Benfica vence Estoril com estreia de João Palhinha e susto no final

Benfica vence Estoril com estreia de João Palhinha e susto no final, na noite desta segunda-feira, 31 de Agosto.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Pavlidis e Lenglet construíram a vantagem encarnada, mas Begraoui reduziu aos 81 minutos e obrigou a equipa de Marco Silva a sofrer até ao apito final. João Palhinha estreou-se, esteve perto do golo e Gonçalo Moreira também recebeu uma oportunidade na reta final.

O Benfica venceu o Estoril por 2-1, no Estádio da Luz, num encontro da quarta jornada da Liga Portugal que parecia resolvido, mas terminou com sofrimento. Pavlidis abriu o marcador ainda durante a primeira parte e Lenglet aumentou a vantagem após o intervalo. Begraoui, aos 81 minutos, devolveu o Estoril ao jogo e transformou os derradeiros minutos num teste à capacidade de resistência dos encarnados.

A noite ficou igualmente marcada pela estreia de João Palhinha. O internacional português foi chamado por Marco Silva ainda durante a primeira parte e, aos 75 minutos, esteve muito perto de festejar um golo no regresso ao futebol português. Gonçalo Moreira também recebeu uma oportunidade, entrando para o lugar de Sudakov aos 79 minutos.

Estoril montou uma muralha diante da área

Marco Silva apresentou o Benfica no habitual 4x2x3x1, com Leandro Barreiro e Enzo Barrenechea no meio-campo, Rafa, Sudakov e Prestianni no apoio a Pavlidis. O Estoril respondeu com uma estrutura de três centrais que, sem bola, se transformava frequentemente numa linha defensiva com cinco elementos.

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A estratégia dos visitantes foi evidente desde os primeiros minutos. Fechar o corredor central, reduzir os espaços entre linhas e obrigar o Benfica a circular a bola por fora. Sempre que recuperava a posse, o conjunto de Vasco Matos procurava lançar rapidamente Begraoui e Lacximicant.

O Estoril conseguiu mesmo criar o primeiro lance de algum perigo, por intermédio de Lacximicant, aos seis minutos. A resposta do Benfica surgiu através de Sudakov, que começou a encontrar espaços à entrada da área e chegou a acertar na barra aos 12 minutos, num remate de primeira que ainda sofreu um desvio.

Apesar do domínio territorial, o Benfica sentiu dificuldades para desmontar o bloco baixo dos canarinhos. Prestianni procurava desequilíbrios através da condução, Rafa aparecia entre linhas e Bah dava profundidade pelo corredor direito, mas faltava maior velocidade na circulação.

João Palhinha entrou mais cedo do que o esperado

Aos 31 minutos, Marco Silva lançou João Palhinha para o lugar de Enzo Barrenechea. A estreia do reforço acabou, assim, por acontecer ainda durante a primeira parte e perante os adeptos encarnados.

Palhinha posicionou-se imediatamente à frente da defesa, libertando Leandro Barreiro para aparecer em zonas mais adiantadas. A presença do internacional português deu ao Benfica maior capacidade para recuperar rapidamente a bola e travar as primeiras tentativas de transição do Estoril.

Não foi uma entrada exuberante, nem precisava de ser. Palhinha fez aquilo que melhor sabe: ocupou o espaço central, encurtou distâncias, ganhou duelos e ofereceu segurança aos jogadores mais criativos.

Com o Estoril cada vez mais recuado, a pressão do Benfica acabou por produzir efeito aos 40 minutos. Depois de um remate de Dahl ter sido bloqueado, Pavlidis ganhou espaço dentro da área e, com uma finalização à meia-volta, colocou a bola no fundo da baliza.

Foi um golo de avançado. O grego precisou de pouco espaço e ainda menos tempo para decidir. Pavlidis voltou a demonstrar o sentido de oportunidade que o tornou numa das principais referências ofensivas da equipa.

Nos últimos minutos da primeira parte, o Benfica teve oportunidades para aumentar a vantagem. Pavlidis encontrou pela frente uma boa mancha de Joel Robles, Rafa obrigou o guarda-redes espanhol a mostrar reflexos e Leandro Barreiro também viu um remate rasteiro ser travado pelo guardião estorilista.

Lenglet aumentou a vantagem

O intervalo não retirou intensidade ao Benfica. A equipa de Marco Silva regressou determinada a marcar o segundo golo e conseguiu-o aos 52 minutos, por intermédio de Clément Lenglet.

O central francês confirmou a superioridade encarnada e colocou o resultado em 2-0. A partir desse momento, o jogo entrou numa fase de maior controlo por parte do Benfica. Palhinha e Leandro Barreiro protegiam o corredor central, enquanto Rafa e Sudakov procuravam gerir os ritmos com bola.

O Estoril tentou adiantar as linhas, mas continuou a revelar dificuldades para permanecer durante muito tempo no meio-campo adversário. Sempre que perdia a posse, deixava mais espaço nas costas e permitia ao Benfica aproximar-se novamente da área.

A grande figura do Estoril acabaria por ser Joel Robles. O guarda-redes evitou que a diferença no marcador se tornasse mais pesada e voltou a mostrar toda a sua qualidade durante a segunda parte.

Palhinha e Dahl ficaram perto do terceiro

Aos 75 minutos, João Palhinha esteve muito perto de completar a estreia com um golo. O médio apareceu em posição de finalização e rematou com perigo, mas Joel Robles respondeu com uma defesa de grande nível.

Pouco depois, Samuel Dahl tentou surpreender de longa distância. O lateral sueco encontrou espaço e disparou de fora da área, obrigando novamente o guarda-redes do Estoril a uma intervenção de enorme qualidade.

Foram duas oportunidades consecutivas que poderiam ter encerrado definitivamente o encontro. O Benfica tinha o jogo controlado, vencia por dois golos e estava mais próximo do terceiro do que o Estoril de reduzir.

Contudo, a incapacidade para aproveitar uma dessas ocasiões acabaria por dar esperança aos visitantes.

Gonçalo Moreira lançado por Marco Silva

Aos 79 minutos, Marco Silva retirou Sudakov e lançou Gonçalo Moreira. O jovem recebeu a confiança do treinador num Estádio da Luz praticamente convencido de que a vitória estava assegurada.

A entrada de Gonçalo Moreira representou mais um sinal da aposta nos jovens formados no clube. Entrou para uma zona exigente, com a responsabilidade de ajudar a equipa a conservar a bola e de aparecer entre o meio-campo e a defesa do Estoril.

O contexto, porém, alterou-se apenas dois minutos depois.

Begraoui devolveu emoção ao encontro

Aos 81 minutos, Yanis Begraoui reduziu a vantagem do Benfica. O avançado aproveitou uma das poucas situações em que o Estoril conseguiu encontrar espaço na zona defensiva encarnada e colocou o resultado em 2-1.

O golo mudou imediatamente o ambiente na Luz. Uma partida que parecia perfeitamente controlada passou a ser disputada sob tensão. O Estoril ganhou confiança, avançou as linhas e começou a colocar mais jogadores perto da área de Samuel Soares.

O Benfica, por sua vez, deixou de jogar com a mesma tranquilidade. A equipa procurou reduzir o ritmo, conservar a posse e impedir que os visitantes criassem uma última oportunidade para chegar ao empate.

Não foi o final confortável que Marco Silva certamente desejaria, sobretudo depois das oportunidades de Palhinha e Dahl. Ainda assim, os encarnados conseguiram proteger a vantagem e confirmaram a conquista dos três pontos.

Vitória justa, mas sofrimento evitável

O triunfo do Benfica não oferece grandes dúvidas quanto à justiça. A equipa encarnada teve mais bola, criou as melhores oportunidades e obrigou Joel Robles a várias intervenções importantes. O Estoril cumpriu o plano defensivo durante grande parte da primeira parte, mas acabou por ceder perante a insistência de Pavlidis.

O principal reparo está na forma como o Benfica permitiu que um encontro controlado se transformasse num final de sofrimento. Depois de chegar ao 2-0 e de criar oportunidades claras para marcar o terceiro, a equipa não conseguiu matar o jogo. Begraoui aproveitou e devolveu esperança aos canarinhos.

Individualmente, Pavlidis voltou a confirmar a importância que tem na área adversária, Lenglet juntou um golo a uma exibição segura e Joel Robles evitou um resultado mais pesado. João Palhinha teve uma estreia positiva, marcada pela segurança no meio-campo e por uma oportunidade que esteve muito perto de terminar em golo.

A entrada de Gonçalo Moreira foi outro dos momentos especiais da noite. O jovem foi lançado numa fase em que o Benfica precisava de energia e personalidade para proteger o resultado.

No final, ficou a vitória por 2-1, os três pontos e uma estreia aguardada. O Benfica foi superior, mas o golo de Begraoui deixou também um aviso: enquanto o resultado estiver ao alcance do adversário, nenhum jogo está verdadeiramente resolvido.

Os onzes iniciais

Benfica: Samuel Soares; Alexander Bah, Tomás Araújo, Clément Lenglet e Samuel Dahl; Enzo Barrenechea e Leandro Barreiro; Gianluca Prestianni, Georgiy Sudakov e Rafa Silva; Vangelis Pavlidis.

Estoril: Joel Robles; Stelios Andreou, Ferro e Ismael Sierra; Ricard Sánchez, Antef Tsoungui, Xeka e Fernando Medrano; João Carvalho, Yanis Begraoui e André Lacximicant.

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