resultado foi expressivo, Pavlidis saiu da Luz com quatro golos e Marco Silva estreou-se diante dos adeptos do Benfica com uma goleada. Tudo isto é factual. Seria, porém, redutor olhar apenas para o marcador e concluir que os encarnados já encontraram todas as respostas.

O Benfica venceu o St. Gallen por 5-0, deu a volta à derrota por 2-1 sofrida na Suíça e garantiu a continuidade na Liga Europa. A equipa cumpriu a obrigação, aproveitou a superioridade numérica durante a segunda parte e teve em Vangelis Pavlidis um finalizador implacável. O grego transformou uma noite inicialmente carregada de ansiedade numa passagem europeia sem discussão.

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Na Luz estiveram 59.563 espectadores. Não foi apenas uma boa assistência numa noite europeia de julho. Foi também uma demonstração daquilo que continua a ser a força do Benfica: mesmo depois de uma derrota embaraçosa, os adeptos apareceram, empurraram a equipa e exigiram uma resposta.

E ela chegou.

A ansiedade terminou aos 10 minutos

Marco Silva manteve praticamente o mesmo onze utilizado na primeira mão. Leandro Barreiro entrou para o lugar de Miguel Figueiredo, numa equipa novamente organizada num 4x2x3x1, com Rafa, Sudakov e Kaminski atrás de Pavlidis.

Nos primeiros minutos, percebeu-se que o Benfica estava a jogar contra dois adversários. Um vestia de verde e laranja. O outro era a própria ansiedade.

A bola circulava, mas nem sempre com a velocidade necessária. Havia alguma precipitação nos movimentos, passes forçados e uma bancada impaciente perante cada tentativa falhada. O St. Gallen procurava aproveitar esse desconforto, pressionando sempre que conseguia aproximar-se da área encarnada.

O primeiro golo mudou tudo.

Aos 10 minutos, o Benfica construiu pela direita, Rafa apareceu no espaço certo e serviu Pavlidis. O avançado não desperdiçou. O remate certeiro empatou a eliminatória e retirou parte do peso que a equipa carregava desde a derrota na Suíça.

A partir daí, o Benfica ficou mais confortável, embora nem sempre verdadeiramente dominador.

Em organização ofensiva, a equipa aproximava-se muitas vezes de um 4x2x4. Rafa e Kaminski nas alas, enquanto Sudakov surgia perto de Pavlidis. Sem bola, os encarnados regressavam a um 4x4x2, tentando fechar os corredores e condicionar a primeira fase de construção adversária.

A ideia percebeu-se. A execução ainda esteve longe de ser constante.

Trubin voltou a deixar dúvidas

A goleada não deve impedir que se fale do que correu menos bem. E Trubin continua a transmitir pouca segurança.

O guarda-redes chegou ao Benfica rodeado de expectativa, mas a evolução apresentada desde então permanece insuficiente para aquilo que se exige ao titular da baliza encarnada. É lento na decisão, pouco interventivo na organização defensiva e continua a parecer mais reativo do que ativo.

Aos 15 minutos, saiu da baliza de forma incompreensível, foi ultrapassado pelo atacante adversário e deixou a equipa exposta. O lance não terminou em golo, mas voltou a mostrar um problema que não é novo.

Um guarda-redes do Benfica não pode limitar-se a defender remates. Tem de comandar, antecipar, corrigir posicionamentos e transmitir confiança aos quatro jogadores que tem à frente. Trubin continua a não fazer isso com a regularidade necessária.

Mais tarde, já durante a segunda parte, o St. Gallen desperdiçou uma oportunidade soberana para marcar. Um jogador suíço surgiu isolado perante o guarda-redes, mas rematou ao lado. Num resultado tão confortável, o lance poderá ser esquecido rapidamente. Não deve ser.

Pavlidis resolveu e a expulsão abriu o jogo

A segunda parte trouxe um Benfica mais decidido, mais agressivo e com maior capacidade para empurrar o St. Gallen para junto da própria área.

Aos 54 minutos, Pavlidis voltou a aparecer e fez o segundo golo. Pouco depois, a formação suíça ficou reduzida a dez jogadores, após uma expulsão por acumulação de cartões amarelos.

A partir desse momento, o encontro mudou definitivamente.

O Benfica passou a ter mais espaço, maior facilidade para circular a bola e condições para instalar o jogo no meio-campo adversário. Marco Silva aproveitou também para lançar alguns dos jogadores que chegaram mais tarde aos trabalhos, devido à participação no Mundial, além de dar minutos a reforços como Jhon Durán.

O terceiro golo voltou a pertencer a Pavlidis. O lance ainda passou pela análise do videoárbitro, mas acabou validado.

Richard Ríos, entretanto lançado para o lugar de Leandro Barreiro, acrescentou energia ao meio-campo e conquistou um penálti. Pavlidis assumiu a responsabilidade, marcou novamente e completou uma noite de quatro golos.

Há avançados que precisam de participar constantemente no jogo para se sentirem importantes. Pavlidis necessita sobretudo de ser alimentado perto da área. Quando a equipa lhe oferece condições, o grego é frio, eficaz e raramente precisa de muitas oportunidades para marcar.

Nesta noite, precisou apenas que o Benfica lhe entregasse a bola nos lugares certos.

Lenglet fechou a goleada

O quinto golo surgiu na sequência de um pontapé de canto. Lukebakio cruzou do lado esquerdo e Lenglet apareceu na área para marcar.

Foi o ponto final numa eliminatória que começou mal na Suíça, mas terminou com uma demonstração clara da diferença individual existente entre as duas equipas.

O Benfica ganhou por 5-0 porque foi melhor, porque teve mais soluções e porque Pavlidis realizou uma exibição de enorme eficácia. Ganhou também porque o St. Gallen ficou reduzido a dez elementos quando ainda havia muito tempo para jogar.

Não há qualquer necessidade de diminuir o triunfo. Também não existe motivo para o transformar numa obra-prima.

A goleada resolve a eliminatória, não resolve os problemas

Marco Silva estreou-se no Estádio da Luz com cinco golos, uma qualificação europeia e uma bancada satisfeita. Era difícil pedir um resultado melhor.

A exibição, contudo, mostrou que este Benfica continua em construção.

A equipa apresentou momentos interessantes na pressão, conseguiu colocar vários jogadores perto da área adversária e revelou maior qualidade quando Richard Ríos entrou. As alternativas lançadas na segunda parte também deram outro ritmo ao encontro.

Por outro lado, permanece vulnerável quando perde a bola, nem sempre consegue controlar a profundidade adversária e ainda depende demasiado da inspiração individual para desbloquear jogos. A baliza continua igualmente a justificar preocupação.

Marco Silva recebeu uma equipa que precisa de ser reconstruída em vários aspetos. Não apenas nos nomes ou no desenho tático, mas na personalidade competitiva. O Benfica tem de voltar a entrar em campo com autoridade, sem esperar por um golo para se libertar do medo de falhar.

A noite terminou em festa e Pavlidis levou a bola para casa. Os adeptos puderam respirar, o treinador conquistou a primeira grande vitória na Luz e a eliminatória ficou resolvida sem sofrimento até ao apito final.

Mas o resultado não deve servir para esconder o caminho que ainda falta percorrer.

O Benfica cumpriu. Pavlidis brilhou. Marco Silva venceu.

Agora é necessário construir uma equipa que não precise de estar encostada à parede para mostrar que sabe reagir.

Ficha de jogo

Benfica: Trubin; Alexander Bah, António Silva, Lenglet e Samuel Dahl; Leandro Barreiro e Enzo Barrenechea; Rafa Silva, Sudakov e Kaminski; Vangelis Pavlidis.

Suplentes: Samuel Soares, Tomás Araújo, José Neto, Dedic, Manu, Richard Ríos, Miguel Figueiredo, Lukebakio, Schjelderup, Ivanovic, Jhon Durán e Anísio Cabral.

St. Gallen: Watkowiak; Tom Gaal, Stanic e Okoroji; Vandermersch, Görtler, Daschner, Boukhalfa e Stevanovic; Baldé e Witzig.

Suplentes: Dumrath, Bujard, Hunziker, Rokaj, Fazliji, Besi, Owusu, Konietzke, Heydari e Ruiz.

Resultado: Benfica, 5 – St. Gallen, 0.

Assistência: 59.563 espectadores.

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